© Christian Truth Publishing 9-B Appledale Road – Hamer Bay (Mactier), ON. P0C 1H0 CANADA - Traduzido, publicado e distribuído no Brasil com autorização do autor por Verdades Vivas - verdadesvivas.com.br
Sua Saudação Final
Vs. 22-25 – Sabendo que
poderia haver uma reação negativa ao que expôs na epístola, acrescenta uma
palavra gentil de encorajamento: “Rogo-vos,
porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente
vos escrevi” (v. 22). Seu desejo aqui é que eles permitissem que o que lhes
foi apresentado penetrasse profundamente em seus corações, e que respondessem
apropriadamente.
Ele os lembra de que “Timóteo” tinha sido “solto” (v. 23), e que poderia ser uma
ajuda para eles no entendimento da verdade que comunicou nesta epístola.
Ele os encoraja a “saudar” (cumprimentar) todos os seus “chefes”. Isso promove a paz entre os
irmãos. Ele termina com: “A graça seja
com todos vós. Amém!” (vs. 24-25).
Sua Doxologia
Vs. 20-21 – Para
terminar, o escritor invoca a Deus para ajudar os crentes hebreus a alcançar a
maturidade espiritual. Ele diz: “Ora, o
Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a
nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a
boa obra, para fazerdes a Sua vontade, operando em vós o que perante Ele é
agradável por Cristo Jesus, ao Qual seja glória para todo o sempre. Amém!” Seu
desejo era que o grande poder de Deus, que havia sido demonstrado na
ressurreição do Senhor Jesus dentre os mortos, operasse em seu crescimento espiritual.
(“Perfeito” significa crescimento
pleno.) E isso, ele deseja, seria manifestado em sua execução da “vontade” de Deus, naquilo que “perante Ele é agradável”. O contexto
da epístola sugere fortemente que ele está se referindo a sua separação completa
do judaísmo sob o velho concerto, e um entendimento do que haviam adquirido por
meio do “concerto eterno”.
Coisas que Caracterizam o Novo Local de Reunião do Cristão
Resumindo as exortações
anteriores sobre o novo centro de reunião no Cristianismo, o escritor tocou em
várias coisas que caracterizam esse terreno.
- É
um terreno no qual o Senhor Jesus Cristo é o Centro de reunião – “a Ele” (v. 13a).
- É
um terreno que é “fora do arraial”,
livre de princípios e práticas judaicas (v. 13b).
- É
um terreno que traz o “vitupério” de
Cristo (v. 13c).
- É
um terreno que não tem sedes terrestres – nenhuma “cidade permanente” (v. 14).
- É
um terreno onde os Cristãos têm liberdade para adorar “em espírito e em verdade” (Jo 4:24) com “o fruto dos nossos lábios”, sem a ajuda externa de instrumentos de
orquestras e corais etc., que caracterizam a religião terrena.
- É
um terreno no qual o amor é visto em ação, onde os crentes se comunicam uns com
os outros a partir de seus recursos materiais (v. 16).
- É
um terreno onde o cuidado pastoral é exercido, sem nomeação oficial para esse
trabalho ou treinamento prévio nas escolas dos homens (v. 17).
- É
um terreno onde a oração é um hábito (vs. 18-19).
Exortações Sobre a Vida de Assembleia do Crente
Vs. 7-25 – Como
mencionado, o segundo grupo de exortações diz respeito aos seus privilégios e
responsabilidades coletivas.
LEMBRAR-SE DOS LÍDERES CRISTÃOS QUE NOS ANTECEDERAM (vs. 7-8)
Ao se afastarem do judaísmo, os crentes
hebreus poderiam pensar que o escritor estava pedindo a eles que dessem as
costas à sua longa herança naquela religião. Mas ele não diz isso. Abraão,
Moisés, Davi, etc., ainda precisavam ser valorizados por sua fidelidade, como
indica o capítulo 11. O que eles precisavam ver era que agora também tinham uma
herança Cristã de líderes valiosos, dos quais se lembravam.
Essa companhia de
crentes hebreus tinha líderes que lhes haviam ensinado a Palavra de Deus, que
deveriam valorizar e buscar ajuda espiritual e encorajamento neles. Por isso, o
escritor diz: “Lembrai-vos dos vossos
guias [líderes – JND], os quais vos pregaram a Palavra de Deus;
e, considerando atentamente o fim da sua vida [sua maneira de viver – ARC], imitai a fé que tiveram” (ARA). “Jesus Cristo é o
mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. O fato de dizer: “os quais vos pregaram ...” (no tempo passado) indica que esses “líderes” Cristãos tinham ido para o Senhor
e não estavam mais na Terra. J. N. Darby disse: “Ao exortá-los (v. 7) a lembrar
daqueles que guiaram o rebanho, ele fala daqueles que já partiram em contraste
com aqueles que ainda vivem (v. 17)” (Synopsis
of the Books of the Bible, em Hebreus 13:7; veja também Collected Writings, vol. 27, pág. 321,
413). Embora tivessem ido para estar com o Senhor, a fé deles havia deixado um
legado de caráter e coragem Cristãos para aqueles que, nas futuras gerações, os
“imitassem”. Estêvão (At 7) e Tiago
(At 12) seriam exemplos desses, talvez Judas Barsabás e Silas fossem outros (At
15:22). Estes eram “varões distintos
entre os irmãos”. Alguns desses líderes podem ter estado na supervisão de
uma assembleia local, mas W. Kelly aponta que essa não é a força da palavra
usada aqui. O sentido é o de líderes de um modo geral (The Epistle to the Hebrews, pág. 261).
Nota: ele diz: “imitai a fé que tiveram”. Não diz que deveriam imitar seus maneirismos,
ou suas características, ou a maneira como falavam publicamente no ministério.
Fazer isso é tornar-se um clone desses queridos servos de Deus, o que não é a
vontade de Deus. Assim como uma estrela difere de outra estrela em glória (1 Co
15:41), Deus quer que todos nós brilhemos em nosso próprio caminho individual. Era
a “fé” deles que deveriam imitar (1
Co 11:1; Ef 5:1). Esses líderes que já tinham partido eram um testemunho do
fato de que caminhar por fé no caminho Cristão pode ser feito vitoriosamente.
A “maneira de viver” deles [essência
de suas vivas – JND] era “Jesus
Cristo”. Cristo era o objetivo em tudo que aqueles homens haviam buscado na
vida. É a razão pela qual seguiram em linha reta. Esses crentes hebreus deviam
considerar isso e seguir seu exemplo, fazendo de Cristo o Objeto e o Centro de
suas vidas. O escritor acrescenta que “Jesus
Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente”. Isto é, os tempos podem
mudar e aqueles que serviram a sua geração pela vontade de Deus “dormiram” (At 13:36), mas Cristo está
sempre presente para cada nova geração, pois Ele nunca muda.
GUARDAR-SE DAS DOUTRINAS ESTRANHAS QUE MISTURAM O JUDAÍSMO COM O
CRISTIANISMO (vs. 9-10)
A próxima exortação adverte contra o
perigo de sermos levados “por doutrinas
várias e estranhas” que misturariam o judaísmo com o Cristianismo. Todo
esse ensino judaizante se opõe aos princípios da graça Cristã e não tem lugar
na administração atual. Tais ensinamentos geralmente se concentram em tentar
produzir um padrão mais elevado de santidade nos crentes por meio do legalismo,
o que não funciona. Por isso, o escritor diz: “porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares (alimentos
sólidos), que de nada aproveitaram aos
que a eles se entregaram”. Ele usa “alimentos sólidos” aqui como uma figura
para as ordenanças externas da religião terrena (Hb 9:10). Seu ponto de vista é
direto e claro: os Cristãos que adotaram princípios judaicos não se
beneficiaram deles espiritualmente.
Ele prossegue dizendo: “Temos um altar de que não têm direito de
comer os que servem ao tabernáculo”. Esse “altar” não é o altar de bronze, nem é o altar de ouro na velha administração,
mas o que é simbólico do “novo e vivo
caminho” de aproximação a Deus no verdadeiro Cristianismo (Hb 10:19-22). “Comer” neste altar simboliza a
participação na adoração espiritual oferecida no Cristianismo (1 Co 10:18).
Este versículo 10 nos ensina que aqueles que querem se apegar ao judaísmo não
devem ser permitidos de participar do verdadeiro modo Cristão de se aproximar
de Deus. Fazer isso seria misturar as duas ordens, algo que Deus não quer.
