Cap. 10: 32-39 – Os
versículos finais do capítulo são cheios de encorajamento para aqueles que eram
verdadeiros crentes. Eles estavam sofrendo perseguição da massa incrédula da
nação. Sob essa pressão, estavam ficando cansados e duvidosos no caminho. Era
imperativo que esses irmãos continuassem com perseverança no caminho de fé. Com
o fim de encorajá-los, o escritor passa a definir três coisas diante deles que não deveriam perder de vista. Se essas
coisas fossem mantidas brilhando intensamente diante de suas almas, certamente
seriam motivados a continuar no caminho. Essas três coisas farão o mesmo por
nós.
1) TEMOS “UMA
POSSESSÃO MELHOR E PERMANENTE”
Vs. 32-34 – “Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes
iluminados, suportastes grande combate de aflições. Em parte, fostes feitos
espetáculo com vitupérios e tribulações e, em parte, fostes participantes com
os que assim foram tratados. Porque também vos compadecestes dos que estavam
nas prisões e com gozo permitistes a espoliação dos vossos bens, sabendo que,
em vós mesmos, tendes nos céus uma possessão melhor e
permanente.”
A primeira coisa que o escritor não queria que perdessem de vista era
as grandes possessões espirituais que
tinham em Cristo. Essas bênçãos e privilégios são extremamente preciosos e
estão muito acima de qualquer coisa que os judeus tiveram no judaísmo. Na
verdade, são as mais altas bênçãos conferidas que Deus já deu (ou dará) a
qualquer uma das Suas criaturas! Assim, por meio da graça, os Cristãos têm um
lugar especial diante de Deus que todos os outros em Sua família abençoada não
têm, por meio de sua ligação com Cristo pela habitação do Espírito Santo. Por
isso, são chamados “a igreja dos
primogênitos” (Hb 12:23). (O termo “primogênito”
refere-se a ter a preeminência sobre os outros.) Os Cristãos não poderiam ser
mais abençoados (Ef 1:3).
Esses crentes hebreus
já haviam tido uma perspectiva correta sobre essas coisas espirituais quando
foram “iluminados” pela primeira vez
e salvos pelo evangelho e precisavam ser relembrados dessa forma de pensar. Por
isso, ele diz: “Lembrai-vos, porém, dos
dias passados ...”. Quando
partiram pela primeira vez no caminho Cristão, entenderam que a porção deles em
Cristo era algo especial e consideraram um privilégio terem sido julgados como
dignos de sofrer por essas coisas. Como resultado, eles alegremente suportaram “grande combate de aflições”. Quando
foram publicamente envergonhados por seus compatriotas, sendo “feitos espetáculo com vitupérios e
tribulações”, aceitaram isso sem retaliação, porque entenderam que era tudo
parte do sofrimento por Cristo. Mesmo quando seus “bens” (posses materiais) eram saqueados pela hostilidade dos
outros, aceitavam esses contratempos “com
gozo”. A razão pela qual eram capazes de suportar essas coisas de maneira
tão notável era que sabiam que tinham
“uma possessão melhor e permanente”
em Cristo. Como resultado, viram que por essas coisas valia a pena viver e
sofrer.
Mas, infelizmente,
sendo bombardeados com a oposição, estavam se desencorajando no caminho e
perdendo suas convicções iniciais. Por isso, vem esta exortação do escritor.
Seu remédio para eles era retornar à sua forma de pensar inicial que eles
tinham como novos Cristãos – mas não para retornar ao judaísmo. Precisavam se
restabelecer em suas convicções, considerando novamente o que havia sido
colocado em suas mãos. Então mais uma vez perceberiam que era um grande
privilégio ter recebido aquelas coisas preciosas.
Da mesma forma, para
nós, nada nos motiva mais a prosseguir no caminho de fé com mais convicção do
que ter consciência do que foi colocado em nossas mãos. Se tomarmos um momento
para contar nossas muitas bênçãos em Cristo, o que nos diferencia de todas as
outras criaturas abençoadas de Deus, veremos imediatamente que realmente nos
foi dado algo especial. Seria subestimar dizer que é um privilégio ser um Cristão.
