A segunda coisa que Deus usa para nos
preservar no caminho é o sacerdócio de Cristo. O escritor diz: “Visto que temos um grande Sumo Sacerdote,
Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus,
retenhamos firmemente a nossa confissão”. Ele chama o Senhor Jesus Cristo
de “grande Sumo Sacerdote”. Houve
uma longa sucessão de sumos sacerdotes na história de Israel, mas nenhum deles
foi dito ser grande. Isso em si distingue Cristo de todos os outros. Ele “penetrou nos céus” para levar adiante
Seu serviço sacerdotal na presença imediata de Deus no santuário celestial (Hb
8:1-2, 9:24). Isso também O separa daqueles sacerdotes do Velho Testamento,
pois nenhum sacerdote naquela administração jamais subiu ao céu para ministrar!
Aarão passava pelo átrio exterior do tabernáculo, pelo lugar santo, para o
lugar mais santo de todos (o santo dos santos – v. 25 – ARA) uma vez por ano,
mas o tabernáculo em que ele servia era um mero modelo do verdadeiro santuário
no qual Cristo entrou e habita como nosso Sumo Sacerdote (Hb 8:5).
O uso pelo escritor do
nome terreno do Senhor “Jesus” destaca
o fato de que Ele é um Homem real que sabe o que é andar neste mundo. Como
resultado, Ele pode Se relacionar totalmente com nossas circunstâncias como
homens na Terra. O Senhor também é chamado de “o Filho de Deus” aqui. Isso enfatiza Sua divindade e significa que
Ele tem todos os atributos da divindade. Esses dois nomes do Senhor indicam que
Ele é humano e divino e O qualificam para ser nosso Sumo Sacerdote. Assim,
temos Alguém não menos do que o próprio Deus (na Pessoa do Filho) como nosso
Sumo Sacerdote! Com tal Pessoa no alto para interceder por nós (Rm 8:34) e nos
ajudar em nossa jornada terrena (Hb 2:18), somos exortados a reter “firmemente a nossa confissão”. Como
mencionado anteriormente, a permanência no caminho é a melhor maneira de demonstrar
a nossa veracidade. Nossa “confissão”
não é meramente uma confissão de Jesus como nosso Salvador; é a confissão de
todo o nosso chamado celestial (Hb 3:1). Não devemos abandonar isso para
seguirmos uma religião terrena, que é o que os hebreus foram tentados a fazer.
V. 15 – Ele diz: “Porque não temos um Sumo Sacerdote que não
possa compadecer-Se das nossas fraquezas; porém Um que, como
nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado [pecado à parte – JND]”.
Isso mostra que Cristo é plenamente capaz de Se compadecer de nós porque Ele é
um Homem que uma vez viveu aqui neste mundo e foi testado e provado como nós
somos. O escritor menciona dois tipos
de provações que encontramos no caminho para nosso descanso eterno – fraquezas e tentações. J. N. Darby confirmou isso e disse: “Tentações e fraquezas
não são a mesma coisa” (Collected
Writings, vol. 23, p. 291). A diferença é:
- Fraquezas
são provas ligadas ao nosso corpo físico.
- Tentações são provas ligadas à nossa alma e ao espírito.
Fraquezas são doenças, males
e outros desafios em conexão com nossos seres físicos, resultantes do que o
pecado tem feito na criação em geral (Lc 13:11-12; Jo 5:5; Rm 8:26; 2 Co 12:5, 9;
1 Tm 5:23, etc.) O Senhor não tinha fraquezas, pois Seu corpo era santo e não
podia ser afetado pelos efeitos corruptores do pecado (Lc 1:35). Por isso, Ele
nunca esteve doente. O Sr. Darby declarou: “Ao contrário do sacerdote judeu de
antigamente, Cristo não estava envolvido em nenhum sentido com fraqueza” (Notes & Jottings, pág. 256). Alguns
erroneamente pensaram que as fraquezas são necessidades humanas, como fome,
sede e cansaço, etc. – o que o Senhor certamente experimentou (Jo 4:6, 7, 31-33).
Mas estas não são fraquezas. W. Kelly disse: “Há uma noção muito prevalente
entre os teólogos e seus seguidores de que o próprio Senhor bendito estava
cercado de fraquezas. Onde essa afirmação é garantida na Escritura? Chamam de fraqueza
um homem aqui embaixo comer, beber, dormir ou sentir a falta dessas coisas? ...
ninguém seguramente deveria declarar algo de Cristo o que a Escritura não declara”
(Christ Tempted and Sympathizing” págs.