Como mencionado na
Introdução deste livro, a Cristandade está permeada de princípios e práticas
judaicas. É verdadeiramente uma mistura de judaísmo e Cristianismo. Visto que é
assim, àqueles que desejam frequentar e participar dos chamados “cultos de
adoração” nas igrejas da Cristandade, e ao mesmo tempo, estar em comunhão na
mesa do Senhor, onde os Cristãos buscam adorar de acordo com o novo e vivo caminho,
deve ser dito que não “têm o direito”
de comer lá. Por conseguinte, não devem ser permitidos de assim o fazer. A
razão é simples: Deus não quer uma mistura das duas coisas.
SAIR PARA O NOVO LUGAR DE REUNIÃO FORA DO ARRAIAL (vs. 11-14)
Nestes versículos, o escritor menciona
um ritual relevante relacionado com a oferta pelo pecado que teve seu
cumprimento na morte de Cristo – “os
corpos dos animais”, que foram oferecidos, foram consumidos com fogo em um
lugar “fora do arraial” (Lv 4:12).
Como cumprimento disso, o Senhor Jesus “padeceu
fora da porta” de Jerusalém (Jo 19:20). Ele foi expulso do sistema do
judaísmo por seus líderes perversos e lá morreu como um criminoso. Mas ao ser
expulso desse sistema, Deus fez de Cristo o novo centro de reunião para aqueles
que O recebem como seu Salvador. O efeito da morte de Cristo fora do judaísmo
era “santificar o povo com o Seu próprio
sangue” num sentido relativo ou externo (cap. 10.29). Isto é, estabeleceu
um novo terreno sobre o qual os crentes devem se reunir em separação do
judaísmo.
Assim sendo, o escritor
exorta: “Saiamos, pois, a Ele
fora do arraial, levando o Seu vitupério.” Tem sido frequentemente
perguntado: “O que exatamente é ‘o arraial’?”
É uma expressão que caracteriza o judaísmo e seus princípios e práticas a ele relacionados.
Assim, o versículo 13 é um chamado formal a todos os crentes naquele sistema
judaico para cortar suas conexões com ele indo ao Senhor Jesus que está fora desse
sistema. Ele é o novo Lugar de Reunião – o Centro de reunião dos Cristãos (Mt
18:20). Esta não é uma localização geográfica como no judaísmo (ou seja, o
templo em Jerusalém), mas sim, um terreno espiritual de princípios sobre os
quais Deus deseja que os Cristãos se reúnam para adoração e ministério.
Visto que a profissão Cristã
se tornou permeada de princípios e práticas judaicas e existe em quase toda
parte uma mistura dos dois sistemas, esse chamado para ir a Cristo “fora do arraial” tem uma aplicação
muito prática para nós na Cristandade. O princípio é simples: os crentes são
chamados a se separar do judaísmo – independentemente de onde possa ser
encontrado, ou de que forma possa estar. Poderia ser no judaísmo formal (uma
sinagoga) ou em locais de adoração de aparência judaico-Cristã (as igrejas da Cristandade).
Esse chamado para separar do judaísmo levou os Cristãos exercitados a
dissociar-se das igrejas na Cristandade, onde essa mistura existe, e se reunirem
simplesmente ao nome do Senhor Jesus (Mt 18:20). (Compare com 2 Tm 2:19-21).
Alguns Cristãos que são
defensores da mistura judaico-Cristã nos sistemas da igreja dirão que “o arraial” se refere estritamente ao
judaísmo formal, e nada mais. Qualquer extração disso, em suas mentes, não é
considerada o arraial. No entanto, se este raciocínio estivesse correto, então
os crentes judeus, que foram chamados a se separarem do arraial, não precisam
realmente se separar da sinagoga, porque mesmo a seita mais estrita do judaísmo
hoje é apenas uma derivação do verdadeiro judaísmo bíblico que Deus deu por
meio de Moisés. Mesmo quando o Senhor estava aqui na Terra, o judaísmo havia se
tornado descontroladamente distorcido pelas interpretações e tradições dos
anciãos. Hoje é simplesmente muito mais distorcido. Este argumento, portanto, é
certamente falso, e só é insistido para evitar que uma aplicação prática seja
feita aos frequentadores de igrejas. É verdade que muitas das coisas judaicas
nessas igrejas foram alteradas um pouco para se adequar a um contexto Cristão,
mas esses locais de adoração ainda têm, em princípio, os ornamentos do
judaísmo. De fato, se fôssemos pedir-lhes a base na Escritura para muitas de
suas práticas religiosas, apontariam livremente para o judaísmo do Velho
Testamento como seu modelo. Grande parte da atual ordem judaico-Cristã existe
há tanto tempo no Cristianismo que se tornou aceita pelas massas como o ideal
de Deus. O que aconteceu em grande medida é que a Cristandade se uniu ao “arraial” da religião terrena, que é a própria
coisa de onde o versículo 13 chama os crentes para sair.
O escritor acrescenta
que, como o Senhor saiu do arraial para levar nosso juízo como a oferta suprema
de pecados, devemos agora ir para fora do arraial para Ele e, ao fazê-lo, levaremos
Seu “vitupério” (reprovação). Assim
há reprovação ao se reunir ao redor do Senhor fora do arraial porque esse novo terreno
de reunião é algo rejeitado. Portanto, devemos estar preparados para suportar o
sofrimento em relação a isso. A reprovação que esses crentes hebreus sentiam
vinha principalmente dos que estavam no arraial. E os crentes que se separarem
dos princípios judaicos nas igrejas da Cristandade também descobrirão que a censura
virá principalmente daqueles que, nos sistemas da igreja, não se separarão
dessa mistura. O apóstolo João chamou as pessoas que tomam este terreno de
aparência judaico-Cristã: os “que se
dizem judeus e não o são, mas mentem” (Ap 2:9, 3:9).
O escritor acrescenta
que “aqui” na Terra “não temos (nós Cristãos) cidade permanente”, como os judeus
tinham em Jerusalém (v. 14). Em vez disso, ele diz: “mas buscamos a futura (uma cidade celestial)”. Assim, não há sedes terrenas no Cristianismo. Assim, o novo
lugar Cristão de adoração é:
- Dentro
do véu quanto aos nossos privilégios espirituais (Hb 10:19-20).
- Fora do arraial quanto à nossa posição eclesiástica (Hb 13:13).
EXERCITAR
NOSSOS PRIVILÉGIOS SACERDOTAIS (v. 15)
Tendo ensinado que todos os Cristãos são
sacerdotes com liberdades que excedem qualquer coisa que os sacerdotes
aarônicos tinham no judaísmo (Hb 10:19-22), o escritor agora nos exorta a
exercer nossos privilégios sacerdotais em louvor e oração. Ele diz: “Portanto, ofereçamos sempre, por
Ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu
nome”. Este é um sacrifício espiritual que os Cristãos podem oferecer na
imediata presença de Deus. É feito “por
Ele” (veja também 1 Pe 2:5), que é uma alusão a Cristo como nosso Grande
Sacerdote apresentando nossa adoração a Deus com perfeição (Hb 10:21). Nota:
não há menção de que este louvor seja oferecido com a ajuda externa de
instrumentos de orquestras e corais, etc., porque a verdadeira adoração Cristã é
em “espírito e em verdade” (Jo
4:24). É algo espiritual produzido no coração dos crentes pelo Espírito Santo
(Fp 3:3). A verdadeira adoração Cristã se manifestará no “fruto dos nossos lábios” e será feito “confessando o Seu nome”, porque não devemos ter outro nome senão o
do Senhor Jesus (Mt 18:20).
USAR NOSSOS RECURSOS MATERIAIS PARA APOIAR O TESTEMUNHO CRISTÃO (v. 16)
O escritor fala então de outro tipo de
sacrifício Cristão – comunicando nossas posses materiais de maneira monetária.
Ele diz: “E não vos esqueçais da
beneficência e comunicação [das
vossas possessões materiais – JND],
porque, com tais sacrifícios, Deus Se agrada”. Assim, nossos recursos
materiais, se usados para promover o testemunho Cristão, são vistos como um
sacrifício pelo Seu nome. Esse tipo de sacrifício pode ser feito em um nível
individual (Gl 6:6) ou em um nível coletivo, a partir de uma assembleia (Fp 4:14-16).
Os princípios de tal oferta são expostos em 2 Coríntios 8-9. O fato de que ele
diz “não vos esqueçais” mostra que
pode ser negligenciado.
