Vs. 8-22 – Este segundo
grupo de santos são os “pais” da
nação de Israel (At 26:6; Rm 9:5, 11:28, 15:8, etc.) Eles são chamados “os patriarcas” – começando com Abraão
(Hb 7:4) e descendo até os doze filhos de Jacó (At 7:8). Como mencionado, este
grupo de santos ilustra a fé que se apodera do mundo vindouro e, consequentemente,
deixa de lado as ambições neste presente mundo. Isso, por sua vez, os faz
dispostos a andar como estrangeiros e peregrinos neste mundo.
ABRAÃO (v. 8)
Abraão ilustra a fé que responde ao
chamado de Deus, embora tenha sido um chamado para algo que não podia ver com seus
olhos. Ele foi “chamado ... para um
lugar” de bênção que foi lhe prometido. Sua fé o levou a responder, e “saiu, sem saber para onde ia”. Isso
pode parecer tolo aos olhos daqueles que observaram seus passos, mas era a
vontade de Deus. O escritor menciona esse ponto porque era exatamente o que os
crentes hebreus precisavam fazer em princípio. Abraão teve que deixar sua
posição anterior em Ur dos caldeus e sair para um novo lugar que ele não tinha
visto. Da mesma forma, os crentes hebreus ouviram o chamado de Deus no
evangelho para sair de sua posição anterior no judaísmo para Cristo, mesmo que
houvesse exteriormente muito pouco a se ver exteriormente no Cristianismo.
Vs. 9-10 – A fé de
Abraão levou-o a ir a uma terra que lhe fora prometida, e ele e sua posteridade
(“Isaque e Jacó”) eram felizes em
viver lá como estrangeiros e peregrinos. Embora a terra de Canaã tivesse sido
dada a ele por herança, Abraão não tentou tomar posse dela expulsando os povos
de lá, mas viveu nela em separação deles. O que o sustentou foi sua fé. Estava
olhando para algo não visível. O escritor nos diz que “(Abraão) esperava a cidade
que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é Deus”. Isto, nos é
dito no capítulo 12:22, era a “cidade do
Deus vivo, à Jerusalém celestial”. O que Abraão conhecia das coisas
celestiais e eternas não nos é dito, mas elas cativaram seu coração e fizeram
com que andasse em um caminho diferente dos outros homens.
Não só essas coisas
invisíveis cativaram o coração de Abraão, como ele conseguiu transmitir as
convicções de sua fé para sua posteridade. Isto é evidente pelo fato de que estavam
também “habitando em tendas” (AIBB)
– um sinal característico de um peregrino. Este foi um contraste marcante para
Ismael e sua posteridade. Eles construíram para si “vilas” e “castelos” e
nomearam alguns como “príncipes” (Gn
25:12-18). Estar contente em viver em uma tenda nos mostra que Abraão não tinha
a intenção de se estabelecer nesse ambiente, nem tinha qualquer desejo de se
distinguir no mundo. Semelhantemente, com esses crentes hebreus que estavam procurando
se libertar de seus laços no judaísmo; se a magnitude de suas bênçãos espirituais
em Cristo fosse abraçada, essas coisas os fariam abandonar as coisas externas
da religião terrena.
SARA (vs. 11-12)
Sara ilustra a fé que confia em Deus
apesar das impossibilidades naturais. Sua confiança estava na Palavra de Deus.
Deus havia prometido um filho a Abraão e Sara, e eles creram n’Ele. Ele cumpriu
a Sua Palavra, e Sara “recebeu a virtude
de conceber [semente] e deu à luz já fora da idade”. Da
mesma forma, tendo confiado no Senhor Jesus Cristo, esses crentes hebreus
podiam contar com Ele para ajudá-los a superar dificuldades impossíveis no
caminho de fé.
Vs. 13-14 – O escritor,
então, resume o que caracterizou a fé desses patriarcas e a coloca diante dos
crentes hebreus como modelo para a fé deles. Ele diz: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas”. Isso
não contradiz o capítulo 6:15, que afirma que Abraão recebeu a promessa. Estes versículos
estão falando de duas coisas diferentes. Capítulo 6:15 está se referindo a
Abraão recebendo um filho e tendo uma
posteridade por meio dele; aqui no capítulo 11 são promessas em conexão com a herança em Canaã. Além disso, o “todos” ao qual o escritor se refere
neste versículo são todos aqueles desse grupo de santos patriarcais. Se ele
estivesse se referindo a todos mencionados até agora no capítulo, ele estaria
contradizendo o que disse sobre Enoque que não morreu. Seu ponto em afirmar
isso é que a fé desses antigos santos os levou a iniciar um caminho, e suas
convicções a respeito eram tão profundas que continuaram nesse caminho até o
fim de suas vidas – não voltaram atrás. Viveram e morreram pelo que a fé deles
viu. Da mesma forma, os crentes hebreus precisavam desse tipo de fé e convicção
a respeito do passo que haviam dado ao vir a Cristo e perseverar nisso.
O que impulsionou esses
homens e mulheres ao longo da vida foi a fé deles. Essa fé viu as coisas que
foram prometidas por Deus, embora elas estivessem “longe” no tempo. Eles foram “persuadidos”
por elas e seguiram “abraçando-as”
em seus corações e, como resultado, viveram uma vida que “confessou” em que os seus corações estavam envolvidos. O escritor
diz que aqueles que traçam tais trajetórias mostram “claramente” que estão vivendo para outra “pátria”, e não para este mundo. Aqueles queridos santos do passado
olharam para além das coisas que são visíveis e abraçaram coisas invisíveis, e isso
produziu um efeito prático em suas vidas que os fez andar como “estrangeiros e peregrinos” neste
presente século mal.
