O escritor usa quatro figuras para enfatizar a segura esperança
que temos em Cristo por Sua entrada no santuário celestial. Enquanto esperamos
a nossa entrada física quando seremos glorificados, podemos entrar naquele
santuário celestial agora em espírito para adoração e oração (Hb 10:19-22). Em
um dia vindouro vamos entrar lá corporalmente.
UMA CIDADE DE
REFÚGIO (v. 18)
Em
primeiro lugar, nós, que cremos, somos vistos como “os que pomos o nosso refúgio em reter a
esperança proposta”. Isso é uma alusão às cidades de refúgio para as quais
uma pessoa culpada podia fugir para se abrigar do julgamento (Dt 19:1-13; Js
20:1-9). A pessoa estaria segura lá enquanto o sumo sacerdote vivesse (Js
20:6). A boa notícia para nós é que Cristo tem “um sacerdócio perpétuo”; Ele nunca mais morrerá, pois “vive sempre para interceder” por nós
no santuário! (Hb. 7:24-25 – AIBB). Assim, estamos seguros em nossa eterna proteção
do julgamento.
UMA ÂNCORA (v. 19)
Em
segundo lugar, a “esperança”
que temos em Cristo no santuário celestial é como uma “âncora” lançada naquele porto para o qual estamos viajando. É “segura e firme”, garantindo-nos que
finalmente chegaremos a esse destino.
UM PRECURSOR (v. 20)
Em terceiro
lugar, Cristo é o nosso “Precursor”
que foi à frente para fazer todos os preparativos em vista de nossa chegada em
boa posição. O fato de que Cristo é nosso Precursor garante que entraremos no
lugar onde Ele está. A entrada do nosso Precursor é uma garantia de que, onde
Ele está agora, nós também o seguiremos mais tarde.
UM SUMO
SACERDOTE (v. 20)
Em
quarto lugar, Cristo foi para o santuário celestial
como nosso “Sumo Sacerdote”, tendo
um sacerdócio que é “segundo a ordem de
Melquisedeque”. É um sacerdócio eterno com uma dupla função. Na história,
Melquisedeque trouxe uma bênção de Deus para
Abraão, e recebeu dízimos de Abraão
para apresentar a Deus (Gn 14:18-20; Hb 7:1-2). Isso significa o ministério da
bênção de Deus, não somente a Abraão, mas a todos os que são seus filhos por
fé, e significa trazer sua adoração a Deus. Visto que a bênção vinda de Deus aos remidos será eterna e a
adoração oferecida a Deus pelos
remidos também será eterna, isso requer que um sacerdote ministre essas coisas de e para
Deus eternamente. É isso que temos no sacerdócio de Cristo. O escritor prova
isso citando novamente o Salmo 110: “Tu
és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 5:6,
6:20, 7:17).
Ao ressuscitar de entre
os mortos, o Senhor foi empossado no ofício de Seu sacerdócio da ordem de Melquisedeque.
Mas a presente função de Seu
sacerdócio hoje é segundo o modelo de Aarão. Como nosso grande Sumo Sacerdote,
o Senhor vive hoje na presença de Deus para interceder por nós e, assim,
ajuda-nos pelo deserto rumo ao nosso destino celestial. Contudo, quando Ele
aparecer, Ele cessará desta obra de intercessão e entrará na função de Seu
sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. Consequentemente, Ele está nesse ofício
hoje, mas não está atuando como tal. Mas, quando vier, nossas esperanças n’Ele
serão realizadas. Seremos glorificados com Ele em uma demonstração pública durante
o Seu reinado como Rei e Sacerdote.
Assim, Cristo entrou no
véu do santuário celestial de quatro
maneiras diferentes e por quatro razões
diferentes – todas as quais são calculadas para dar ao crente uma esperança
segura. Ele está lá como nosso Refúgio do julgamento, como nossa Âncora
garantindo nossa chegada segura lá, como nosso Precursor preparando tudo para
nós lá, e como nosso Sumo Sacerdote intercedendo por nós no caminho até lá.
Essas coisas certamente foram um encorajamento para que esses crentes hebreus
continuassem no caminho Cristão, e deveriam ser para nós também.
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