OBEDECER E SE
SUBMETER AOS LÍDERES (v. 17)
Ele dá mais uma palavra aqui sobre seus “líderes [guias]”. Eles estavam vivos e fazendo seu trabalho entre os santos na
época em que a epístola foi escrita, ao contrário daqueles no versículo 7, que
haviam morrido e estavam com o Senhor.
Ele diz: “Obedecei a vossos pastores [líderes – JND] e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que
hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso
não vos seria útil”. A TB traduz “pastores”
como “aos que vos governam”.
Ver também 1 Tessalonicenses 5:12 e 1 Timóteo 5:17 Esta é uma tradução infeliz,
e poderia transmitir o pensamento de que existe algum tipo de hierarquia
oficial na Igreja que governa os santos – ou seja, o clero, que é um ofício não
bíblico, um ofício inventado pelo homem.
Esses “guias” (AIBB) foram levantados pelo
Espírito Santo para cuidar do rebanho (At 20:28). Eles “vigiam” os santos como cuidadores. Eles têm experiência com Deus,
tendo andado no caminho por algum tempo, e assim podem ser uma ajuda para os
santos em assuntos espirituais. Isso mostra que as ovelhas que saíram do arraial
para Cristo não serão deixadas sem cuidado pastoral. Sem o confinamento daquele
sistema legal, haverá o perigo de inimigos, ovelhas se desviando, etc., mas
esses guias guardarão e instruirão o rebanho nesses assuntos práticos. Às
vezes, podemos nos ressentir de sua interação conosco e vê-la como intrometida
em nossas vidas pessoais, mas se formos submissos e tentarmos seguir o conselho
espiritual que nos dão, seremos ajudados no caminho. Eles hão de dar “conta” ao Senhor sobre como se
importaram com o rebanho. Seu desejo é fazê-lo “com alegria e não com tristeza [gemendo]”.
ORAR PELOS
SERVOS DO SENHOR (vs. 18-19)
Deve-se notar que o escritor toca nas
três esferas de privilégio e responsabilidade na casa de Deus. Os versículos 15-16
dizem respeito ao exercício do sacerdócio;
o versículo 17 tem a ver com o ofício
de supervisão, e agora nos versículos 18-19 temos a esfera do dom. Como servos no exercício de seus
dons espirituais, ele diz: “Orai por
nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo
querem portar-se honestamente”.
O fato de o escritor
pedir a esses crentes hebreus que orem por eles (“orai por nós”), mas não
identificou quem são, pode parecer um pouco incomum. A pergunta natural seria: “Orar
por quem?” Mas assume que eles sabiam quem eram – o que a maioria, se não
todos, expositores acreditam que era Paulo. Mais especificamente, seu pedido de
oração por sua libertação da prisão para que pudesse ser “restaurado” a eles e assim continuar seu ministério público entre
os santos, certamente aponta para o apóstolo Paulo (v. 19).
Exortações Sobre a Vida Pessoal do Crente
Caps. 12:28-13:6 – As
exortações e encorajamentos nesta série de versículos abordam o estilo de vida
apropriado que deve caracterizar os irmãos santos com um chamado celestial (Hb
3:1).
GRATIDÃO (vs. 28-29)
Ele diz: “Por isso tendo recebido um reino que não se pode mover, tenhamos
graça (sejamos agradecidos), pela
qual prestemos serviços mui agradáveis [aceitáveis – JND] a Deus com
reverência e temor; porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (TB). Assim,
tendo algo muito melhor no novo e vivo caminho de aproximação a Deus no Cristianismo
(Hb 10:19-22), o escritor os faria perceber este fato e ter “graça” (ser agradecido) por isso, e
responder servindo a Ele em meios “aceitáveis”
nesta posição muito favorecida na qual foram colocados. Voltar ao judaísmo não seria
estar servindo a Deus aceitavelmente. Para todos aqueles que estavam considerando
a ideia, ele diz: “Nosso Deus é um fogo
consumidor”, que julga tudo o que é contrário a Ele.
AMOR FRATERNAL (v. 1)
Ele então diz: “Permaneça a caridade [o
amor] fraternal”. Eles haviam
começado bem em seus primeiros dias como Cristãos e viviam em uma atmosfera de
amor (At 2:44-47); agora precisavam continuar nesse amor. Assim, diz, “permaneça” porque nascendo de Deus, os
Cristãos têm uma nova vida e natureza que ama naturalmente (1 Jo 5:1). Tudo o
que precisamos fazer é permanecer ou permitir que a natureza divina em nós faça
o que faz naturalmente – que é amar (1 Jo 4:19). Essa exortação é necessária
porque podemos colocar barreiras no caminho de nossa natureza divina, ao permitir
que sentimentos carnais de antipatia por alguns de nossos irmãos impeçam o
fluxo de nosso amor.
HOSPITALIDADE (v. 2)
Um modo de o amor se expressar é em “hospitalidade”. Nosso lar deve ser
aberto a nossos irmãos para promover a comunhão Cristã. Os “estranhos” (TB) mencionados nas versões King James e Tradução
Brasileira são irmãos no Senhor de diferentes áreas que estavam viajando por
aquela região. Estes irmãos podem ter fugido da perseguição e foram duramente
pressionados e precisavam de comida e abrigo. Gaio foi elogiado por João por
fazer isso, e especialmente por aqueles que estavam servindo ao Senhor (3 Jo
5-7). A comunhão Cristã em nossos lares é uma maneira importante de promover a
saúde da assembleia localmente. Ele acrescenta que alguns “não o sabendo, hospedaram anjos”. Isso pode ser uma referência a
Abraão e Sara. Abraão estava certamente ciente de que os homens que o visitavam
eram anjos e um deles era o próprio Senhor. Mas Sara não parecia entender isso,
e quando o ouviu dizer que eles iriam ter um filho na velhice, riu em dúvida (Gn
18).
COMPAIXÃO (v. 3)
Ele então diz: “Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles”. Essa
é outra maneira pela qual o amor pode se expressar – mostrando compaixão
àqueles que foram aprisionados por sua fé e “maltratados”. Lembrar-se deles não é meramente pensar neles e orar
por eles, mas ativamente estender a mão para eles, visitando-os, se possível.
Isto é o que Onesíforo fez no caso de Paulo, e Paulo disse que “muitas vezes me recreou” (2 Tm 1:16-18).
Esses estão privados de comunhão e realmente apreciam isso.
Ele acrescenta: “como sendo-o vós mesmos também no corpo”.
Isto não é uma referência à nossa
conexão uns com os outros no corpo (místico) de Cristo, como mencionado em 1
Coríntios 12:26. (O corpo de Cristo não está em vista em Hebreus). É, antes, a
conexão que temos uns com os outros por estarmos em nossos corpos físicos.
Podemos ter empatia com o sofrimento deles, porque também estamos no corpo e,
assim, sabemos o que é sofrer fisicamente. Esses crentes hebreus poderiam muito
bem acabar sendo aprisionados por sua fé e estarem na mesma situação, de modo
que, enquanto ainda estivessem livres, eram para mostrar sua compaixão àqueles
que estavam ligados dessa maneira.
PUREZA MORAL (v. 4)
O casamento deve ser mantido em respeito
e mantido em pureza. A violação do vínculo matrimonial por meio do adultério
será visitada pelo julgamento governamental de Deus porque “aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará”.
CONTENTAMENTO (v. 5)
“Sejam
vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes [satisfeitos com vossas circunstâncias
atuais – JND]; porque Ele disse: Não
te deixarei, nem te desampararei”. Esta exortação trata da necessidade de
cultivar contentamento nas circunstâncias presentes da vida em que Deus nos
colocou (Fp 4:11; 1 Tm 6:8). Temos necessidades temporais, mas elas não devem
ser satisfeitas por atos ambiciosos. “O
amor ao dinheiro” tem sido a ruína de muitos (1 Tm 6:9-10). Os Cristãos
devem trabalhar com as mãos, e o Senhor prometeu suprir todas as necessidades deles (1 Ts 4:11; Fp 4:19). Nota: Ele fornece
o que precisamos, não necessariamente
o que queremos.
CORAGEM (v. 6)
Finalmente, ele diz: “E, assim, com confiança [tomando coragem – JND], ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador,
e não temerei o que me possa fazer o homem”. Esta é uma citação do Salmo
118:6. Com o Senhor ao seu lado, não deveriam temer a perseguição relacionada
com a posição Cristã. A última parte do versículo 6 é realmente uma pergunta e
poderia ser lida: “O Senhor é quem me
ajuda, não temerei; Que me fará o homem?” É assim que o Salmo 118:6 o
apresenta.
