Vs. 8-9 – No versículo
5, ele diz que não era “oportuno agora
falar individualmente” (TB) dessas coisas (quanto ao seu significado
típico), porque seu propósito em mencionar o modelo do tabernáculo era mostrar
que ele ensina a grande lição de que o acesso à presença de Deus tinha sido
fechado por causa do pecado. “O Espírito
Santo” estava dando a entender “que
ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé
o primeiro tabernáculo”. Já que as coisas no tabernáculo são “representações figurativas das coisas nos
céus” (v. 23 – JND), o Espírito está ensinando que não há acesso para o
homem à presença de Deus por causa da barreira que o pecado criou. A presença
do “véu” (Êx 26:31-35), que o
escritor chama de “segundo véu” (v.
3), restringindo a entrada no Santo dos Santos, indicou isso. Os sacerdotes aarônicos
podiam entrar no Santo Lugar e ministrar, mas não tinham acesso ao Santo dos
Santos – exceto o Sumo Sacerdote uma vez por ano, com sangue de uma vítima.
Isso claramente ensina que o homem não pode ir diretamente a Deus; deve se
aproximar d’Ele por meio de um mediador e esse por meio do sangue de um
sacrifício.
Assim, a mensagem que o
Espírito Santo está comunicando no tabernáculo é que o acesso à presença
imediata de Deus não havia sido aberto enquanto o tabernáculo estava “ainda em pé” e reconhecido por Deus.
Esta foi uma prova clara da insuficiência dos sacrifícios desse sistema legal. Não
podiam “tornar perfeito o adorador” (TB) no sentido de
purificar sua consciência da culpa (v. 9), nem abrir o caminho para a presença
de Deus. (A maioria das versões em português traduzem que não poderia tornar perfeito “aquele que faz o serviço”, que se
referia ao sacerdote, mas deveria ser “aquele
que adorava” – JND, que é o
ofertante). Aqueles sacrifícios foram instituídos por Deus, e não foram uma
tentativa de aperfeiçoar o crente, mas sim, apontar para os “bens futuros” que viriam por Cristo, que aperfeiçoaria o crente (v.
11).
Enquanto o tabernáculo
estivesse em pé e fosse reconhecido por Deus, não poderia haver acesso direto à
Sua presença. Tal ato requeria um sacrifício maior que pudesse, de uma vez por
todas, aniquilar o pecado (vs. 11-12, 26). Até que o pecado tivesse sido
tratado com um sacrifício que satisfizesse as reivindicações da justiça divina,
sempre haveria uma distância entre Deus e o homem. Portanto, aproximar-se de
Deus para adoração, até aquele momento, teria que ser por meio de um sistema de
rituais e ordenanças que só mantinha o homem a uma distância de Deus. H. Smith
disse: “Sob tal sistema, Deus ficava do lado de dentro e o homem ficava do lado
de fora. O sistema judaico não podia abrir o céu para nós, nem podia nos tornar
aptos para o céu” (The Epistle to the
Hebrews, pág. 48).
O tabernáculo com o véu
rasgado é “uma alegoria [figura – JND] para o tempo presente” quando o caminho para o Santo dos Santos
foi aberto (Hb 10:19-22). Cristãos em geral e historicamente não entenderam que
o velho sistema do tabernáculo do Velho Testamento é uma figura do verdadeiro santuário no qual os Cristãos agora adoram
pelo Espírito. Em vez de vê-lo como uma figura, usaram o tabernáculo como um modelo para suas igrejas e emprestaram muitas
coisas em um sentido literal daquela ordem judaica para seus locais de adoração
e seus serviços religiosos. Ao fazer isso, perderam completamente o ponto de
que Deus não quer uma mistura dessas
duas ordens drasticamente diferentes e contrastantes (Hb 13:10).
V. 10 – O escritor
afirma claramente que os rituais exteriores do judaísmo (“manjares, e bebidas, e várias abluções [lavagens – JND] e
justificações [ordenanças – TB] da carne”) eram coisas provisórias,
dadas a Israel “até o tempo de acertar
[retificar] as coisas” (Tradução de W. Kelly). Não foram destinadas a serem
usadas indefinidamente na maneira em que foram dadas a eles. “O tempo de acertar as coisas” não se
refere apenas ao Cristianismo agora, mas também ao tempo em que o novo concerto
será feito com Israel. J. N. Darby disse: “Certas coisas lhes foram impostas
até o tempo da correção. Cristo veio como ‘o
Sumo Sacerdote dos bens futuros’. A que isso se refere? Alguns podem achar
uma dificuldade em saber se ‘futuros’
se refere ao que era futuro para os judeus, enquanto aquele tabernáculo estava em
pé, ou para o que é agora futuro. Eu acredito em ambos. Tudo era novo em
Cristo. Era para vir em uma nova fundação. A base é colocada para a total e perfeita
reconciliação do homem com Deus” (Collected
Writings, vol. 27, pág. 385).