Vs. 12-15 – Com Cristo
diante de nossas almas (vs. 1-4) e Deus trabalhando para o nosso bem nos bastidores
de tudo o que ocorre em nossas vidas (vs. 5-11), o escritor continua a dar
alguns simples incentivos para acompanhar as observações anteriores. Ele diz: “Portanto, levantai as mãos cansadas e os
joelhos vacilantes” (AIBB). As mãos cansadas e os joelhos vacilantes são
uma descrição de alguém desencorajado. Este era evidentemente o estado de
alguns dos santos hebreus naquele tempo. Seu remédio é simples; levante as mãos
que estão cansadas. Levantando “mãos”
(figurativamente falando) tem a ver com a oração (1 Tm 2:8). “Joelhos” também estão associados com a
oração (At 9:40, 20:36, 21:5; Ef 3:14). Por isso, ele os encoraja a orar. Tiago
fala da mesma forma: “Está alguém entre
vós aflito? Ore” (Tg 5:13). Entrar na presença de Deus dessa maneira
revitaliza nosso poder espiritual e nos ajuda a vencer o desencorajamento. Em
Sua presença, recarregamos nossas baterias espirituais e obtemos energia
renovada para continuar no caminho.
V. 13 – Então ele diz: “e fazei veredas direitas para os vossos
pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado”.
Isso mostra que, em momentos de desencorajamento, precisamos ter um cuidado
especial com o que fazemos e para onde vamos, porque, se nossos pés vagarem,
mesmo que seja um pouquinho, nosso mau exemplo pode levar outros a tropeçar.
Assim, precisamos manter nossos pés no caminho mais agora do que nunca. Não
podemos fazer “veredas direitas”
para os pés de outras pessoas, mas podemos cuidar aonde nossos pés vão e,
assim, ter cuidado para não desencorajar os outros. Evidentemente, havia alguns
entre esses crentes hebreus que estavam claramente tendo dificuldades em sua
caminhada, a quem denomina de coxo (“o
que manqueja”, figurativamente falando). Estes eram especialmente
vulneráveis. Seu desejo por eles era que não saíssem do caminho, mas, em vez
disso, fossem sarados. Se os mais fortes andassem em um caminho reto, após o
Senhor Jesus, seriam um encorajamento para os mais fracos, e talvez pudessem
conduzi-los à cura.
V. 14 – Deveriam seguir
“a paz com todos e a santificação, sem a
qual ninguém verá o Senhor” (v. 14). Isso, novamente, é santificação
prática. O contexto do capítulo 12 indica que, na maneira como fala disso aqui,
ver o Senhor é com os olhos da fé, como mencionado no versículo 2. (Veja também
o capítulo 2:9). Portanto, se não tivermos o cuidado de seguir santidade prática
em nossas vidas, perderemos a visão de Cristo no alto e certamente nos desviaremos
em nossas almas. A santificação prática é uma das três coisas indispensáveis
mencionadas na epístola. Elas são:
- Sem
“sangue” não há remissão de pecados
(cap. 9:22).
- Sem
“fé” é impossível agradar a Deus
(cap. 11:6).
- Sem “santificação” nenhum homem verá o Senhor (cap. 12:14).
Nota: “paz” e “santidade” são encontradas juntas no versículo 12. Se estiverem
separadas, será uma paz falsa, porque não podemos (corretamente) ter paz à
custa da santidade.
V. 15 – Ele acrescenta:
“tendo cuidado de que ninguém se prive
da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e
por ela muitos se contaminem”. Isso mostra que se perdermos o gozo das
coisas que a graça de Deus nos trouxe, e entrarmos em mau estado de alma,
provavelmente iremos causar problemas, espalhando nossa infelicidade entre
nossos irmãos. Uma “raiz de amargura”
é alguma queixa ou insatisfação que cresce subterraneamente (por assim dizer)
na alma de uma pessoa. Mas depois de algum tempo, vem à tona e afeta os outros.
Uma pessoa que é amarga desta maneira geralmente irá procurar por aqueles que
são de um espírito semelhante, e derramará suas queixas sobre eles. O resultado
é que “muitos” são contaminados.
Judas Iscariotes é um exemplo disso. Sua queixa de Maria ungir o Senhor com meio
quilo de nardo (por achar que era um desperdício) foi uma raiz de amargura que
afetou os outros apóstolos, que se deixaram levar por isso, criticando-a também
(Jo 12:3-8). Assim sendo, o escritor aconselha os crentes hebreus a observarem
diligentemente contra tal coisa brotando no meio deles e tomando cuidado para
não se deixarem influenciar por ela.