EXORTAÇÕES DE ENCERRAMENTO - Capítulos 12:28-13:25
As exortações práticas sob
formas de verbos imperativos (“retenhamos
... sirvamos” etc.) recomeçam no
capítulo 12:28. Esta parte final da epístola tem dois grupos de exortações: as
que pertencem à vida pessoal do
crente e as que pertencem à vida de assembleia
do crente.
Um Apelo Final
Vs. 25-27 – A conclusão
que ele tira para os hebreus é clara – não recuse a voz que estava falando do
céu. O escritor diz: “Vede que não
rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles quando rejeitaram O que
sobre a Terra os advertia, muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos daqu’Ele
que nos adverte lá dos céus” (AIBB). Se não houvesse escapatória do
julgamento para aqueles que desobedeceram à voz de Deus que falou na Terra ao dar a Lei (Êx 20), quanto menos
alguém escaparia do julgamento que recairia sobre aqueles que recusam a voz de
Deus que estava falando com eles do céu!
A santidade do
julgamento de Deus simbolizado no tremor do Monte Sinai não será nada em
comparação com o tremor que está chegando. O próximo abalo será de tudo que há na
Terra e no céu! Ele cita Ageu 2:6 para confirmar isso: “Ainda uma vez comoverei, não só a Terra, senão também o céu”. Isso
ocorrerá quando o Senhor fizer que a criação material se dissolva depois de o
Milênio ter terminado seu curso (Hb 1:10-12; 2 Pe 3:10). Assim, haverá uma
remoção de todas as coisas feitas nesta criação atual – uma dissolução de tudo
em que a carne poderia se apoiar. O argumento do escritor ao afirmar isso é
que, como o judaísmo é da primeira criação, também será removido. Assim, para
aqueles que se apegam a essa religião terrena, precisavam perceber que tudo vai
se dissolver algum dia, porque a criação material não continuará. Mas, mesmo
antes disso, num futuro muito próximo do tempo em que a epístola foi escrita
(63 d.C.), os romanos entrariam e destruiriam a cidade e o templo (70 d.C.).
Muitos milhares de judeus seriam mortos e outros milhares seriam levados
cativos. Não haveria maneira de continuar com o judaísmo porque tudo seria
eliminado! Por outro lado, as coisas espirituais que a graça trouxe por meio de
Cristo “não são abaladas” para que
elas “permaneçam”.
Os Dois Sistemas Contrastados – Lei e Graça
Finalmente, o escritor
define os dois sistemas de Lei e graça lado a lado e pede aos hebreus que
contemplem qual deles prefeririam ter. Esses sistemas poderiam ser resumidos
por duas montanhas – o monte Sinai (vs. 18-21) e o monte Sião (vs. 22-24).
Vs. 18-21 – A aliança legal
é descrita primeiro. O Monte Sinai é onde a Lei foi dada, e representa todo o
sistema do judaísmo dado por Deus por meio de Moisés. O escritor ensaia a cena
solene de sua inauguração, cercada de trevas, fogo, raios, trovões, fumaça,
trombetas sinalizando aviso, etc. Essas coisas simbolizavam o fato de que o
Deus com Quem estavam entrando em um relacionamento de aliança era inacessível
em meros termos humanos. Se o homem ou um animal acidentalmente tocassem o monte,
teriam que ser apedrejados até a morte! (Êx 19:13). O povo ficou diante de Deus
em tremor. Apresentando-Se nesse caráter legal, eles estavam absolutamente
aterrorizados em conhecê-Lo. Até mesmo o mediador (Moisés) estava com medo e
disse: “Estou todo assombrado e tremendo”.
Toda a cena era algo que causaria terror no coração do mais vigoroso guerreiro.
O Deus do velho
concerto era um Deus a ser temido – um Deus de julgamento. Os termos deste
relacionamento legal com Ele foram: “Faça isto e faça aquilo, ou você será
julgado!” Exigiu obediência, e se as pessoas falhassem em obedecer, significaria
condenação e morte para elas. Consequentemente, Paulo chamou o velho concerto
de “ministério da morte” e “ministério da condenação” (2 Co 3:7-9).
Desnecessário dizer que um relacionamento com Deus nesses termos não é muito
convidativo. Sendo
confrontados com esta exibição visível do poder e majestade de Deus, o povo
recuou e pediu a Moisés que fosse a Ele em seu lugar, o que Moisés fez (Êx 20:21).
Mais uma vez, as
implicações aqui são óbvias. Ao lembrar os hebreus da severidade do sistema
legal, sem realmente dizer em palavras, o escritor perguntava se realmente
queriam voltar a isso. Queriam realmente ter um relacionamento com Deus nesses
termos? É semelhante ao que Paulo disse aos gálatas que estavam querendo estar
sob a lei. Ele lhes perguntou: “Dizei-me
vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei?” (Gl. 4:21).
Claramente, não estavam vendo o sistema legal como ele realmente era, e isso
mostra que estavam ficando cegos pelo julgamento governamental que estava sobre
aquele sistema (Sl 69:23; 2 Co 3:14-15). Felizmente, uma vez que esses crentes
hebreus haviam tomado o terreno Cristão professando crer no Senhor Jesus, o
escritor poderia dizer: “Porque não
chegastes ao monte” Sinai.
Vs. 22-24 – Ele então
passa a contar aonde têm “chegado” por
meio do que a graça realizou em Cristo. É um vasto sistema de bênçãos, não
apenas para os Cristãos, mas para todos os nascidos[1]
de Deus – alguns dos quais terão uma porção terrena de bênçãos e os outros terão
bênçãos celestiais (Ef 3:15). Ele menciona oito coisas aqui. Oito é um número
que sugere um novo começo. Assim, haverá toda uma nova ordem de coisas para os
céus e a Terra no Milênio (Is 65:17, 66:22). A nota de rodapé em Isaías 66:22 da
Tradução de JND afirma: “A conjunção ‘e’
dá a divisão dos assuntos muito distintamente aqui” (“os novos céus e a nova Terra” – ARA).
1) “Sião”
– Isto é Jerusalém terrena sob a influência da graça de Deus, quando o Senhor Se
levanta para restaurar e abençoar o remanescente crente de Israel. O Salmo 132:13-14
diz que o Senhor escolheu Sião como Seu lugar de descanso na Terra. Naquele
vindouro dia milenar, Ele habitará ali e será o centro administrativo da Terra
(Sl 48:1-3; Jr 3:17; Ez 48:35; Sf 3:5). Será também o centro para o ensino
moral e espiritual (Is 2:1-3; Mq. 4:1-2) e o centro de adoração para todas as
nações (Sl 99:1-9; Is 56:7; Zc 14:16).
2) “A cidade
do Deus vivo, a Jerusalém celestial” – Isso nos leva ao lado celestial das
coisas. É a cidade onde os santos celestiais dos tempos do Velho e do Novo
Testamentos irão habitar. Não é a
cidade que o apóstolo João descreve em Apocalipse 21:9–22:5, que chama de “nova Jerusalém” (Ap 3:12, 21:2, 10). A
Nova Jerusalém é um símbolo da Igreja em seu papel administrativo no mundo
vindouro. Esta cidade (“Jerusalém
celestial”) é aquela que Abraão procurava “cujo Arquiteto e Edificador é Deus” (Hb 11:10 – TB). W. Scott
disse: “Rogamos a cuidadosa atenção do leitor à distinção entre a ‘nova Jerusalém’ do Apocalipse, que é a
Igreja glorificada, e a ‘Jerusalém celestial’
de que fala Paulo (Hb 12:22). Esta última, ao contrário da primeira, não se
refere às pessoas, mas é a cidade do Deus vivo, uma cidade real, a localização
de todos os santos celestiais. É a
mesma [cidade] que é referida no capítulo anterior, para a qual os santos e
patriarcas olhavam (Hb 11:10-16)” (Exposition
of the Revelation of Jesus Christ, pág. 421). Concernente à Jerusalém
celestial, W. Kelly comenta: “Agora deixamos a Terra para trás e pela fé
contemplamos a cidade para a qual Abraão olhou, como Deus a preparou para
peregrinos e estrangeiros na Terra, a cidade que tem os fundamentos, cujo Arquiteto
e Edificador é Deus. É o trono da glória nos lugares celestiais para os santos
sofredores com Cristo, que também serão glorificados juntos” (The Epistle to the Hebrews, pág. 249).
