Vs. 33-40 – Nos versículos
finais do capítulo 11, o escritor refere-se a um número de outros santos
anonimamente, talvez para economizar “tempo”.
Ele os coloca em dois grupos:
- Aqueles
que foram livrados de suas circunstâncias difíceis pela misericórdia de Deus.
Suas histórias ilustram o poder da fé
(vs. 33-35a).
- Aqueles que não foram livrados das circunstâncias adversas que enfrentaram, mas receberam a graça de passar por elas. Suas histórias ilustram a perseverança da fé (vs. 35b-38).
AQUELES QUE FORAM
LIVRADOS POR MISERICÓRDIA
Vs. 33-35a – Quanto ao
primeiro grupo de santos, o escritor diz: “os
quais, pela fé, venceram reinos” (Josué), “praticaram a justiça” (Ezequias), “alcançaram promessas” (Salomão e Israel – 1 Rs 8:56), “fecharam as bocas dos leões” (Daniel),
“apagaram a força do fogo”
(Sadraque, Mesaque e Abede-Nego), “escaparam
ao fio da espada” (Jeremias), “da
fraqueza tiraram força” (Sansão), “na
batalha se esforçaram” (os Macabeus – Dn 11:32), “puseram em fuga os exércitos estrangeiros” (exército de Gideão), “mulheres receberam, pela ressurreição, os
seus mortos” (a pobre mulher de Sarepta e a rica mulher de Suném). Como
mencionado, esses exemplos ilustram o poder
da fé que trabalha para libertar os santos de Deus de suas provações.
AQUELES QUE NÃO FORAM LIVRADOS, MAS RECEBERAM GRAÇA
Vs. 35b-38 – O escritor
então diz: “uns ...” Isso nos leva ao segundo grupo de
santos que não foram livrados de suas difíceis circunstâncias, mas sua fé fez
com que triunfassem em suas provações – ainda mais brilhantes que o primeiro
grupo. Deus lhes deu a graça de passar por suas provações triunfalmente, mesmo
que isso os levasse à morte (Tg 4:6). Os que encabeçam a lista desses santos
dignos são aqueles que “foram
torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor
ressurreição”. Isto é, esses queridos crentes receberam de seus
perseguidores oferta de livramento ao custo de se comprometerem com concessões.
Se eles se retratassem, seriam livrados. Mas a fé deles não aceitou o livramento
nesses termos, e isso os levou à morte. Por mais tenebrosa que possa ter sido
para eles aquelas difíceis circunstâncias, seu futuro é certamente brilhante.
Eles obterão “uma melhor ressurreição”
na vinda do Senhor (o Arrebatamento).
Ele diz: “E outros experimentaram escárnios”
(isto é, Neemias – Ne 4:1-3) e “açoites”
(os servos dos filhos de Israel – Êx 5:16), “e até cadeias e prisões” (José, Miqueias, Jeremias, etc.), “foram apedrejados” (Zacarias – 2 Cr
24:21), “serrados” (Isaías), “tentados” (isto é, Jó), “mortos com a espada” (Urias – Jeremias
26:23), “perambulavam em peles de
ovelhas e de cabra” (Elias), “desamparados,
aflitos e maltratados” (profetas no tempo de Elias – 1 Rs 18:4, 19:10). O
escritor acrescenta, em seguida, em um parêntese – “dos quais o mundo não era digno”. Isto é certamente verdade. Este
grupo de santos ilustra a perseverança da fé. Eles pareciam como perdedores que
foram derrotados por seus inimigos, mas realmente suas vidas eram triunfos de
fé. O céu tem o registro correto e Deus o declarará no dia de Cristo.
Vs. 39-40 – Em resumo,
ele diz: “E todos estes, tendo tido
testemunho pela fé, não alcançaram a promessa”. Esse “testemunho” era verdadeiro para todos os santos do capítulo. Eles não viveram para ver o reino do
Messias de Israel, mas viveram e morreram em fé, e assim todos tiveram a
aprovação de Deus. Não perderam nada, pois terão sua parte no lado celestial do
reino milenar quando forem ressuscitados (Dn 7:18, 22, 27 – JND; Mt 13:43; Hb
12:22 -24).
Ao usar os pronomes “nós” e “eles”, o escritor distingue a porção de bênçãos que os santos do Velho
Testamento tinham daquilo que os Cristãos têm. Ele diz: “Deus providenciou algo melhor para nós, para que eles,
sem nós, não fossem aperfeiçoados”. Isso mostra que Deus tem diferentes
porções de bênção para os vários grupos de crentes em Sua grande família. Nem
todos são abençoados da mesma forma – alguns têm uma porção celestial e alguns
têm uma porção terrena (Ef 3:15). Ao contrário do ensino equivocado dos
Teólogos Reformados (Teologia do Pacto), a família de Deus não consiste apenas
da Igreja (Cristãos) – que pensam que é composta de todos os crentes desde o
início até o fim dos tempos. Existem santos do Velho Testamento que serão
ressuscitados com uma porção celestial de bênção (“espíritos dos justos aperfeiçoados”) e então há Cristãos (“a Igreja dos primogênitos”) que também
têm uma porção celestial de bênção, mas distintamente diferente e muito
superior ao que os santos do Velho Testamento têm (Hb. 12:23). Nosso verso (40)
claramente indica essa distinção, chamando nossa porção Cristã de “alguma coisa melhor”. Isto é devido à
nossa incomparável conexão com Cristo pela habitação do Espírito Santo, que nos
torna Seu corpo e noiva (Ef 5: 30-32; Ap 19:7). Então, haverá também o remanescente
redimido de Israel (Ap 7:1-8) e os gentios crentes (Ap 7:9) que povoarão o lado
terreno do reino milenar. Esses santos terão uma porção terrena de bênção em
conexão com Cristo, o Messias de Israel.
O fato de a companhia Cristã
ser chamada de “primogênitos” (que
indica preeminência) mostra que a Igreja tem um lugar na grande família de Deus
que é superior aos outros (Hb 12:23). Foram escolhidos para uma bênção especial
pela graça soberana de Deus, não porque são melhores do que os outros em Sua
família, mas porque Deus propôs mostrar “a
glória da Sua graça” e “as riquezas
da Sua graça” perante o mundo (Ef 1:6-7; 2:7) e eles são simplesmente os
troféus de Sua graça.
O versículo 40 também
indica que os santos do Velho Testamento serão ressuscitados no mesmo momento
que os santos do Novo Testamento que morreram em Cristo forem também
ressuscitados. Ele diz: “para que eles,
sem nós, não fossem aperfeiçoados”. Ser “aperfeiçoado” refere-se ao nosso corpo sendo glorificado. Os
santos de Deus ainda não foram aperfeiçoados dessa maneira (Fp 3:12), o que
ocorrerá na vinda do Senhor – o Arrebatamento (Fp 3:20-21).