Nos versículos 8-13, o
escritor citou os termos do novo concerto na íntegra. É uma citação de Jeremias
31:31-34. Começa com: “Eis que virão
dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de
Judá um novo concerto” (v. 8 – AIBB). Isso é significativo. O Senhor afirma
claramente que o concerto será feito “com”
Israel e “com” Judá. Em nenhum lugar
nas Escrituras o Senhor diz que o novo concerto será feito com a Igreja, no
entanto este tem sido um erro comum entre os Cristãos por séculos. É um erro
antigo da Teologia Reformada (do Pacto).
O fato de que o novo concerto
é chamado de “novo” mostra que será
feito com aqueles que tiveram o “velho”
concerto (Israel). Da mesma forma, você não falaria em fazer um acordo “novo” com alguém com quem nunca teve
relações anteriores. Você não diria a ele: “Vamos fazer um novo acordo”. Isso só seria dito a alguém com quem você já tinha um
acordo e estava propondo um novo contrato para substituir o velho. Da mesma
forma, a Igreja nunca esteve sob o velho concerto. Ela não existia quando o velho
concerto foi feito; começou no dia de Pentecostes (At 2). Então, o Senhor não
está falando em fazer um novo concerto
com a Igreja.
Além disso, o novo concerto
com Israel ainda não foi feito; é uma coisa futura. O contexto de Jeremias 31
mostra isso. Os termos e bênçãos do concerto são apresentados no final do
capítulo e entrarão em vigor após o
remanescente de Israel se arrepender e ser restaurado ao Senhor. Isso ainda não
aconteceu.
É argumentado, por
aqueles que pensam que o novo concerto é feito com os Cristãos, que uma vez que
o beber do cálice na Ceia do Senhor simboliza a comunhão com o sangue de Cristo
e é chamado de “o novo concerto no Meu
sangue” (1 Cor 11:25), concluem que o concerto foi feito com os Cristãos.
Eles raciocinam: “Por que o Senhor pediria aos Cristãos que tivessem comunhão
com algo que não era para eles?” Como uma prova adicional, apontarão para a
afirmação de Paulo de que ele e seus cooperadores são “ministros dum novo concerto” (2 Co 3:6). Esses servos do Senhor
eram Cristãos! Em suas mentes, essas coisas provam que o novo concerto foi
realmente feito com os Cristãos.
No entanto, um exame
mais detalhado em Mateus 26:28 e 1 Coríntios 11:25 mostra que a ênfase na Ceia
do Senhor está em nossa comunhão com o “sangue”,
não no “novo concerto”. O novo concerto
será feito com Israel e desfrutado por eles em um dia futuro, mas os benefícios
que o sangue alcançou são desfrutados agora pelos Cristãos, sem estarmos sob o concerto.
Pode ser perguntado: “Por que mencionar o concerto na Ceia se não tem, de
maneira alguma, aplicação aos Cristãos?” A resposta é porque foi instituído na
Páscoa, que é distintamente judaica.
Quanto a 2 Coríntios 3:6,
é verdade que Paulo se chamava a si mesmo e àqueles que trabalhavam com ele, “ministros do novo concerto”. Mas deve
notar-se que ele rapidamente qualifica o que está dizendo, acrescentando: “Não de letra, mas de espírito” (JND). A
“letra” do novo concerto refere-se
ao cumprimento literal de suas condições num dia que se aproxima, quando um
remanescente de Israel será salvo e será trazido para o reino (Rm 11:26-27).
Aplicá-lo em “letra” à Igreja é
dizer que tal foi feito com ela, o que não é verdade. Paulo ministrou o “espírito” do novo concerto, que é
graça. Ele ensinou aos Cristãos que as bênçãos espirituais do concerto eram
deles por meio da graça, mesmo que não estivessem formalmente conectados ao concerto
– e isso é assim por causa do poder do sangue. H. Smith disse: “Se a letra do novo concerto está confinada a
Israel, o espírito dele pode ser
aplicado aos Cristãos” (The Epistle to
the Hebrews, pág. 45). Em 2 Coríntios 3:6, Paulo vai mais longe e diz: “Pois a letra mata”. Isto é, se ele (ou
nós) aplicasse o novo concerto à Igreja segundo a letra, isso destruiria o
caráter celestial do chamamento Cristão e destruiria a distinção entre Israel e
a Igreja.
Assim, os Cristãos
foram abençoados nos princípios do novo concerto, sem formalmente estar sob ele.
O evangelho que pregamos no Cristianismo não é o novo concerto, mas é a nova
ordem do concerto, que é graça. As três grandes bênçãos espirituais do novo concerto são:
- A
posse da vida divina por meio do novo
nascimento (v. 10).
- Um
inteligente relacionamento com o Senhor
(v. 11).
- O conhecimento de pecados perdoados (v. 12).
Essas novas bênçãos do concerto
são as mais elementares bênçãos espirituais que os crentes têm. Elas serão a
porção de todos os nascidos de Deus.
No entanto, em Romanos, Colossenses e Efésios, Paulo revela a plenitude de
nossas bênçãos que são distintamente Cristãs.
O alcance dessas bênçãos é muito mais elevado em caráter e essência do que o
que Israel terá sob o novo concerto, e tudo isso é dito como sendo “em Cristo” à destra de Deus.
V. 13 – O escritor
conclui: “Dizendo Novo Concerto,
envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está
de acabar”. Assim, o primeiro concerto é visto como velho, mas, quando
escreveu a epístola, o sistema terreno conectado ao velho concerto ainda não
havia desaparecido. O templo em Jerusalém e seu serviço ainda estavam em
operação, embora já não reconhecido por Deus (Mt 23:38). “As festas fixas do Senhor” (Lv 23:4 – AIBB) não eram mais vistas
como tais, mas como festas dos “judeus”
(Jo 2:3, 5:1, 6:4, 7:2, etc.) Todo esse sistema terreno estava “perto de desaparecer” porque em
questão de poucos anos, a cidade e o templo seriam destruídos pelos romanos (Sl
69:24-25; Dn 9:26; Mt 22:7; Lc 21:21-24). Isso aconteceu em 70 d.C. Que seja
dito novamente, o propósito do escritor ao introduzir o assunto do novo concerto
não é ensinar que foi feito com Cristãos, mas para mostrar que o velho concerto
se tornaria obsoleto.
Para resumir o capítulo
8, o escritor mostrou que o ministério de Cristo como Sumo Sacerdote é superior
ao de Aarão por que:
- Ele
ministra no verdadeiro santuário – o próprio céu (vs. 1-5).
- Ele
ministra em conexão com um melhor concerto que é firmado em melhores promessas
(vs. 6-13).