Vs. 4-6 – Isso leva o
escritor a falar mais especificamente sobre o perigo da apostasia. Ele menciona
cinco privilégios externos que o Cristianismo
trouxe ao mundo. Ele diz: “Porque é
impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e
se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa Palavra de Deus, e
os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para
arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de
Deus, e o expondo ao vitupério” (AIBB). À primeira vista, pode parecer que
ele está se referindo aos privilégios que pertencem àqueles que receberam a
Cristo como seu Salvador, mas na verdade, uma pessoa pode participar de todas essas
cinco coisas sem ser salva! Identificando-se externamente com a companhia Cristã,
uma pessoa sem vida divina (um crente meramente professo) pode participar e
experimentar essas coisas. O ponto que o escritor está trazendo aqui é que ser
identificado com o testemunho Cristão é de grande vantagem, mas também o torna
muito responsável. Ele fala de certos privilégios externos que tal pessoa tem:
1) Foram “iluminados”
Uma pessoa se torna iluminada por ouvir
a verdade apresentada no evangelho; isso o torna informado. Isso não significa que tenha crido no
evangelho e tenha recebido a Cristo como seu Salvador. A iluminação não é um
novo nascimento e nem salvação. No entanto, ser iluminado faz com que alguém
seja muito responsável, pois Deus tem uma pessoa responsável pelo grau de luz
que lhe foi dado e será julgada de acordo com isso (Lc 12:47-48).
2) “Provaram o dom celestial”
Isto se refere à revelação Cristã da
verdade – a “fé que uma vez foi dada aos
santos” (Jd 3). É esse “bom depósito”
da verdade que devemos manter (2 Tm 1:14; Ap 3:11). Uma pessoa poderia entrar
em reuniões Cristãs, onde essas verdades celestiais são expostas e provar
dessas coisas de uma forma exterior, ouvindo sobre elas. (Nota: “provaram” implica que saborearam algo
sem necessariamente ingerir).
3) Se fizeram “participantes do Espírito Santo”
Ele não diz que a pessoa é habitada pelo
Espírito, mas sim “participante” do
Espírito. O Espírito não apenas reside nos
crentes no Senhor Jesus Cristo, mas também habita entre os crentes na casa de Deus (Jo 14:17; At 2:1-4). Um
incrédulo, ou um crente meramente professo, pode estar entre os Cristãos onde o
Espírito de Deus está operando e de uma maneira externa, participar das coisas que
estão acontecendo entre eles. Desta forma, é participante do Espírito sem ser
salvo e selado com o Espírito. Nota: a palavra no texto grego traduzido como “participantes” aqui é meteko, que indica um compartilhamento
em algo sem especificar em que grau o compartilhamento ocorre. O escritor não
usa koinoneo – a palavra usual para
participar que indica um compartilhamento comum completo em uma coisa. Assim, a
participação neste versículo refere-se a um compartilhamento superficial ou
parcial. (Compare o uso dessas duas palavras gregas no capítulo 2:14 “E, visto como os filhos participam [koinoneo] da carne e do sangue, também Ele participou [meteko] das mesmas coisas”).
4) “Provaram da boa Palavra de Deus”
Isto se refere a ouvir as Escrituras
expostas nas reuniões sem especificar se a verdade que foi ensinada tenha sido
realmente recebida em fé. Mais uma vez, provar indica uma coisa superficial.
Uma pessoa pode ouvir e entender a verdade da Palavra de Deus, sem receber e crer
nela.
5) Provaram “os poderes do mundo vindouro”
Isto se refere aos milagres que foram
feitos no círculo Cristão que uma pessoa podia ver, e até experimentar. É bem
possível que um mero professante tenha sido curado por esses poderes
miraculosos, enquanto estava entre os Cristãos.