Caída – Apostasia

V. 6 – Tendo listado alguns dos privilégios externos relacionados com a vinda de Cristo ao mundo (Seu primeiro advento), o escritor adverte os hebreus da seriedade de desprezar essas coisas e retornar ao judaísmo, o que seria apostasia. Pegando o fio das coisas do versículo 4, Ele diz: “Porque é impossível que os que ... caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e O expondo ao vitupério” (TB). Cair é a apostasia (Lc 8:13; 2 Ts 2:3; 1 Tm 4:1; Hb 3:12). É um abandono formal da fé que uma pessoa uma vez professou. Neste caso, está se afastando da revelação Cristã da verdade, depois de abraçá-la.
Um apóstata é diferente de um que rejeita o evangelho. Um que rejeita nunca professou crer no evangelho, mas um apóstata professou ter crido. Apostatar da fé é algo que somente alguém sem vida, um crente meramente professante, faria. Voltar e ser reintegrado na sinagoga e tudo o que isso representa seria concordar com aqueles nessa posição que rejeitaram e crucificaram o Senhor Jesus. A pessoa que faz isso, em essência, está crucificando o Filho de Deus mais uma vez! Quão solene isso é. Tal passo é tão final que não há recuperação para isso! Uma vez que uma pessoa apostata, não há esperança de ela retornar em “arrependimento”. F. B. Hole disse: “Você notará que a palavra aqui é ‘impossível’ e não ‘improvável’.” Judas Iscariotes é um exemplo. Mesmo que ele não tenha sido exposto à plena luz do Cristianismo, porque o Espírito ainda não havia chegado, ele viu e participou das coisas descritas nos versículos 4-5 – mas, infelizmente, se afastou delas para sua própria condenação.
Um verdadeiro crente não apostatará. Ele pode se desviar e caminhar longe do Senhor, mas não abandonará a fé. Se os verdadeiros crentes se afastam do Senhor, as Escrituras geralmente falam de seu desvio como “tropeço” (2 Pe 1:10 – Tradução de W. Kelly; 1 Jo 2:10; Jd 24), em vez de cair. Assim, os crentes podem tropeçar, mas eles não caem, no sentido de apostatar. W. Scott disse sucintamente: “Para recaída existe um remédio; para apostasia não há nenhum” (Doctrinal Summaries, pág. 44). Muitos Cristãos não sabem a diferença entre recaída e apostasia, e muitas vezes confundem as duas coisas. Eles tomarão Escrituras que se referem a crentes meramente professantes que estão em perigo de apostatar e imaginam que aquelas Escrituras estão se referindo a verdadeiros crentes. E assim, levou muitos à conclusão errônea de que um crente pode perder sua salvação se pecar e se afastar do Senhor. Mas essa ideia errônea nega a eterna segurança do crente, que a Escritura afirma claramente (Jo 10:28-29, etc.)
Vs. 7-8 – O escritor acrescenta uma ilustração figurativa à sua advertência para provar que participar da bênção de forma aparente não converte uma pessoa. “Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada”. Isso ilustra os dois tipos de coração que existe entre os homens. Um é comparado a um bom pedaço de terra e o outro a um solo ruim. Ambos recebem a chuva que Deus dá, mas um produz frutos e o outro apenas urtiga – que servem apenas para acender um fogo (um símbolo do julgamento de Deus). Da mesma forma, o “bom terreno” no verdadeiro filho de Deus produzirá frutos para Deus (Lc 8:15), mas o mau terreno em um crente meramente professo será evidente ao se afastar da fé e seu fim será julgamento.