Vs. 13-15 – Visto que a
fé precisa de um sólido fundamento de autoridade para sobre ele repousar, o
escritor apresenta diante deles a coisa mais segura no universo – a Palavra
infalível de Deus. Deus sempre mantém a Sua Palavra (1 Rs 8:56; 2 Tm 2:13); a
fé pode descansar nela e não se decepcionar. O escritor aponta para a “promessa” e o “juramento” que Deus fez a Abraão como um exemplo de quão
seguramente Ele mantém a Sua Palavra. Mesmo nas circunstâncias quase
impossíveis em que Abraão e sua esposa se encontravam– estando muito além da
idade de ter filhos – Deus guardou a Sua Palavra realizando um milagre e eles
tiveram um filho, como foi prometido. Isso mostra que Deus manterá Sua Palavra,
não importa o que aconteça – mesmo que isso signifique que Ele tenha que
realizar um milagre para fazer isso!
Depois de receber um
filho e ser testado ao ser-lhe pedido para colocá-lo sobre o altar, Deus fez um
juramento de que Ele também daria a Abraão uma posteridade por meio de seu
filho – Isaque. A “promessa” de ter
um filho foi feita em Gênesis 12:1-3 e confirmada em Gênesis 13:14-16, 15:1-6 e
17:15-22, mas a prestação do “juramento”
foi feita em Gênesis 22:16 – “Por Mim
mesmo, jurei, diz o Senhor”. O escritor afirma que ao fazer o juramento, uma
vez que Deus “não tinha outro maior por
quem jurasse, jurou por Si mesmo”. Ele cita Gênesis 22:17, dando a essência
do juramento: “Certamente, abençoando,
te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei.” Assim, a promessa estava em conexão com Abraão
ter um filho e o juramento estava em
conexão com Abraão ter uma posteridade por meio de seu filho.
Tendo recebido a
promessa, Abraão “esperando com
paciência” por muitos anos, finalmente “alcançou
a promessa” e recebeu um filho por meio de Sara – exatamente como Deus
havia dito. (Hebreus 11:13 não é uma contradição disto. Ele diz: “Todos estes [incluindo Abraão] morreram na fé, sem terem recebido as
promessas”. A diferença é que essas promessas estavam em conexão com a herança, ao passo que essa promessa
tinha a ver com Abraão tendo um filho
e uma posteridade por meio dele). A
aplicação aqui é óbvia. Os santos hebreus precisavam ter o mesmo tipo de fé e
paciência que Abraão tinha, e continuar no caminho indicado pela revelação Cristã
da verdade – mesmo que pareça tolo para aqueles que não têm fé. Abraão teve que suportar o mesmo.
Vs. 16-17 – Quanto ao
juramento, nos assuntos humanos, os homens juram por quem é maior do que eles.
Eles “juram” e, assim, fazem um “juramento” e isso encerra “toda contenda”. Assim, “querendo Deus mostrar mais abundantemente
a imutabilidade do Seu conselho aos herdeiros da promessa, Se interpôs com
juramento”. Na realidade, se Deus deu a Sua Palavra, ninguém precisa de
mais nada, porque “é impossível que Deus
minta”. Dar Sua Palavra é suficiente; não precisa ser reforçado com um
juramento. Mas, ao condescender com a fraqueza humana, Deus acrescentou um
juramento a Abraão e ao herdeiro para assegurar-lhes o que Ele havia prometido.
Assim, Abraão teve uma dupla garantia.
Vs. 18-20 – O escritor
então mostra que essas mesmas duas coisas (a promessa e o juramento) podem ser
aplicadas a todos os que são filhos de Abraão por fé. Já que os “herdeiros da promessa” não são apenas
Isaque, Jacó, etc., mas todos os que por fé são filhos do fiel Abraão (Gl
3:7-8, 29), também podemos repousar nessas mesmas “duas coisas imutáveis” em conexão com nossa esperança em Cristo.
Ele encerra essa longa digressão
afirmando que Deus deu um passo adiante, dando uma garantia pessoal para o
cumprimento das promessas pelo fato de que o próprio Cristo entrou no santuário
no alto. Na administração levítica, o sumo sacerdote entrava no santo dos
santos apenas como representante. Ele
entrava lá sozinho, e ninguém poderia segui-lo. Mas Cristo entrou lá como garantia e, como resultado, toda uma
raça de homens agora pode segui-Lo até lá. J. N. Darby disse: “Esta certeza
recebeu uma confirmação ainda maior. Ela entrou para dentro do véu, encontrou
sua sanção no próprio santuário, onde o Precursor tinha entrado, dando não
somente uma palavra, um juramento, mas também uma garantia pessoal das
promessas e o santuário de Deus como um refúgio para o coração; dando assim,
para aqueles que tinham entendimento espiritual, um caráter celestial para a
esperança que eles estimavam; enquanto mostrava, pelo caráter daqu’Ele que
havia entrado no céu, o certo cumprimento de todas as promessas do Velho
Testamento, em conexão com um Mediador celestial que, por Sua posição, assegurou
esse cumprimento; estabelecendo a bênção terrena sobre o firme fundamento do
próprio céu e dando ao mesmo tempo um caráter superior e mais excelente àquela
bênção, unindo-a ao céu e fazendo-a fluir daí” (Synopsis of the Books of the Bible, em Hebreus 6).