V. 15 – O escritor
acrescenta: “E se, na verdade, se
lembrassem daquela (pátria) de onde
haviam saído, teriam oportunidade de tornar”. Isto é, se permitissem que
suas mentes permanecessem na velha pátria de onde tinham vindo (a Mesopotâmia),
isso teria o efeito de arrastá-los de volta para ela em seu coração – e para aonde
o coração vai, os pés o seguirão. Não demoraria muito para que eles voltassem
para aquela terra. Mas não fizeram isso; mantiveram seus olhos e seus corações
no que lhes havia sido prometido, e isso os motivou a continuar no caminho de
fé. Isso serviu como advertência preventiva para esses crentes hebreus que
estavam sob pressão para voltar ao judaísmo. Se mantivessem seus pensamentos
sobre os dias de outrora no templo e suas conexões ali, etc., isso teria um
efeito negativo sobre eles e, por fim, os atrairiam de volta a ele. Portanto,
era importante que seguissem o exemplo dos patriarcas e mantivessem suas mentes
fixas no que tinham em Cristo (Cl 3:1-2).
V. 16 – A fé daqueles antigos
santos agiu como um telescópio espiritual que trazia as coisas celestiais à
vista. Confiaram na Palavra de Deus quanto às promessas e desejaram “uma (pátria) melhor”, que era “celestial”,
e assim Deus aprovou sua fé. Ele não se envergonhou de “Se chamar Seu Deus” e alegremente identificou a Si mesmo com eles.
Não ficarão desapontados; Deus “preparou
uma cidade” no alto para eles a qual alcançarão no dia de sua ressurreição.
Até então, suas almas e espíritos desencarnados estarão com Cristo no alto (Fp
1:23).
Vs. 17-19 – Abraão é
mencionado novamente para mostrar que Deus testa a fé. De fato, todos os que
seguem o caminho de fé serão, cedo ou tarde, testados. A Abraão foi-lhe dito
que oferecesse a seu filho Isaque – aquele que tinha esperado tanto e por quem
as promessas seriam cumpridas. Humanamente falando, fazer isso não tinha
sentido, mas Abraão não permitiu que o que ele não entendia impedisse sua
obediência a Deus. E como resultado, diz: “Pela
fé Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque”. O teste para ele foi provar se
estaria disposto a deixar aquilo que era muito querido para seu coração a fim
de obedecer a Deus. Como sabemos, ele passou pelo teste maravilhosamente. Ele
teria matado Isaque se o Senhor não tivesse intervindo (Gn 22:10-12). Mil
coisas podem ter passado por sua mente a respeito de por que Deus iria querer
isso, mas Abraão foi adiante sem agir de acordo com seus próprios pensamentos e
preferências, e obedeceu a Deus.
O escritor continua nos
dizendo como Abraão foi capaz de passar no teste de sua fé; “considerou que Deus era poderoso para até
dos mortos o ressuscitar; e daí também, em figura, ele o recobrou”. Isso
foi bastante notável, pois até aquele momento na história não havia nenhum
registro conhecido de alguém ressuscitando dentre os mortos. Mesmo que Abraão
não tenha realmente matado Isaque, ele recebeu crédito por acreditar na
ressurreição e, de certo modo, ele “recobrou”
Isaque dos mortos de maneira figurativa. O escritor foi levado pelo Espírito
para definir este incidente diante dos hebreus como um exemplo para seguirem. O
assunto que estavam enfrentando sobre deixar o judaísmo para o Cristianismo foi
definitivamente um teste de sua fé. Eles amavam muito sua herança no judaísmo,
mas estavam dispostos a deixar isso para obedecer a Deus? Colocariam a vontade
de Deus diante de seus próprios desejos naturais? Abraão o fez, e foi o grande
exemplo para eles.
ISAQUE (v. 20)
O escritor passa para a fé de Isaque.
Ele diz: “Pela fé Isaque abençoou a Jacó
e a Esaú no tocante às coisas futuras”. Nisso, Isaque é um exemplo de
alguém que anda na luz do futuro, quando as promessas seriam realizadas. Da
mesma forma, os crentes hebreus deviam ter a visão de Isaque e viver em vista
da “esperança” Cristã (cap. 10:23).
Olhar para frente em fé é uma coisa saudável para o peregrino que anda por fé;
mantém seu coração e mente em “coisas futuras”
e longe das coisas deste mundo.
JACÓ (v. 21)
Realmente não havia muito no início de
vida de Jacó que fosse de fé, mas quando passou por várias circunstâncias e
pelas disciplinas que Deus designou para ele, cresceu espiritualmente com sua
idade. Em seus últimos dias, manifestou uma inteligência que a fé dá a um
crente. De fato, de todos os patriarcas, apenas dele se diz que “adorou!” Ele fez isso “encostado à ponta de seu bordão”.
Então “abençoou cada um dos filhos de
José” com uma inteligência que mostrou que entendia algo do fim da primeira
ordem do homem na carne e a introdução de uma nova ordem que viria – cruzando
as mãos “propositadamente” (AIBB) ao
abençoá-los (Gn 48:5-14). É difícil saber o quanto disso Jacó realmente
entendeu, mas é algo que os crentes hebreus fariam bem em seguir. Toda a ordem
de adoração no judaísmo, que serve ao primeiro homem, foi posta à parte por uma
nova ordem de coisas segundo o novo homem em Cristo. Eles precisavam aceitar
esse fato.
JOSÉ (v. 22)
José é outro exemplo de fé que olha para
o futuro. Em vez de olhar para trás para seus dias de glória no Egito, olhou
para a glória de Israel na terra de Canaã, e mostrou onde seu coração estava ao
dar “ordem acerca de seus ossos”.
Entendeu que não estaria vivo para ver isso, mas queria que seus ossos fossem
enterrados naquele lugar que a fé dele havia estabelecido.