Ele menciona seis coisas que caracterizavam o
judaísmo do Velho Testamento, às quais não deviam voltar, porque essas coisas
haviam sido suplantadas pelos “bens
futuros” que haviam chegado por meio da morte e ressurreição de Cristo (Hb
9:11, 10:1). Ele diz, “não lançando de
novo”:
1) “O fundamento do arrependimento de obras
mortas” (v. 1)
Esta é uma referência ao que os filhos
de Israel fizeram no Dia da Expiação ao afligirem suas almas em arrependimento
(Lv 16:29). Ele chama isso de “obras
mortas” porque toda a questão do pecado para os crentes foi totalmente resolvida
na obra consumada de Cristo na cruz. Os pecados do Cristão foram postos de lado
para sempre; eles não são apenas cobertos por mais um ano como no ritual do Velho
Testamento no Dia da Expiação. Portanto, não há necessidade dessa prática
agora.
2) “Da fé em Deus” (v. 1)
Refere-se ao entendimento judaico
ortodoxo de Deus como “o único Senhor”
(Dt 6:4). Foi fé em Deus sem conhecer e distinguir as três Pessoas na divindade
(a Trindade), pois essa verdade não veio à luz nos tempos do Velho Testamento.
Tal revelação exigia a vinda de Cristo ao mundo para declarar o Pai (Mt 11:27;
Jo 1:18). Retornar à revelação parcial de Deus que os santos do Velho
Testamento tiveram é desconsiderar a luz que temos agora no Cristianismo, e
essencialmente denunciá-la como sendo falsa.
3) “A doutrina dos batismos [das lavagens –
JND]” (v. 2)
Refere-se às lavagens cerimoniais que
marcaram o judaísmo, que significava a santidade necessária para se aproximar
de Deus em adoração. Toda essa limpeza exterior não é necessária no Cristianismo
porque nos tornamos “santos” pela
obra consumada de Cristo (1 Co 6:11; Ef 1:4; Cl 1:22; Hb 3:1). (A versão King James
e as versões em português dizem: “batismos”,
mas deveriam traduzir como “lavagens”.
O escritor não está falando da ordenança do batismo).
4) “Da imposição de mãos” (v.
2)
Refere-se ao ritual relacionado com as
ofertas judaicas (Lv 1:4, 3:2, 4:4, 16:21, etc.) Essa prática significava a
identificação do ofertante com a oferta que ele apresentava no altar. No
entanto, como o único sacrifício de Cristo é o cumprimento dessas ofertas
judaicas, elas não precisam mais ser oferecidas e, portanto, essa prática
também não é necessária. (Não se refere à imposição de mãos na Igreja primitiva
como registrada em Atos 6:6, 8:17, 9:17, etc.)
5) “Da ressurreição” (v.
2)
Refere-se ao entendimento limitado que
os santos nos tempos do Velho Testamento tinham em conexão com a ressurreição.
Eles sabiam da ressurreição em um sentido geral. Isso é visto na declaração de
Marta ao Senhor, que é considerado o entendimento judaico ortodoxo da
ressurreição (Jo 11:24). No entanto, o evangelho trouxe “vida e incorrupção” à luz (2 Tm 1:10), e agora sabemos que existem
duas ressurreições de duas ordens completamente diferentes (Jo 5:28-29, At
24:15, etc.) Haverá uma ressurreição “dentre
os mortos” dos “justos” [At 3:15
– AIBB], seguida pela ressurreição dos “injustos”
– com mil anos entre elas. Retornar ao entendimento limitado da ressurreição,
como os santos do Velho Testamento tinham, seria, para esses judeus, virar suas
costas para a verdade que havia sido trazida à luz por meio do evangelho.
6) “Do juízo eterno” (v.
2)
Refere-se ao entendimento judaico do
julgamento no último dia (Jó 19:25; Jo 11:24). Novamente, o evangelho também
trouxe à luz muito mais detalhes sobre o julgamento eterno, como encontrado no
Novo Testamento, e podemos agora falar mais definitivamente sobre isso. Voltar
as costas ao que foi revelado no Cristianismo a respeito desse assunto é
desconsiderar essa revelação superior.
Nota: o escritor não
pede aos hebreus que neguem essas coisas porque todas eram verdadeiras e eram
coisas dadas por Deus. Ele estava dizendo-lhes para “prosseguir” além dessas coisas e receber a mais completa revelação
da verdade que veio à luz no Cristianismo. Voltar à revelação limitada da
verdade sobre esses assuntos, como encontrados no Velho Testamento, é
questionar se realmente tivemos uma revelação de Deus no evangelho. É
apostasia. Por isso, sua palavra para eles não é voltar atrás, mas prosseguir.
Ele acrescenta: “isso faremos, se Deus o
permitir” (v. 3). Deus certamente “quer
que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm
2:4), mas muitas vezes isso não acontece porque as pessoas se recusam a
participar com Ele no exercício de fé pessoal e serem diligentes.