45-46).
Embora o Senhor pessoalmente
não tivesse fraquezas, Ele, no entanto, “tomou
sobre Si as nossas enfermidades [fraquezas
– JND]” (Mt 8:17). Isso mostra que
Ele não precisou experimentar a doença para ter compaixão de nós quando estamos
doentes. Ele Se compadece e intercede por nós como nosso Sumo Sacerdote em
relação às nossas fraquezas. Mas notemos que as fraquezas não são os pecados. O
Senhor nunca irá se compadecer de nossos pecados; Ele sofre por nós quando
permitimos pecados em nossas vidas, mas Ele não vai Se compadecer de nossos
pecados. Assim, Ele é tocado com o sentimento de nossas fraquezas, mas não com
nossos pecados.
Tentações, por outro
lado, são coisas como: sofrer reprovação, opressão e rejeição, ter problemas na
vida que pressionam nossos espíritos e produzem tristeza e desânimo, etc. Essas
são coisas que afligem particularmente a alma e o espírito (1 Co 10:13, Tg 1:2,
12, 1 Pe 1:6). O Senhor certamente foi tentado com esse tipo de tentação. De
fato, Ele foi tentado em cada teste com o qual um homem justo poderia ser
testado – como diz o escritor: “como
nós, em tudo foi tentado”. A nota de rodapé da Tradução JND traduz essa
frase “de acordo com a semelhança da
maneira em que somos tentados”. Por isso, Ele se compadece de nós em nossas
tentações (provações) por tê-las experimentado em Si mesmo.
Em conexão com as
tentações que o Senhor passou, o escritor abre uma exceção nas palavras: “Sem pecado”, ou como a tradução JND coloca:
“pecado à parte”. Ao afirmar isso,
ele alude ao fato de que há duas classes de tentações às quais os homens estão
sujeitos, uma das quais o Senhor não participou. Esses dois tipos de tentações
são:
- Tentações externas
e provas nas quais fé e paciência de alguém são testadas. Estas são as provas
externas que o inimigo procura usar para nos desviar do nosso chamado celestial.
Todas essas são provas santas (Tg 1:2-12).
- Tentações internas
que resultam de uma natureza pecaminosa agindo em nós. Todas essas são provas profanas
(Tg 1:13-16).
O argumento do escritor
ao dizer “pecado à parte” em conexão
com as tentações do Senhor é enfatizar o fato de que, embora tenha
experimentado a primeira classe de tentações externas, Ele não experimentou a
segunda classe de tentações pecaminosas, porque Ele não tinha uma natureza
pecaminosa (1 Jo 3:5). A versão King James infelizmente diz “sem pecado”, o que faz parecer que o
escritor quis dizer que o Senhor Se guardou de pecar em Sua vida. Embora seja
certamente verdade que o Senhor não cometeu pecados (1 Pe 2:22), esse não é o
ponto que está sendo levantado no versículo. Como mencionado acima, a frase
deveria ser traduzida como “pecado à
parte”. Isso significa que as tentações que Ele suportou não estavam na classe das tentações que
têm a ver com a natureza pecaminosa. Isso, como já dissemos, é porque Ele não
tinha uma natureza pecaminosa.
J. N. Darby disse: “Existem
dois tipos de tentações; uma é de fora, todas as dificuldades da vida Cristã;
Cristo passou por elas e passou por mais do que qualquer um de nós; mas o outro
tipo de tentação é quando um homem é levado por sua própria concupiscência e
seduzido. Cristo, claro, nunca teve isso” (Notes
and Jottings, pág. 6).
Debilidades em nosso
espírito, alma ou corpo não caracterizam o pecado (Mt 26:41), mas se deixarmos
essas coisas nos levarem a um mau estado de alma, isso pode produzir pecado em nossas
vidas, e Satanás tentará tirar vantagem do nosso baixo estado e fazer nos
desviar do caminho. Portanto, é importante manter uma boa atitude quando somos
tentados (Tg 1:2). Por isso, temos um Sumo Sacerdote que pode Se compadecer de
nós em todas as nossas santas provações, mas Ele não vai se compadecer de nossos
pecados.