Cap. 4:1-11 – Depois de
fechar o parêntese no final do capítulo 3, o escritor retoma suas palavras de
advertência em conexão com os perigos de apostasia que enfrentavam os hebreus.
Ele lhes diz que eles precisavam “temer”
qualquer falta de fé e não entrar no “descanso”
(TB) de Deus. Isso mostra que havia um perigo
real de que alguns deles não alcançassem esse fim divino e terminassem
eternamente perdidos.
O “descanso” (TB) de Deus do qual ele fala neste capítulo é uma coisa
futura. Não é uma inscrição sobre uma
lápide. Nem é um descanso presente que o Senhor dá do fardo de guardar a lei
para aqueles que vêm a Ele (Mt 11:28-29). Nem é um descanso em nossas almas,
resultante do conhecimento de que o Senhor está no controle de todas as
circunstâncias em nossas vidas (2 Ts 1:7; Is 26:3). Nem é um descanso para os
nossos corpos cansados resultantes de se ocupar do serviço ao Senhor (Mc 6:31).
Como mencionado, é uma coisa futura que os santos alcançarão no Milênio. J. N. Darby
disse: “No capítulo 4, o repouso de Deus é deixado vago em seu caráter, a fim
de incluir tanto a parte celestial como a parte terrena do reino milenar do
Senhor” (Synopsis of the Books of the
Bible, sobre Hebreus 4). O repouso de Deus finalmente se estenderá ao
Estado Eterno. W. Scott disse: “O termo ‘Seu descanso’ em Hebreus 3-4 em sua
aplicação mais completa refere-se ao Estado Eterno” (An Exposition of the Revelation of Jesus Christ, pág. 416).
O versículo 2 diz: “Porque também a nós foram pregadas as boas
novas, como a eles”. Isto é, temos sido o objeto das boas novas de Deus,
como foram os filhos de Israel no passado. Mas isso não significa que ambos
tenham recebido a mesma mensagem de boas-novas. Nós recebemos o evangelho da graça
de Deus que apenas começou a ser pregado depois que a redenção foi realizada
(At 20:24). As boas-novas que Israel recebeu no deserto foram as “notícias” que os espiões trouxeram de
volta para o povo em Cades, concernente à boa qualidade de Canaã (Nm 13:26-27;
Dt 1:25). O perigo que o escritor está apontando aqui é que, como a informação que Israel ouviu
naquele dia de provocação, “não estava
misturada com a fé” e, portanto, de “nada
lhes aproveitou”, assim também
pode ser o caso agora com o evangelho que ouvimos.
V. 3 – Ele diz: “Porque nós, os que temos crido, entramos
no repouso”. Seu ponto aqui é que o crente, e somente o crente, entrará no
descanso de Deus. Ele deduz isso do Salmo 95 raciocinando no reverso do que é dito.
Se aqueles que não creem não entram, então são apenas aqueles que creem que entrarão.
F. B. Hole afirma que esta é uma maneira comum de se expressar nesse idioma.
Vs. 4-10 – O escritor,
então, procura provar pelas Escrituras que o verdadeiro descanso de Deus ainda
está por vir no futuro. O descanso de Canaã ao qual Josué trouxe Israel é
realmente uma sombra do descanso eterno de Deus. Ele enfatiza isso aqui porque
os judeus pensavam que o descanso de Deus era Canaã e nada mais. Ele diz: “embora fossem completadas as obras desde a
fundação do mundo, pois em certo lugar disse assim acerca do dia sétimo: E
descansou Deus no dia sétimo de todas as Suas obras” (TB). Esta é uma
citação de Gênesis 2:2. Ele traz isto para mostrar que desde o princípio da
criação Deus teve diante d’Ele um descanso final. Com isso aprendemos que há
duas coisas que caracterizam o Seu descanso. Uma é a Sua satisfação no que
realizou e a outra é a Sua cessação do trabalho. J. N. Darby afirmou que com a
queda do homem existe agora uma condição em que “a santidade não pode repousar
onde o pecado está, e o amor não pode repousar onde a tristeza está”. Uma vez
que Deus só pode descansar naquilo que satisfaz o Seu amor e santidade, fica
claro que ainda não entrou em Seu descanso. A esse respeito, portanto,
permanece um descanso por vir quando o Estado Eterno for alcançado, quando Deus
cessará de Sua obra (Ap 21:6 – “Está cumprido!”).
Até então, Ele não pode estar satisfeito enquanto o pecado existir no mundo, e
Ele tem trabalhado, em relação ao Seu propósito divino, desde que entrou o
pecado (Jo 5:17).
Vs. 5-6 – O escritor se
refere novamente ao Salmo 95, dizendo: “E
outra vez neste lugar: Não entrarão no Meu descanso” (TB) Como
mencionado anteriormente, esta é uma maneira hebraica de se expressar baseada
na citação original (o Salmo 95). Sua ênfase aqui está no verbo “entrarão”, que aponta para o futuro.
Isso mostra que o descanso final de Deus ainda está por vir.
Vs. 7-10 – O escritor
refere-se, novamente, ao Salmo 95; desta vez ele salienta o fato de que a
escrita do Salmo foi “muito tempo depois”
que Josué levou Israel para Canaã. No salmo, Davi falou de pessoas que estavam
em perigo de não entrar no descanso de Deus (Sl 95:11). Que descanso ele
poderia estar se referindo se Israel já tivesse sido trazido para o seu descanso
por Josué centenas de anos antes? O raciocínio do escritor é que, se Josué “lhes houvesse dado repouso”, por que
Davi “teria depois falado de outro dia”
(TB) de descanso? (A KJV e a JND dizem: “Jesus”
aqui, que é a forma grega para “Josué”).
Sua conclusão é que “resta, portanto, um
descanso para o povo de Deus”, que ainda está por vir. No versículo 10, ele
lembra aos hebreus de que a grande característica desse descanso é que haverá
uma completa cessação do labor. Aquele que entra nele irá descansar eternamente
com Deus (v. 10).
V. 11 – Como
definitivamente há um descanso por vir, o escritor exorta os hebreus a “usar diligência para entrar naquele
descanso, para que ninguém caia após o mesmo exemplo de não ouvir a Palavra” (JND).
Isso se refere a ter certeza de que a fé deles era verdadeira, e provar isso, continuando
no caminho. O uso de “diligência” é
declarado no tempo verbal aoristo no grego, significando que deve ser uma
decisão tomada de uma vez por todas de continuar no caminho.
Nos capítulos 3-4, ele
mencionou três descansos:
- Descanso
da criação – arruinado pelo pecado.
- Descanso
de Canaã – perdido pela
incredulidade.
- Descanso
eterno – certo de ser alcançado por
aqueles que têm fé.