3) “Miríades de anjos, à universal assembleia” (AIBB) – Isto se refere
à “reunião (recolhimento)” dos anjos, em cuja ocasião serão
colocados sob a ordenação administrativa dos santos celestiais que irão ser
glorificados. As escrituras indicam que o governo do “mundo vindouro” (o Milênio) estará nas mãos dos homens (Hb 2:5).
Atualmente, a Terra está sob a jurisdição dos anjos, que agem por Deus
diretamente na execução de Suas relações providenciais com os homens. Mas
depois que a presente dispensação da graça termina e a Igreja é chamada para o
céu, os anjos serão reunidos e dispensados de sua posição e função atuais.
Naquele momento, o governo da Terra será colocado nas mãos dos santos celestiais.
Os anjos ainda cumprirão os tratamentos providenciais de Deus na Terra, mas
nesse dia será por meio da ordem administrativa dos santos celestiais
glorificados, com a Igreja tendo um papel especial nela.
Isso é descrito em Apocalipse 4-5. Os “quatro seres viventes” representam
(simbolicamente) os atributos do poder providencial na execução do julgamento
na Terra. Estas não são criaturas reais, mas símbolos da capacidade infinita de Deus de governar a Terra
providencialmente. Eles são descritos como “um
leão” (poder), “um touro”
(firmeza), “um rosto como de homem”
(inteligência) e “uma águia voando”
(rapidez de execução). Em Apocalipse 4, essas criaturas vivas são vistas misturadas
com os anjos, e são ambos vistos como um só agindo por Deus em Seu governo na Terra.
Mas em Apocalipse 5, quando o Cordeiro pega o livro, “os quatro seres viventes” são vistos separados dos anjos e misturados
com os “anciãos” (homens redimidos
glorificados), e atuam como uma só companhia. Essa mudança indica que a
administração da Terra será transferida para as mãos de homens glorificados (Lc
19:16-19; Rm 8:17; 2 Tm 2:12; Hb 2:5; Ap 21:9-22:5).
4) “A igreja
dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” – Esta é a Igreja de Deus
em sua morada final nos céus. Pela maneira que a versão King James traduz este versículo,
pode-se facilmente concluir que “o
primogênito” (no singular como a KJV traduz) aqui é Cristo. Muitos
escritores de hinos cometeram esse erro. Cristo é certamente referido como o “Primogênito” na Escritura (Rm 8:29; Cl
1:15, 18; Hb 1:6; Ap 1:5), mas essa passagem não está se referindo a Ele. A
palavra em grego está no plural e indica uma companhia de “primogênitos”. Como mencionado acima, é a Igreja a qual Cristo
amou e deu a Si mesmo por ela (Mt 16.18; Ef 5:25-27). Aqueles que compõem a
Igreja são chamados de primogênitos porque têm um lugar de destaque acima das
outras pessoas abençoadas na família de Deus. (Na Escritura, “primogênito” significa aquele que é o
primeiro em posição, tendo a preeminência sobre todos os outros – Êx 4:22; Sl
87:27; Jr 31:9).
As epístolas de Paulo revelam as bênçãos especiais
que a Igreja tem e que os outros nascidos na família de Deus não possuem.
Somente eles têm a bênção da filiação em relação ao Pai (Rm 8:14-16; Gl 1:1-7;
Ef 1:4-5), e somente eles são membros do corpo de Cristo por meio da habitação
do Espírito Santo (1 Co 12:12-13; Ef 3:6). Esta companhia especial foi
escolhida pela graça soberana de Deus, não porque são melhores do que os outros
em Sua família, mas porque Deus Se propôs a mostrar “a glória da Sua graça” e “as
riquezas da Sua graça” diante de todos no mundo vindouro (Ef 1:6, 2:7). Ele
vai mostrar ao mundo o que a Sua graça pode fazer. Para demonstrar isso, tomou
os piores pecadores de entre os gentios, e por meio da redenção, colocou-os no
lugar mais alto possível de bênção e favor que Seu amor poderia prover! No dia
de manifestação que se aproxima (o Milênio), todo o mundo se surpreenderá com
uma graça tão maravilhosa, e louvará “a
glória da Sua graça” (Ef 1:6, 12, 14). (O escritor mencionou duas assembleias
nesta passagem: uma assembleia geral de anjos e a especialmente convocada assembleia
de crentes no Senhor Jesus Cristo – a Igreja de Deus).
5) “Deus, o Juiz
de todos” – Refere-se à glória judicial de Deus sendo publicamente manifestada
no Milênio. Naquele dia, Deus não somente será conhecido em graça, mas também
será conhecido em julgamento, pois “há
de julgar o mundo com justiça pelo Varão que para isto destinou” (At 17:31
– TB; Sl 72:1- 2, 99:4; Is 11:1-4, 32:1).
6) “Os
espíritos dos justos aperfeiçoados” – são os santos do Velho Testamento. O
fato de serem considerados “perfeitos”,
que é o resultado de estarem ressuscitados e glorificados, mostra que o
escritor está vendo as coisas como serão no Milênio. Esses santos também terão
um lugar celestial no reino (Dn 7:18, 22, 27 – JND).
7) “Jesus, o
Mediador de uma nova aliança” – Isso nos leva de volta à Terra; mostra
novamente que o escritor tem o Milênio em vista, pois a nova aliança não será
feita com Israel até então. O fato de que ele usa o nome humano “Jesus” do Senhor e não outros nomes
como Jeová etc., mostra que naquele dia Israel reconhecerá que aquele Homem
humilde que rejeitaram e crucificaram há muito tempo é o Messias deles. E, ao
fazê-lo, serão restaurados e desfrutarão das novas bênçãos da aliança (Jr 31:31-34).
8) “O sangue
da aspersão” – Refere-se ao sangue de Cristo. É a base para todas as
bênçãos no mundo vindouro – tanto no céu como na Terra. Ele menciona isso em
contraste com o sangue de Abel, que foi morto por seu irmão (Gn 4). O sangue de
Abel foi aspergido sobre a terra e clamou em voz alta a Deus para que o
julgamento fosse executado contra o ofensor – Caim. Em contraste, o sangue de
Cristo foi aspergido (simbolicamente) no “propiciatório”
acima (Rm 3:25), e em vez de clamar por vingança, clama por perdão para aqueles
que o derramaram! As implicações aqui são novamente óbvias. Como Caim, que era
culpado de matar seu irmão, os judeus são culpados de matar Cristo (At 3:14-15).
Mas mesmo que O tenham matado, Deus há muito tempo concebeu uma maneira de
perdoar a nação culpada pelo próprio sangue que eles derramaram! (1 Jo 1:7)
Assim, os judeus podem ter, como nação, seus pecados “apagados” se simplesmente se “arrependerem”
e se “converterem” (At 3:19), o que
muitos farão em um dia vindouro.
Ao descrever essas oito
coisas, o escritor nos levou até uma montanha (por assim dizer), da Terra aos
céus e de volta à Terra novamente. “Deus,
o juiz de todos”, é o ápice.
Seu ponto em apresentar
esta imagem vívida dos dois sistemas lado a lado é que se qualquer judeu que, tendo
tomado o terreno Cristão, estivesse realmente pensando em retornar ao judaísmo,
precisava ponderar o que estaria desistindo sob a graça de Deus, e também para o
que estaria voltando sob o domínio da lei. Se essas coisas fossem entendidas
corretamente, qualquer desejo que alguém pudesse ter de retornar ao judaísmo
certamente seria abandonado. O Sinai
nos confronta com mandamentos legais, julgamento e condenação. Sião, por outro lado, apresenta-nos a
graça que assegurou bênçãos celestiais e terrenas para todos os que creem, o
que distancia muito de tudo o que Israel já teve sob o primeiro concerto. A
decisão sobre em qual destes alguém gostaria de viver deve ser simples e
direta.
[1]
N. do T.: É de vital importância perceber a grande diferença entre os termos “nascido de Deus” (“uihos” em grego) e “filho de
Deus” (“teknon”), como revelados
no Novo Testamento, pois nos capacita a desfrutar de que não apenas somos nascidos na família de Deus pelo
Seu ato soberano ao nos conceder vida divina – a qual todos em Sua família têm
– mas quão distinguidos Deus
nos quis tornar em Sua família ao nos trazer à posição de “filhos de Deus”, na própria aceitação que Cristo mesmo tem diante
de Deus. Nessa posição temos relacionamento, entendimento e comunhão que nenhum
outro “nascido de Deus” desfruta. A
expressão “Abba Pai” foi apenas
revelada no Novo Testamento e somente pronunciada pelos “filhos de Deus”, pois receberam o “espírito de adoção” (Rm 8:15; Gl 4:6).
