Vs. 11-14 – O escritor,
então, concentra-se na obra consumada de Cristo, em primeiro lugar, naquilo que
realizou para a glória de Deus e, então, no que realizou para a bênção do
crente.
Quanto ao lado de Deus,
diz: “E assim todo sacerdote aparece
cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que
nunca podem tirar pecados; mas Este, havendo oferecido um único sacrifício
pelos pecados, está assentado para sempre [em perpetuidade – JND] à
destra de Deus, daqui em diante esperando até que os Seus inimigos sejam postos
por escabelo de Seus pés”. O “único sacrifício”
de Cristo satisfez tão completamente as exigências da justiça divina em relação
ao pecado que Ele tinha todo o direito de Se assentar à destra de Deus. De
fato, depois que a obra foi feita, Deus O convidou para assentar-Se lá – “Assenta-Te à Minha mão direita, até que
ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés” (Sl 110:1). Isso mostra
que as reivindicações da justiça divina foram mais do que satisfeitas; Deus foi
glorificado pela obra que Cristo realizou na cruz.
O contraste entre os
sacrifícios oferecidos pelos sacerdotes levíticos e o grande sacrifício de
Cristo não poderia ser maior. Ao oferecer esses sacrifícios do Velho Testamento,
o trabalho do sacerdote nunca era final. Era um trabalho inacabado. Esses
sacrifícios tiveram que ser repetidos várias vezes. O fato de não haver cadeira
entre os móveis no tabernáculo significa isso. Por isso, o escritor diz: “todo sacerdote aparece [permanece em pé – JND] cada dia, ministrando ...” Nos 1.500 anos em que o sistema
levítico esteve em vigor e operando, muitos milhares de sacrifícios de animais
foram oferecidos – mas nenhum deles, nem todos combinados, poderia “tirar pecados”. Em contraste com isso,
depois de oferecer Seu único sacrifício, Cristo “assentou-Se em perpetuidade” (JND) à destra de Deus,
significando assim que a obra da expiação foi finalmente concluída. Assim, a
obra de Cristo na cruz é uma obra “consumada”
(Jo 19:30). Os contrastes são abundantes aqui. Aqueles sacerdotes ficavam em pé; este Homem assentou-Se. Eles ofereciam frequentemente;
Ele ofereceu uma vez. Seus
sacrifícios cobriam pecados por mais
um ano; Seu sacrifício tirou os
pecados eternamente.
A versão King James (e
as em português ARC, ARF e AIBB) diz que Ele Se assentou à direita de Deus “para sempre”, mas isso poderia levar a
engano se tomarmos a palavra em seu sentido comum. Isso significaria que Ele
nunca mais Se levantaria do trono de Deus. Mas isso é problemático porque a
Escritura diz que Ele Se levantará e voltará para nos levar ao céu, e depois,
julgará o mundo com retidão. Uma tradução melhor diz “em perpetuidade” (JND). Isso significa que, em conexão com a
expiação pelo pecado, Ele está assentado lá ininterruptamente; nunca precisará Se
levantar e tratar com o pecado novamente. Sua obra na cruz resolveu a questão
do pecado. Assim, a perpetuidade tem um senso de finalização conectado a ela. O
Salmo 110:1 é então citado: “daqui em
diante esperando até que os Seus inimigos sejam postos por escabelo de Seus pés”
– confirmando que Cristo, de fato, um dia Se levantará do trono de Deus para
voltar e julgar o mundo.
Quando os céus foram “abertos” para que Estêvão olhasse, ele
viu Cristo “em pé à mão direita de Deus”
(At 7:56). Isso não contradiz Hebreus 10:12. O Senhor estava em pé naquele
momento por um motivo diferente. A oportunidade ainda estava sendo estendida
aos judeus para receber a Cristo como seu Messias. Ele ficou lá pronto para
retornar à Terra para estabelecer o reino, como declarado nos profetas do Velho
Testamento, se eles apenas se arrependessem e se convertessem (At 3:19-20).
Aqui em Hebreus 10, o assunto é a obra consumada de Cristo na expiação. Ele
está assentado à direita de Deus porque a obra foi concluída. O fato de que aqui
Ele está assentado nos diz que a oferta a Israel, de ter o reino naquele tempo,
havia sido rescindida.
V. 14 – Tendo falado
sobre o que a obra de Cristo fez para a glória de Deus, o escritor fala então
do efeito imediato que Sua obra tem sobre o crente. Ele diz: “Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado
para sempre [em perpetuidade –
JND] aos que são santificados”. Os “santificados” são aqueles a quem Deus
separou para abençoar, ou seja, os crentes. Eles precisam que sua consciência
seja aperfeiçoada se forem permanecer em liberdade na presença de Deus como
adoradores. Isso vem por meio do entendimento e de crer na obra consumada de
Cristo. É realmente um fato grandioso que enquanto Cristo Se assenta à direita
de Deus em “perpetuidade” (v. 12 –
JND), o crente é aperfeiçoado em “perpetuidade”!
(v. 14). Um é dependente do outro. Uma obra perfeita foi feita por uma Pessoa
perfeita para tornar os crentes perfeitos. Este aperfeiçoamento da consciência
do crente é algo que aqueles que tinham fé sob o velho concerto não possuíam. [Há
outro aspecto de perfeição que os crentes obterão quando o Senhor vier no
Arrebatamento (Fp 3:12; Hb 11:40, 12:23) – a glorificação deles – (Rm 8:17, 23,
30; Fp 3:21). Contudo, esse não é o assunto aqui.]