Três Aparições

Vs. 24-28 – O escritor então resume os pontos precedentes em três diferentes aparições de Cristo – no passado, no presente e no futuro.
Em primeiro lugar, Cristo “apareceu” (Seu primeiro advento) com o propósito de resolver toda a questão do pecado de uma vez por todas pelo sacrifício de Si mesmo. Nosso escritor diz: “mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez Se manifestou [apareceu – KJV], para aniquilar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo” (v. 26). Assim, Cristo veio ao mundo para lidar com toda a eclosão do pecado na criação. Como mencionado, Sua morte expiatória na cruz lançou as bases para sua completa remoção (Jo 1:29). “Aniquilar o pecado” é uma declaração abrangente. Inclui os pecados dos crentes (1 Jo 3:5), mas vai além disso, para absorver todos os efeitos e comportamentos que o pecado causou na criação. J. N. Darby disse: “Qual é o significado de Hebreus 9:26, ‘Cristo aniquilou o pecado pelo sacrifício de Si mesmo?’ Creio que se estende aos novos céus e nova Terra, onde habita a justiça. Assim também, ‘O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. A obra que realiza isso está feita, mas o poder ainda não foi revelado” (Collected Writings, vol. 27, pág. 198). W. Kelly disse: “Chegará o dia em que os novos céus e a nova Terra exibirão o poder reconciliador do sacrifício de Cristo, pois todo traço de pecado terá desaparecido do mundo. E esta é a força plena de João 1:29, como também do nosso versículo 26” (The Epistle to the Hebrews, pág. 178). Assim, atualmente o pecado tem sido tirado de diante de Deus em um sentido judicial na morte expiatória de Cristo, mas em um dia vindouro será expulso do universo, quando então os céus e a Terra serão “purificados” (v. 23).
“A consumação dos séculos” refere-se ao encerramento dos quarenta séculos (o número de testes divinos na Escritura) em que o homem na carne foi testado por Deus. Este período correu desde a queda do homem até a cruz de Cristo. O teste chegou ao fim porque o homem em carne e osso tem provado ser, em todos os sentidos, um completo fracasso. Como resultado, Deus pôs fim a toda essa ordem de humanidade caída e “condenou o pecado na carne” na morte de Cristo (Rm 8:3). Ele agora começou uma nova raça de homens por meio de Cristo em ressurreição em Quem cumprirá o Seu propósito de glorificar a Cristo no mundo vindouro.
Em segundo lugar, Cristo agora aparece no céu diante de Deus por nós, onde prossegue em Seu serviço de intercessão sacerdotal (v. 24). O escritor diz: “Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer [aparecer – JND], por nós, perante a face de Deus”. O escritor repete o que já declarou no versículo 11 – que Cristo não entrou no santuário feito pelo homem na Terra, que era apenas uma figura do “verdadeiro”, mas no próprio santuário celestial. Assim, Ele nos representa diante de Deus. Já que permanecerá para sempre como um Homem, nossa posição diante de Deus nunca poderá mudar! Sua obra de intercessão é exercida em favor dos crentes, com vistas a salvá-los, na prática, dos perigos espirituais no caminho de fé (Rm 8:34; Hb 7:25).
Em terceiro lugar, no Arrebatamento, Cristo “aparecerá” do céu para libertar os crentes da destruição que o pecado causou na Terra (violência, doença, sofrimento, tristeza, morte, etc.) tirando-os dela e levando-os para a casa do Pai no céu (v. 28). Atualmente, os crentes no Senhor Jesus Cristo têm que andar pelas circunstâncias corruptoras que o pecado tem causado porque a criação ainda não foi “purificada”, e isso os lançou ao Senhor em busca de Sua ajuda sumo sacerdotal (v. 23). A esperança dessa criação é que seja tirada completamente dessa cena corrompida quando Cristo vier (Jd 21) antes que Ele Se ocupe a limpá-la por julgamento. Assim, não esperamos condições melhores e mais “cor-de-rosa” na Igreja, nem esperamos condições melhores e mais “cor-de-rosa” no mundo – nós “O esperamos” na Sua vinda. Esta é a esperança Cristã normal. Portanto, a vinda do Senhor “a segunda vez” é vista como uma “salvação” pela qual os crentes aguardam ansiosamente, se estiverem em um estado correto de alma (Rm 5:9, 8:23-25, 13:11, 3:20).
