A primeira é “a Palavra de Deus”. Ela beneficia toda pessoa que a manuseia com
um “coração honesto e bom” (Lc
8:15). Nesta passagem, a Palavra de Deus é mencionada em conexão com a
correção, que se levada a sério, será para nossa preservação no caminho do
deserto. W. Kelly disse: “A Palavra de Deus é a correção necessária, como vemos
aqui” (The Epistle to the Hebrews, pág.
73). O escritor prossegue dando algumas de suas características proeminentes
neste sentido:
A Palavra de Deus é “viva”. Isso significa que ela está
espiritualmente viva. Quando usada pelo Espírito de Deus, dá vida e luz às
almas (Jo 6:63; Sl 19:8, 119:130).
A Palavra de Deus é “eficaz”. Não há nada que possa impedir
sua ação; sempre realiza o que Deus pretende fazer ao enviá-la (Is 55:11).
Nenhum homem ou diabo é capaz de impedi-la.
A Palavra de Deus é “mais penetrante do que qualquer espada de
dois gumes”. Todos os que a usam descobrirão que ela tem uma dupla
aplicação. As questões morais e espirituais que aborda se aplicam aos outros,
assim como a nós mesmos; corta em ambas as direções.
A Palavra de Deus “penetra”. Se permitirmos que ela nos sonde
(Sl 139:23-24), penetrará na parte mais profunda de nosso ser e dividirá entre
o que é alma e o que é espírito em nós. (O escritor fala de “juntas e medulas” no sentido figurado
para indicar a parte interior de nosso ser). Ela detecta e expõe, e assim nos
torna conscientes de motivos profundamente arraigados em nossos corações que de
outra forma não estaríamos conscientes deles. Aprendemos com isso que a “alma e espírito” estão intimamente
ligados e difíceis de distinguir. Assim sendo, muitos foram movidos por suas íntimas
emoções em algum assunto e imaginam que tenha sido uma coisa espiritual. Por
exemplo, podemos estar pensando em dar certo passo na vida que acreditamos ser
baseado em motivos espirituais. Mas quando um princípio da Palavra de Deus é
trazido para lidar com o assunto, ele traz à luz que tal passo é realmente gerado
por motivos naturais e carnais, e não é algo espiritual de forma alguma. Assim,
a Palavra de Deus retira toda a pretensa e superficial profissão e expõe
tendências ocultas em nossos corações que podemos não saber que existiam.
Por último, a Palavra
de Deus “é apta para discernir (julgar)
os pensamentos e intenções do coração”.
A palavra grega traduzida “discernir”
pode ser traduzida como “julgar”
como na tradução de W. Kelly. Assim, a Palavra não apenas detecta e expõe os
males ocultos em nossos corações – ela condena todo mal que expõe! É a mesma
palavra em grego da qual obtemos a palavra “crítico”. Homens, em sua
ignorância, ousam criticar a santa e infalível Palavra de Deus, mas na verdade
deveriam estar deixando que ela os criticasse. Assim, a Palavra de Deus nos
julga; nós não a julgamos!
O escritor prossegue
dizendo: “E não há criatura alguma
encoberta diante d’Ele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos
daqu’Ele com Quem temos de tratar” (v. 13). Ele traz isto para mostrar que
se permitirmos que a Palavra de Deus nos sonde e nos julgue como deveria, nos
dará um senso consciente do que temos de tratar com Deus em relação àquelas
coisas que Sua Palavra detectou. Toda pessoa íntegra, portanto, tomará o lado
de Deus contra o mal em seu coração e julgará aquilo que é inconsistente com
Sua santidade. Males que certamente iriam desviar o crente, se deixados a se
desenvolver, são, portanto, “cortados pela raiz”. Consequentemente, somos
capazes de evitar muitas das armadilhas que, certamente, nos fariam tropeçar no
caminho, se esses males não fossem, assim, expostos e julgados. Este exercício
pode ser doloroso e humilhante, mas é o modo de Deus nos preservar. Isso mostra
que nosso coração é excessivamente enganoso e não devemos confiar nele (Jr 17:9;
Pv 28:26). Este exercício de julgar a nós mesmos nos coloca em um estado correto
para nos beneficiarmos da próxima provisão que Deus nos deu nos próximos versículos.