2) O SENHOR
ESTÁ VINDO MUITO EM BREVE
Vs. 35-37 – “Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado
galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a
vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um poucochinho de
tempo, e O que há de vir virá e não tardará”. A segunda coisa que esses crentes hebreus não deveriam perder de
vista era que o Senhor viria em breve — em “um
poucochinho de tempo [bem pouco
tempo – TB]” E, Ele irá trazer
uma recompensa especial com Ele para aqueles que fizeram a “vontade de Deus” (Ap 22:12).
Trazer a vinda do
Senhor como ele faz aqui foi certamente calculado para motivar esses queridos
crentes a continuar no caminho até aquele momento, pois para a fé, ela não
estava longe. Da mesma forma, a iminência de Sua vinda deve nos motivar a
continuar no caminho. Se eles esperassem que o Senhor viesse em seus dias,
quanto mais deveríamos nós que vivemos muitos séculos depois? Não vai demorar
muito agora! A versão King James diz “tardará”,
mas deveria ser “atrasará” (JND). O
Senhor tardou (esperou) por quase 2.000 anos, porque não era ainda o tempo de o
Pai enviá-Lo. Mas quando chegar a hora, Ele não Se atrasará para vir e nos
levar para casa. (Compare Sl 19:5.)
3) RECUAR
DESAGRADA AO SENHOR
Vs. 38-39 – “Mas o justo viverá da [por
– JND] fé; e, se ele recuar, a Minha
alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a
perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma”. A terceira coisa que esses queridos irmãos
não deveriam perder de vista era que, se escolhessem recuar no caminho de fé,
isso desagradaria ao Senhor.
Nestes versículos, o
escritor fala sobre os que podem “recuar”,
o que “qualquer homem” (KJV)
(crentes incluídos) pode fazer, e sobre os que “se retiram para perdição” (apostasia) que somente os crentes
meramente professos podem fazer – renunciando a sua profissão de fé em Cristo.
Ambas as coisas têm a ver com afastamento, mas uma (apostasia) é infinitamente
pior. Como mencionado anteriormente, os verdadeiros crentes não podem apostatar
da fé, mas podem ser afetados pela corrente da apostasia que opera na
Cristandade nestes últimos tempos (1 Tm 4:1), levando-os a desistir de certos
princípios e práticas que já tiveram.
Toda pessoa que está
pensando em recuar no caminho – mesmo que pense que é apenas um pouco – precisa
ser lembrada de que, ao fazer isso, traz à questão a possibilidade da correção
do Senhor. Ele ama Seu povo e não permitirá que siga em um caminho de injustiça
ou de comprometimento sem exercer disciplina em suas vidas para trazê-los de
volta (Hb 12:5-11; Os 2:6-7). Assim, recuar no caminho muitas vezes traz
problemas indesejados em nossas vidas e, portanto, não deve ser visto como uma
opção. A vida no caminho de fé é difícil o suficiente sem que nós tragamos
problemas adicionais em nossas vidas por meio de nossa negligência e
desobediência.
A única coisa lógica a
fazer é seguir no caminho e buscar a graça de Deus para suportar as
dificuldades e problemas que vêm de viver em obediência à Sua Palavra. O
escritor cita Habacuque 2:4 para mostrar que “o justo” deve viver “por fé”
(JND), pois é normal para o filho de Deus, independentemente da dispensação
em que vive, como o próximo capítulo (11) mostra. Portanto, há a necessidade de
andar “em temor, durante o tempo da vossa
peregrinação”, sabendo que, se desagradarmos o Senhor de alguma forma, poderemos
“invocar” nosso Pai a trazer um
julgamento governamental em nossas vidas para nos corrigir (1 Pe 1:17).