Vs. 1-7 – O escritor
diz: “ORA também o primeiro (concerto) tinha ordenanças de culto divino, e um
santuário terrestre. Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que
havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o
santuário [o Santo lugar – TB]. Mas depois do segundo véu estava o
tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, Que tinha o incensário de ouro, e
a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor: em que estava um vaso de
ouro, que continha o maná, e a vara de Aarão, que tinha florescido, e as tábuas
do concerto; E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no
propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente. Ora,
estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no
primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços; Mas no segundo só o sumo
sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas
culpas [pelos pecados de ignorância
– ARA] do povo”. Os primeiros cinco
versículos do capítulo 9 são uma breve visão geral do santuário terrestre. Em
seguida, nos vs. 6-7, o escritor descreve os principais “serviços” realizados pelos sacerdotes nesse sistema – particularmente
o que acontecia no Dia da Expiação.
O modelo a que se
refere é o tabernáculo no deserto, não o templo que Salomão construiu na terra
de Canaã. Isto é evidente pelo fato de que menciona “um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Aarão, que tinha
florescido” estando na arca, ao passo que quando a arca foi colocada no
templo essas duas coisas foram removidas (2 Cr 5:10). Usar o modelo do
tabernáculo no deserto para ensinar seu ponto está de acordo com o contexto da
epístola, sendo que é um livro do deserto onde o Cristão é visto em uma
peregrinação espiritual ao céu.
O escritor menciona dez
coisas que marcaram esse sistema terrestre: três no “Santo Lugar” (ARA) (o Santuário) e sete no “Santo dos Santos” (a parte mais interna do tabernáculo onde estava
a presença de Deus). Algo que se destaca é que o altar de incenso não é mencionado aqui, mas sim o “incensário de ouro”, que os sacerdotes
usavam naquele altar! Além disso, fala do incensário como estando no Santo dos
Santos! Isso é interessante e instrutivo. Isso mostra que ele entendeu que o
local apropriado de adoração (que o altar de incenso e o incensário de ouro
representam) é na presença imediata de Deus – algo desconhecido no judaísmo,
mas o privilégio do crente no Cristianismo. Isso indica que não é intenção de
Deus que Seus redimidos O adorem à distância, fora do véu (Hb 10:19). O pátio
(átrio) do tabernáculo (Êx 27:9-21) não é mencionado aqui porque o assunto em
Hebreus é a aproximação do crente a Deus no interior
do santuário. O pátio tem a ver com o testemunho do crente perante o mundo exterior.
O escritor observa que
os sacrifícios oferecidos naquele dia cobriam apenas “pecados de ignorância” – ARA (v. 7; Lv 4:2; Nm 15:22-29) – que as
versões King James e Almeida da Imprensa Bíblica do Brasil traduzem como “erros” das pessoas. O sistema legal
não oferecia remédio para uma pessoa que cometesse “alguma coisa atrevidamente [à
mão levantada – ARC]” (Nm 15:30-36
– ARA; Sl 19:13). Este fato é outra prova da fraqueza desse sistema. Na melhor
das hipóteses, esses sacrifícios só podiam cobrir certos pecados – e esses eram
apenas por um ano de cada vez, por meio dos rituais no Dia da Expiação e da “tolerância de Deus – TB” (Rm 3:25). Esses sacrifícios não
podiam “tirar” os pecados de diante
de Deus (Hb 10:3-4), como fez o único sacrifício de Cristo (Hb 9:26; 10:12-17).