QUINTA ADVERTÊNCIA CONTRA A APOSTASIA - Capítulo 12:16-27
O Perigo de Não Ouvir a Voz de Deus Vinda do Céu
Vs. 16-27 – O escritor
faz uma digressão pela última vez para advertir novamente contra a apostasia.
Desta vez, é em conexão com a recusa em ouvir a voz de Deus vinda do céu.
Ele
falou do “manco”, agora ele se vira
para falar do “profano”. Esta é uma
classe diferente de pessoas. Como já mencionamos, um que é manco é um crente
espiritualmente fraco cujo andar é prejudicado de alguma forma, enquanto uma
pessoa profana é um crente meramente professo que finalmente acabará apostatando.
Ele mostra aqui que um apóstata geralmente será conhecido por imoralidade e/ou
profanação em sua vida. Menciona Esaú como exemplo de um profano. Não é dito
que Esaú era um fornicador, mas diz que era uma pessoa profana. J. Flanigan
disse: “Não é nem implícito nem provado aqui que Esaú era um fornicador” (What the Bible Teaches, Hebrews, pág.
265). W. Kelly disse: “Pode se apresentar de várias formas e aqui especificamos
impureza carnal e profanidade, ambas intoleráveis onde Deus está e é conhecido.
Do último mal (profanação) Esaú é o exemplo, que por uma refeição vendeu seu
direito de primogenitura” (The Epistle to
the Hebrews, págs. 245-246).
Profanidade é tratar
coisas divinas e sagradas como se fossem comuns. Esaú provou sua profanidade
trocando seu direito de primogenitura por uma refeição comum! (Gn 25:29-34)
Estava disposto a trocar sua bênção em troca de um momento de gratificação!
Isso nos mostra o que achava de seu direito de primogenitura. O escritor então
diz: “Porque bem sabeis que, querendo
ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de
arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou”.
A palavra “depois” neste versículo
refere-se a um tempo depois na vida de Esaú, quando seu pai Isaque era um homem
velho e queria abençoar seus filhos antes de morrer. Como sabemos, seu irmão
Jacó entrou e enganou seu pai e roubou-lhe a bênção (Gn 27). Quando Esaú
percebeu o que havia sido feito, tentou, mas não conseguiu encontrar uma
maneira de provocar “arrependimento”
– isto é, uma mudança de ideia (que é o significado de arrependimento) no que
seu pai havia pronunciado a respeito da bênção. Mesmo que Esaú “com lágrimas, o buscou”, não podia
reverter o resultado; a bênção tinha sido invocada sobre seu irmão Jacó (Gn
27:38). Suas lágrimas eram por ter perdido a bênção; não eram porque era um
homem arrependido em relação à sua vida pecaminosa. Ele chorou, não porque era
um pecador, mas porque era um perdedor. W. Kelly disse: “Não foi arrependimento
que Esaú buscou fervorosamente com lágrimas, mas a bênção que seu pai havia desejado
erradamente conceder” (The Epistle to the
Hebrews, pág. 246).
As implicações aqui são
óbvias. Se os crentes meramente professos entre os hebreus cedessem à tentação
de obter alívio momentâneo do sofrimento que estavam experimentando, voltando
ao judaísmo, perderiam privilégios que jamais receberiam de volta – mesmo que
fossem buscá-los com lágrimas! Isto, como o escritor ensinou várias vezes na
epístola, é porque é impossível renovar ao arrependimento um apóstata que
retorna nesse caminho. Se apostatassem, se tornariam perdedores como Esaú.
Encorajamento para Prosseguir no Caminho de Fé
Vs. 12-15 – Com Cristo
diante de nossas almas (vs. 1-4) e Deus trabalhando para o nosso bem nos bastidores
de tudo o que ocorre em nossas vidas (vs. 5-11), o escritor continua a dar
alguns simples incentivos para acompanhar as observações anteriores. Ele diz: “Portanto, levantai as mãos cansadas e os
joelhos vacilantes” (AIBB). As mãos cansadas e os joelhos vacilantes são
uma descrição de alguém desencorajado. Este era evidentemente o estado de
alguns dos santos hebreus naquele tempo. Seu remédio é simples; levante as mãos
que estão cansadas. Levantando “mãos”
(figurativamente falando) tem a ver com a oração (1 Tm 2:8). “Joelhos” também estão associados com a
oração (At 9:40, 20:36, 21:5; Ef 3:14). Por isso, ele os encoraja a orar. Tiago
fala da mesma forma: “Está alguém entre
vós aflito? Ore” (Tg 5:13). Entrar na presença de Deus dessa maneira
revitaliza nosso poder espiritual e nos ajuda a vencer o desencorajamento. Em
Sua presença, recarregamos nossas baterias espirituais e obtemos energia
renovada para continuar no caminho.
V. 13 – Então ele diz: “e fazei veredas direitas para os vossos
pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado”.
Isso mostra que, em momentos de desencorajamento, precisamos ter um cuidado
especial com o que fazemos e para onde vamos, porque, se nossos pés vagarem,
mesmo que seja um pouquinho, nosso mau exemplo pode levar outros a tropeçar.
Assim, precisamos manter nossos pés no caminho mais agora do que nunca. Não
podemos fazer “veredas direitas”
para os pés de outras pessoas, mas podemos cuidar aonde nossos pés vão e,
assim, ter cuidado para não desencorajar os outros. Evidentemente, havia alguns
entre esses crentes hebreus que estavam claramente tendo dificuldades em sua
caminhada, a quem denomina de coxo (“o
que manqueja”, figurativamente falando). Estes eram especialmente
vulneráveis. Seu desejo por eles era que não saíssem do caminho, mas, em vez
disso, fossem sarados. Se os mais fortes andassem em um caminho reto, após o
Senhor Jesus, seriam um encorajamento para os mais fracos, e talvez pudessem
conduzi-los à cura.
V. 14 – Deveriam seguir
“a paz com todos e a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor” (v. 14). Isso, novamente, é santificação
prática. O contexto do capítulo 12 indica que, na maneira como fala disso aqui,
ver o Senhor é com os olhos da fé, como mencionado no versículo 2. (Veja também
o capítulo 2:9). Portanto, se não tivermos o cuidado de seguir santidade prática
em nossas vidas, perderemos a visão de Cristo no alto e certamente nos desviaremos
em nossas almas. A santificação prática é uma das três coisas indispensáveis
mencionadas na epístola. Elas são:
- Sem
“sangue” não há remissão de pecados
(cap. 9:22).
- Sem
“fé” é impossível agradar a Deus
(cap. 11:6).
- Sem “santificação” nenhum homem verá o Senhor (cap. 12:14).
Nota: “paz” e “santidade” são encontradas juntas no versículo 12. Se estiverem
separadas, será uma paz falsa, porque não podemos (corretamente) ter paz à
custa da santidade.
V. 15 – Ele acrescenta:
“tendo cuidado de que ninguém se prive
da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e
por ela muitos se contaminem”. Isso mostra que se perdermos o gozo das
coisas que a graça de Deus nos trouxe, e entrarmos em mau estado de alma,
provavelmente iremos causar problemas, espalhando nossa infelicidade entre
nossos irmãos. Uma “raiz de amargura”
é alguma queixa ou insatisfação que cresce subterraneamente (por assim dizer)
na alma de uma pessoa. Mas depois de algum tempo, vem à tona e afeta os outros.
Uma pessoa que é amarga desta maneira geralmente irá procurar por aqueles que
são de um espírito semelhante, e derramará suas queixas sobre eles. O resultado
é que “muitos” são contaminados.
Judas Iscariotes é um exemplo disso. Sua queixa de Maria ungir o Senhor com meio
quilo de nardo (por achar que era um desperdício) foi uma raiz de amargura que
afetou os outros apóstolos, que se deixaram levar por isso, criticando-a também
(Jo 12:3-8). Assim sendo, o escritor aconselha os crentes hebreus a observarem
diligentemente contra tal coisa brotando no meio deles e tomando cuidado para
não se deixarem influenciar por ela.
Três Coisas Necessárias para Tirar Proveito das Provações
Vs. 6-11 – O escritor
passa a tocar em três coisas que são
necessárias para tirarmos “proveito”
de nossas provações. Em primeiro lugar,
precisamos entender que o amor divino está por trás de tudo que entra em nossas
vidas. Por isso, ele diz: “porque o
Senhor corrige o que ama” (v. 6). Nunca nos esqueçamos de que a mão que
segura a vara de correção tem a marca do prego que a traspassou! Podemos não
entender o porquê e o para quê do que está acontecendo em nossa vida, mas
podemos ter certeza de que a mão que castiga é movida por um coração que ama.
