Vs. 5-11 – Os outros
meios que Deus usa para manter nossos pés no caminho são as provações que
encontramos na vida. As provações da vida são usadas por Ele para produzir um duplo
efeito em nós; ambos têm em vista a glória de Deus e nossa bênção.
De um lado, Deus toma
as provações da vida, e com maravilhosa sabedoria, amor e habilidade, as tece
em Seu treinamento de nossos espíritos. Foi dito acertadamente que Deus tem
mais a fazer em nós do que por meio de nós (em serviço). Ele usa as
provações e as dificuldades para trazer à luz certos aspectos da carne que
podem estar operando em nós dos quais não temos consciência. Assim, nos é dada
a oportunidade de julgar essas coisas e, como resultado, tornar-nos “participantes da Sua santidade” (v.
10). Do outro lado, Deus usa as mesmas provações para nos conformar à imagem de
Seu Filho (Rm 8:29). No ardor das provações, Ele produz semelhança de Cristo em
nós. Assim, as características morais de Cristo – compaixão, ternura, mansidão,
humildade, etc. – são formadas em nós.
Deus propôs-Se a encher
o céu com pessoas que são exatamente como o Seu Filho, e assim este trabalho de
conformidade moral é necessário. Como o escultor, a quem, na inauguração de uma
das suas obras (uma estátua de um leão), foi perguntado como produziu uma obra
de arte tão magnífica; ao que respondeu: “Eu apenas desbastei tudo o que não se
parecia com um leão!” Similarmente, Deus está trabalhando em cada um de Seus
filhos com a imagem de Seu Filho diante de Seus olhos, e está desbastando tudo
o que neles não se assemelha a Seu Filho. Assim, os sofrimentos e as provações
por que passamos no caminho estão sendo usados por Ele para remover as arestas
e, às vezes, isso pode ser doloroso. Entretanto, se o produto acabado é que
somos tornados mais semelhantes a Cristo, então esses sofrimentos que são “por um pouco”, valem a pena (1 Pe 5:10
– ARA).
O lado das coisas que
está particularmente diante de nós neste capítulo é o primeiro – a remoção de
coisas carnais em nossos espíritos e em nossos caminhos, por meio da qual, na
prática, nos tornamos mais santos. Os que ensinam sobre a Bíblia chamam isto de
“Santificação Prática ou Progressiva”. Precisamos ter em mente que estamos na
escola de Deus e, como tal, estamos sob Seu treinamento divino – assim como um
pai amoroso treina seu filho (Jó 36:22). Seu objetivo conosco é nos tornar
companheiros adequados para o Seu Filho. Ele nos ama tanto que não nos deixará
no estado moral do início quando nos salvou. Assim, Sua escola tem muito a ver
com efetuar mudanças morais nos crentes. Além disso, Deus quer que nós
participemos com Ele nesta obra. Se estivermos dispostos a cooperar e formos
exercitados sobre nosso andar e caminhos, o processo será bem-sucedido.
Assim
sendo, o escritor explica o propósito divino por trás desta obra. Ele diz: “E já vos esquecestes da exortação que
argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor,
e não desmaies quando por Ele fores repreendido; porque o
Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Se
suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o
pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos
participantes, sois, então, bastardos e não filhos. Além do que, tivemos nossos
pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos
sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na
verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas Este,
para nosso proveito, para sermos participantes da Sua santidade. E, na verdade,
toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas,
depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (vs.
5-11). Assim, vemos que Deus está buscando produzir “o fruto pacífico da justiça (prática)” em nós.