(Até que chegue aquele momento, Deus fez uma provisão para escaparmos da “corrupção que pela concupiscência está no mundo” sendo “participantes da natureza divina” em um sentido prático (2 Pe 1:4). Ou seja, nascidos de novo, temos a capacidade de desfrutar das coisas divinas – as mesmas coisas de que o próprio Deus desfruta. Quando estamos assim ocupados, participamos daquilo que Sua natureza desfruta e temos comunhão com Ele. Ao estarmos ocupados com essas coisas celestiais, atrações e tentações do pecado que nos cercam por todos os lados perdem seu poder sobre nós, e assim escapamos dessas corrupções).
O versículo 26 se refere ao lado da obra expiatória de Cristo conhecida como propiciação (Rm 3:25; Hb 2:17; 1 Jo 2:2, 4:10). Tem a ver com a reivindicação da natureza santa de Deus, satisfazendo plenamente os clamores da justiça divina relativos à eclosão do pecado. O versículo 28 refere-se ao outro lado da obra expiatória de Cristo – substituição. Isso tem a ver com o fato de Cristo tomar o lugar do crente no julgamento e levar “em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2:24). J. N. Darby disse: “Em Hebreus 9:26, 28, temos duas coisas: ‘afastar [aniquilar – ARC] o pecado’ e ‘levar [tirar – ARC] os pecados’, assim como temos a oferta pelo pecado e o bode expiatório no dia da expiação” (Collected Writings 21, pág. 198).
O versículo 27 é um lembrete solene de que, por causa do pecado, o homem está destinado a morrer (Rm 5:12), e após a morte haverá uma paga pelos seus pecados pessoais no julgamento divino. O escritor afirma isso claramente: “aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo (julgamento). No versículo 28, ele se apressa em dizer que esse perigo de julgamento foi posto de lado para todos os que creem. No entanto, é de se notar que Ele não levou os pecados de todos os homens, mas dos “muitos” que creem. Aqueles que não crerem sofrerão o julgamento de seus pecados. Por isso, “Cristo tendo sido oferecido uma vez para levar os pecados de muitos” (JND), e como resultado, eles “não virão a julgamento” (Jo 5:24 – JND; Rm 8:1).
O versículo 28 é uma correlação entre o Dia da Expiação e a grande obra de Cristo na expiação. Em Israel, quando o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos com sangue naquele dia, as pessoas ficavam fora esperando que ele reaparecesse. Poderia haver algum receio da parte deles, pois o sumo sacerdote poderia ter entrado lá de alguma forma errada, o que resultaria em sua morte imediata. No entanto, após a sua reaparição no pátio do tabernáculo, o povo podia respirar aliviado, sabendo que tudo estava bem. De um modo semelhante, Cristo foi para o santuário celestial em virtude de Seu sangue, e os crentes (“que O esperam”) estão agora esperando por Ele para reaparecer “pela segunda vez sem pecado” para “salvação” deles. A diferença é que estamos esperando pelo Senhor sem qualquer receio ou temor do que possa ter acontecido com Ele. O testemunho da Escritura nos dá a certeza de que Ele está “vivendo sempre” na presença de Deus “para interceder” por nós (Hb 7:25). E “como Ele é” aceito na presença de Deus, “assim somos nós também neste mundo” (1 Jo 4:17).
Quando o Senhor vier pela segunda vez (o Arrebatamento), será “sem pecado”. Isto é, quando Ele vier, não será para resolver a questão do pecado porque foi tratada e resolvida para a glória de Deus em Seu primeiro advento. Sua segunda vinda será para a salvação final dos crentes – a ida deles para casa no céu em um estado glorificado (Fp 3:21). Nota: eles não estão esperando a morte, a porção comum dos homens, mas estão como os “que O esperam para salvação”. Assim, haverá alguns que não terão o encontro universal do homem com a morte.