Verdadeiramente Deus tem o nosso bem em vista em tudo o que Ele permite em
nossas vidas, pois “o caminho de Deus é
perfeito” (Sl 18:30). Podemos ter certeza, portanto, de que Ele não cometeu
um erro naquilo que permitiu que acontecesse conosco. Sem essa confiança em
Deus, é improvável que tiremos qualquer proveito de nossas provações.
Em
segundo lugar, ele diz que precisamos estar em
sujeição “ao Pai dos espíritos” (v.
9). Isso se refere a um espírito de submissão que se curva sob a poderosa mão
que tem “ordenado” a provação em
nossa vida (Jó 23:14). É uma disposição da nossa parte que permite que Ele faça
a Sua obra em nós, como argila na mão de um oleiro. Ter um espírito submisso é
nossa maneira de reconhecer que Sua sabedoria e Seus caminhos conosco são
corretos e bons, e que aceitamos que Ele sabe o que é melhor para nós. Lutar
contra uma provação manifesta um espírito não julgado que não se beneficia da
provação. Nota: Ele é chamado de “o Pai
dos espíritos”. Isso significa que é o Divino Instrutor de nossos espíritos
e, como tal, está buscando formar um espírito correto em nós. Isso mostra que
não está apenas interessado no que fazemos, no que diz respeito ao certo ou ao
errado; Ele também está interessado em nossa atitude. Isso é o que vemos em
Daniel – ele tinha “um excelente
espírito” (Dn 5:12, 6:3).
Em
terceiro lugar, precisamos ser “exercitados” sobre o que acontece em nossa vida. Quando uma provação
vem em nossa direção, não devemos dizer: “Como
posso me tirar disso?” Mas sim: “O
que posso tirar disso?”. Em tempos de provações, precisamos examinar nossos
corações e rever nossas vidas, pedindo ao Senhor que nos mostre o que Ele está
tentando nos ensinar (v. 11). Eliú encorajou Jó a fazer isso em sua provação. Suplicou-lhe
que dissesse ao Senhor: “o que não vejo,
ensina-mo Tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?” (Jó
34:32). Se o Senhor nos mostra algo em nossas vidas que é inconsistente com a
Sua santidade, devemos julgar isso e continuar (1 Co 11:31). Desta forma, nos
tornamos “participantes da Sua santidade”
(v. 10).
As Ações Corretivas de Deus
V.
6 – Deus usa tanto castigo quanto açoite em Seu treinamento divino. Estas
são coisas ligeiramente diferentes. O castigo
é uma correção relacionada à remoção de falhas de caráter que podemos ter; não
tem a ver com nenhum pecado em particular em nossa vida. O açoite, por outro lado, é uma correção ligada a pecados evidentes
com os quais podemos estar seguindo nossa própria vontade. É um julgamento
governamental direto que Deus designa para nos levar ao arrependimento, que, se
alcançado, pode ser suspenso. (Ver Collected
Writings de J. N. Darby, vol. 26, págs. 261-262).
Duas Maneiras de Não Reagir
V.
5 – Ele começa falando de duas maneiras pelas quais não devemos reagir quando uma provação entra em nossas vidas, pois
se reagirmos erroneamente, não nos beneficiaremos dela. Em primeiro lugar temos: “não
desprezes” (v. 5a). Isso se refere a menosprezar a dificuldade e reputá-la
como sendo nada. Podemos dar de ombros ao julgamento e dizer: “Isso acontece
com muitas pessoas; não é grande coisa”, mas ao fazer isso, perderemos o que
Deus tem para nós. Então, em segundo
lugar temos: “não desmaies” sob ela (v. 5b). Isso se
refere a ficar abatido e de coração carregado e, consequentemente, desistir.
Essa reação muitas vezes resultará em reclamações, o que, em essência, está
questionando a sabedoria dos caminhos de Deus conosco – e isso nunca é uma
coisa boa.
As Disciplinas de um Pai Amoroso
Vs. 5-11 – Os outros
meios que Deus usa para manter nossos pés no caminho são as provações que
encontramos na vida. As provações da vida são usadas por Ele para produzir um duplo
efeito em nós; ambos têm em vista a glória de Deus e nossa bênção.
De um lado, Deus toma
as provações da vida, e com maravilhosa sabedoria, amor e habilidade, as tece
em Seu treinamento de nossos espíritos. Foi dito acertadamente que Deus tem
mais a fazer em nós do que por meio de nós (em serviço). Ele usa as
provações e as dificuldades para trazer à luz certos aspectos da carne que
podem estar operando em nós dos quais não temos consciência. Assim, nos é dada
a oportunidade de julgar essas coisas e, como resultado, tornar-nos “participantes da Sua santidade” (v.
10). Do outro lado, Deus usa as mesmas provações para nos conformar à imagem de
Seu Filho (Rm 8:29). No ardor das provações, Ele produz semelhança de Cristo em
nós. Assim, as características morais de Cristo – compaixão, ternura, mansidão,
humildade, etc. – são formadas em nós.
Deus propôs-Se a encher
o céu com pessoas que são exatamente como o Seu Filho, e assim este trabalho de
conformidade moral é necessário. Como o escultor, a quem, na inauguração de uma
das suas obras (uma estátua de um leão), foi perguntado como produziu uma obra
de arte tão magnífica; ao que respondeu: “Eu apenas desbastei tudo o que não se
parecia com um leão!” Similarmente, Deus está trabalhando em cada um de Seus
filhos com a imagem de Seu Filho diante de Seus olhos, e está desbastando tudo
o que neles não se assemelha a Seu Filho. Assim, os sofrimentos e as provações
por que passamos no caminho estão sendo usados por Ele para remover as arestas
e, às vezes, isso pode ser doloroso. Entretanto, se o produto acabado é que
somos tornados mais semelhantes a Cristo, então esses sofrimentos que são “por um pouco”, valem a pena (1 Pe 5:10
– ARA).
O lado das coisas que
está particularmente diante de nós neste capítulo é o primeiro – a remoção de
coisas carnais em nossos espíritos e em nossos caminhos, por meio da qual, na
prática, nos tornamos mais santos. Os que ensinam sobre a Bíblia chamam isto de
“Santificação Prática ou Progressiva”. Precisamos ter em mente que estamos na
escola de Deus e, como tal, estamos sob Seu treinamento divino – assim como um
pai amoroso treina seu filho (Jó 36:22). Seu objetivo conosco é nos tornar
companheiros adequados para o Seu Filho. Ele nos ama tanto que não nos deixará
no estado moral do início quando nos salvou. Assim, Sua escola tem muito a ver
com efetuar mudanças morais nos crentes. Além disso, Deus quer que nós
participemos com Ele nesta obra. Se estivermos dispostos a cooperar e formos
exercitados sobre nosso andar e caminhos, o processo será bem-sucedido.
Assim
sendo, o escritor explica o propósito divino por trás desta obra. Ele diz: “E já vos esquecestes da exortação que
argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor,
e não desmaies quando por Ele fores repreendido; porque o
Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Se
suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o
pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos
participantes, sois, então, bastardos e não filhos. Além do que, tivemos nossos
pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos
sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na
verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas Este,
para nosso proveito, para sermos participantes da Sua santidade. E, na verdade,
toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas,
depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (vs.
5-11). Assim, vemos que Deus está buscando produzir “o fruto pacífico da justiça (prática)” em nós.
Correr a Carreira com Perseverança
V. 1 – A exortação
neste capítulo é “corramos, com
paciência [perseverança – AIBB], a carreira que nos está proposta”.
Assim, o caminho de fé é visto como uma “carreira
[corrida – JND]” que devemos “correr com perseverança”. Correr implica energia espiritual e perseverança
implica resistência. Estes são dois elementos necessários para uma corrida bem-sucedida.
Se somos crentes no Senhor Jesus Cristo, estamos na corrida. No entanto, todos
os que estão na corrida podem não estar correndo, devido à falta de energia e
perseverança. Assim, todo Cristão precisa entender desde o início que o caminho
de fé não é uma corrida de arrancada, mas uma corrida de longa distância que se
prolonga pela duração de nossas vidas.
