Em terceiro
lugar, Cristo é “o resplendor” ou o resplandecer
da glória de Deus (v. 3). Assim, Ele é o grande Revelador de Deus (Jo 1:18).
Isso é algo mais do que um testemunho sendo dado por um profeta a respeito de
Deus; é o real resplendor do próprio Deus, que é algo que só poderia ser feito
por uma Pessoa divina. Assim, todas as qualidades morais e espirituais de Deus
brilham n’Ele. Não é um mero reflexo de Deus, como Moisés refletiu a glória de
Deus em seu rosto, mas os próprios atributos de Deus sendo manifestados. H.
Smith disse: “O Filho Se aproximou de nós de uma maneira que nos possibilita
ver Deus em todos os Seus atributos” (The
Epistle to the Hebrews, pág. 8).
© Christian Truth Publishing 9-B Appledale Road – Hamer Bay (Mactier), ON. P0C 1H0 CANADA - Traduzido, publicado e distribuído no Brasil com autorização do autor por Verdades Vivas - verdadesvivas.com.br
O Criador do Universo
Em segundo
lugar, Ele “criou igualmente os mundos”
(v. 2 – TB). (“Os mundos” são uma
expressão judaica para “o universo”, conforme nota de rodapé na tradução JND).
Novamente, um profeta poderia fazer referência às obras de criação de Deus em
suas comunicações ao povo, mas ele não ousaria afirmar ser o criador de tudo
isso. O fato de que Cristo criou o universo (Jo 1:3; Cl 1:15-16) atesta a Sua
divindade, pois a Escritura afirma claramente que Deus criou os céus e a Terra
(Gn 1:1, etc.)
O Herdeiro de Todas as Coisas
Primeiramente,
sendo o Filho, foi feito “Herdeiro de
todas as coisas” (v. 2 – AIBB). A herança é toda coisa criada. Esta simples
declaração nos diz que tudo pertence a Ele! Nenhum profeta, independentemente
de quão proeminente pudesse ter sido, jamais teve tal coisa dada a si mesmo.
Isso imediatamente separa o Filho de todos os profetas. Quando Cristo Se
levantar para redimir a Sua herança num dia vindouro (Ef 1:14), