Vs. 15-18 – O
testemunho do Espírito é mencionado a seguir como sendo o meio pelo qual o
crente sabe que foi abençoado por
meio da obra consumada de Cristo. O escritor diz: “E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo”. Este “testemunho” que o Espírito dá não é um
sentimento caloroso que Ele cria no coração do crente – como alguns dizem, “eu
tenho um ardor em meu peito”, mas é o que Ele tem dito nas Escrituras. A
maneira pela qual sabemos que somos “santificados”
(separados para Deus para bênção) e “aperfeiçoados”
por meio da morte de Cristo é pela nossa aceitação por fé do que o Espírito
declarou nas Escrituras sobre os crentes.
O aspecto da obra do
Espírito Santo ao qual o escritor está se referindo aqui não é Sua habitação – embora isso seja certamente verdadeiro para
todo crente nesta dispensação (1 Ts 4:8; Ef 1:13, 4:30, etc.) Note
cuidadosamente: ele diz que o testemunho do Espírito é “para” nós (“no-lo
testifica”), não em nós. Assim, são
afirmados fatos que o Espírito fez nas Escrituras, não sentimentos subjetivos
produzidos em nós. Não deveríamos ficar atentando aos nossos sentimentos para
ter certeza de nossa bênção, pois nossas emoções e sentimentos estão sempre
mudando. É somente o que o Espírito de Deus tem “dito [dito antes – KJV]” na Palavra de Deus que nos dará essa certeza. (Romanos 8:16 fala de
o Espírito testificar “com o nosso
espírito” e 1 João 5:10 fala de se ter o testemunho “em si mesmo” – mas esses são aspectos diferentes que não estão
sendo vistos aqui).
Ao afirmar “dito antes” (v. 15 – KJV), o escritor
está se referindo ao que o Espírito Santo escreveu outrora em Jeremias 31 a
respeito das bênçãos espirituais do novo concerto. Como essa é uma das
epístolas judaico-Cristãs, as bênçãos em vista são particularmente as bênçãos do
novo concerto, em vez das distintas bênçãos Cristãs “em Cristo”, mencionadas nas epístolas de Paulo (Ef 1:3). Essas
bênçãos do novo concerto não são exclusivas para os Cristãos, mas são
propriedade comum de todos os nascidos
de Deus que creem em Cristo – incluindo os remanescentes redimidos de Israel e
os gentios crentes no dia milenar vindouro (Ap 7). Uma vez que os termos do
novo concerto foram citados extensamente no capítulo 8, o autor não vê que seja
necessário citá-los novamente aqui. Por isso, ele os abrevia, enfatizando uma
bênção em particular – “Dos seus pecados e das suas iniquidades não Me lembrarei
mais” (TB). “Pecados” são
atos que fizemos e “iniquidades” são
as disposições pecaminosas de nosso coração (Sl 41:6, 66:18, 78:37-38; Is 32:6,
59:7; Mt 23:28; At 8:22-23). Isso mostra que Deus assumiu todo o nosso caso – desde
a concepção de nossos atos pecaminosos em nossos corações até os atos reais – e
tratou com isso completamente na obra expiatória de Cristo. Assim, Ele não
apenas remove nossos pecados de nossas consciências, mas também remove cada
lembrança deles de Sua mente!
Notemos que ele não
coloca nenhuma qualificação sobre os tipos de pecados que são perdoados aqui,
como foi o caso sob o concerto legal. Sob esse sistema, somente “pecados de ignorância” (ARA) poderiam
ser perdoados (Hb 9:7), e somente de maneira governamental. Em contraste com
isso, os pecados que o sacrifício único
de Cristo pode perdoar – e perdoar eternamente
– não são apenas pecados de ignorância, mas os pecados intencionais também! “O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos
purifica de todo pecado” (1 Jo 1:7). Quão maravilhoso é, de fato,
porque ninguém pode alegar ter pecado apenas ignorantemente!
Muitas pessoas pensam
que a declaração “Dos seus pecados e das
suas iniquidades não Me lembrarei mais” (TB) significa que Deus Se esquece os pecados do crente. No
entanto, “não Me lembrarei mais” não
é o mesmo que Se esquecer. Podemos usar clichês cativantes como: “Nossos
pecados são perdoados, esquecidos para sempre”, mas isso inadvertidamente liga
uma fraqueza humana ao trato de Deus com nossos pecados. A verdade é que Deus
tem uma base justa sobre a qual Ele agiu para aniquilar nossos pecados – a obra
consumada de Cristo. Com base nisso, Ele pode conscientemente removê-los de
Seus pensamentos quanto ao julgamento eterno porque o preço foi pago por eles
na morte de Cristo. Este é um ato divino de justiça, não uma fraqueza humana do
esquecimento. Relacionar a fraqueza humana a Deus quanto a essa questão implica
que Ele tratou com nossos pecados de uma maneira descuidada. Tomado
literalmente, não dá ao crente qualquer confiança real de que seus pecados
foram tratados adequadamente. Se Deus Se esqueceu deles, talvez Se lembre deles
novamente algum dia! E daí como ficaria? Alguém escreveu para J. N. Darby
perguntando sobre isso em conexão com Hebreus 10:17. Ele respondeu: “Não é como
se Deus tivesse esquecido as coisas, mas que não Se lembra delas – mantendo-as
em Sua mente e sendo contra elas de qualquer forma” (Letters, vol. 3, pág. 371).
O tribunal de Cristo
mostra que Deus ainda tem um registro de toda a nossa vida, incluindo nossos
pecados. Naquele momento, as coisas “boas”
e “más” em nossas vidas serão revisadas.
Isso incluirá as coisas feitas antes
de sermos salvos, pois a revisão será de coisas feitas em nossos corpos, e
certamente estávamos em nossos corpos antes de sermos salvos (2 Co 5:10). Esta
revisão não poderia ser feita se Deus excluísse partes de nossas vidas da Sua memória.
A resposta simples é que Ele ainda tem conhecimento do que somos e do que
fizemos, mas baseado na eficácia da obra consumada de Cristo, não mais Se
lembrará deles para julgamento.
V. 18 – A conclusão de
toda essa discussão a respeito do superior sacrifício de Cristo, que o escritor
seguiu cuidadosamente nos capítulos 9 a 10, é que, uma vez que agora existe a “remissão” eterna dos pecados na obra
expiatória de Cristo, “não há mais”,
portanto, necessidade das ofertas levíticas de pecado para serem sacrificadas. Ficaram
obsoletas.
Esta declaração encerra
a parte doutrinal da epístola.