O escritor começa
lembrando os crentes hebreus que eles estavam cercados por “uma grande nuvem de testemunhas”. Esses são os santos do Velho Testamento
mencionados no capítulo 11. Eles não são testemunhas no sentido de
espectadores. Ou seja, não estão no céu olhando para nós, observando o que
estamos fazendo. Os santos que morreram e foram para o céu ainda não foram
glorificados. Estão lá em suas almas e espíritos, mas não em seus corpos, os quais aguardam a ressurreição. Por isso, não
veem o que está acontecendo na Terra (Jó 14:21; Ec 9:5). Os santos do Velho
Testamento são testemunhas no sentido de que registram o fato de que uma pessoa
pode viver com sucesso por fé na Terra com a aprovação de Deus. Estas
testemunhas estão lá para nos encorajar pelo seu exemplo. Eles andaram no
caminho de fé antes de nós e alcançaram o objetivo. Enfrentaram todos os tipos
de oposição no caminho e por fé superaram esses obstáculos. Assim, elas são a
prova de que o caminho de fé pode ser conduzido para a glória de Deus.
Como existem muitos
obstáculos para a corrida, nos é dito para que “deixemos” tudo o que impede nosso progresso. Os dois principais
obstáculos que o escritor menciona são: embaraços
(impedimentos – TB) e pecados. Estes
devem ser eliminados se quisermos correr a corrida com sucesso. Da mesma forma,
quando um corredor se prepara para uma corrida a pé, ele se desfaz de tudo que
é supérfluo que irá impedi-lo. Precisamos fazer o mesmo nesta corrida
espiritual.
Um “embaraço” é algo que não é moralmente errado em si mesmo, mas, ainda
assim, nos atrasa na corrida. O embaraço específico que o escritor
provavelmente tinha em mente aqui é a armadilha da religião terrena no
judaísmo. Mas poderia ser qualquer busca terrena que cativa a atenção de nosso
coração e demanda nosso tempo e energia. Mesmo que tal coisa não seja
pecaminosa, ela tende a nos distrair de Cristo em glória e trazer nossos
pensamentos e mentes para a Terra. Seja o que for, precisa ser deixado de lado.
Da mesma forma, um corredor não entra em uma corrida a pé com um pesado par de
botas e uma mochila nas costas. Não é porque essas coisas são contra as regras
da corrida, mas porque vão ser um embaraço a mais que irá atrapalhá-lo. Nota:
remover embaraços em nossas vidas é algo que Deus não faz; é algo que Ele quer
que nós mesmos façamos.
Podemos acrescentar que
a exortação aqui é deixar de lado “todo”
o embaraço, porque pode haver uma série de coisas em nossas vidas que nos
sobrecarregam. Nossa tendência é poupar o objeto que nos é mais querido e
deixar de lado qualquer outra coisa, e depois nos contentar em ter feito a
vontade de Deus. Mas geralmente é a coisa mais querida para nós que é o embaraço
maior em nossa vida e o que precisa ser tratado acima de tudo. Este exercício
nos desafia e revela onde realmente estão nossas afeições. Visto que nossos
corações são enganosos (Jr 17: 9), podemos sequer perceber que há um peso em
nossa vida. Da mesma forma, uma pessoa pode não sentir um peso quando está
sentada, mas quando se levanta e começa a correr fica evidente. Assim, a
maneira mais simples de descobrir um peso em nossa vida é correr – para colocar
energia em seguir a Cristo seriamente. Tem sido sugerido que existem três sinais indicadores que revelam a
presença de um embaraço em nossa vida:
- Nós
estamos inquietos sobre tal coisa e falta paz em relação a ela.
- Nós
nos encontramos defendendo tal coisa e argumentando a favor dela quando surge em
nossa conversa.
- Nós buscamos pessoas – particularmente os mais velhos, os chamados irmãos “espirituais” – esperando que nos digam que tal coisa não é errada.
O escritor também
menciona que “pecado” deve ser posto
de lado. O “pecado que tão de perto nos
rodeia”, do qual ele fala aqui, não é um certo pecado constante que podemos
ter, que com frequência nos derrota, mas o princípio do pecado (que é a
iniquidade ou fazer a nossa vontade) em ação em nossa vida. Nada nos
atrapalhará mais rapidamente do que a vontade própria; esta vontade deve ser
julgada. O grande pecado na epístola aos Hebreus é a “incredulidade”, que se não for julgado por uma pessoa que é um
mero professo, a levará à apostasia (Hb 3:12).
V. 2 – Para superar
esses obstáculos e ter a energia necessária para conduzir a corrida com
perseverança, o escritor nos aponta para Cristo em glória como o Objeto de
nossa fé. Colocar de lado os embaraços e pecados não é suficiente para garantir
o sucesso no caminho de fé. Embora tais exercícios sejam necessários, são coisas
negativas que não sustentam o crente no caminho. A fé deve ter um objeto a ser buscado.
Assim, o escritor diz: “Olhando para
Jesus”. A nota de rodapé da Tradução JND diz: “Isto significa, desviar o
olhar de outras coisas e fixar os olhos exclusivamente em Um”. Olhando para
Cristo onde Ele está no alto preenche o coração com coisas que pertencem àquela
esfera. Isto, por sua vez, age como um poder positivo em nossas vidas e nos estimula
a buscar essas coisas, ao invés do que é meramente terrestre. Assim, enquanto
os santos do Velho Testamento são um encorajamento para nós no caminho de fé,
eles não são o nosso objetivo. Nota: ele não diz: “Olhe para as testemunhas”.
Nós as temos como exemplos atrás de nós, mas Cristo é o Objeto que Deus coloca
diante de nós para Quem devemos olhar. Nisto, temos uma vantagem distinta sobre
os santos do Velho Testamento. Eles não tinham Cristo no alto como um objeto,
como nós temos. Ele ainda não havia vindo em Seus dias e, portanto, não estava assentado
à direita de Deus para que olhassem e O buscassem em fé.
Quanto a Cristo ser
nosso Exemplo, Ele andou no caminho de fé perfeitamente, desde o início até o
fim de Sua vida, e assim é verdadeiramente “o
Autor e Consumador da fé”. O que O motivou no caminho foi “gozo que Lhe estava proposto”. Seu gozo
era duplo: em primeiro lugar, era Seu
gozo fazer a vontade de Deus para a glória de Deus (Sl 40:8; Jo 4:34). Isso Ele
fez com perfeição. Como resultado, e como uma marca de Sua aprovação, Deus O
ressuscitou dentre os mortos e O colocou à Sua própria mão direita (Sl 110:1;
Fp 2:9-11). Em segundo lugar, o
Senhor olhou para o momento em que Ele estaria unido à Igreja (Seu corpo e noiva),
pela qual Ele Se entregou na morte (Ef 5:25-27), e isso também encheu Seu
coração de gozo. Essa perspectiva O sustentou no caminho e permitiu que Ele
suportasse “a cruz” e desprezasse a “afronta”. É improvável que o escritor
estivesse se referindo à obra de Cristo na cruz para fazer expiação, porque O
coloca diante de nós como nosso Exemplo, e certamente não podemos segui-Lo ao
fazer expiação. Sua morte na cruz aqui está mais em conexão com Ele sendo o
justo Mártir. Nisso Ele é o Exemplo de perseverança. Ele perseverou em
obediência a Deus apesar de toda oposição e completou Seu percurso e agora “assentou-Se à destra do trono de Deus”.
Vs. 3-4 – O escritor
diz: “Considerai, pois, aqu’Ele que
suportou tais contradições dos pecadores contra Si mesmo, para que não
enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Ainda não resististes até ao sangue,
combatendo contra o pecado”. Ele queria que contemplássemos as
circunstâncias extremamente difíceis que o Senhor suportou nas mãos dos
pecadores. Ele foi ao limite em fazer a vontade de Deus. Ele “resistiu até ao sangue”. Isto é, Se recusou
a abandonar a vontade de Deus, e isso Lhe custou a vida! Ele preferiria morrer
a desobedecer! Que Modelo é para nós!
Os crentes hebreus
deviam “considerar” aqu’Ele que
tanto suportou, porque ainda não tinham sido chamados para ir tão longe. Da
mesma forma, seguindo o exemplo do Senhor, devemos viver e servir a Deus com o
pensamento de agradá-Lo (Hb 13:21) e, um dia, ouvir o Senhor dizer: “Muito bem, servo bom e fiel ... entra no gozo do teu Senhor” (Mt
25:21). Precisamos ter esse tipo de compromisso com a vontade de Deus, mesmo
que isso signifique que nossa vida termine em martírio.
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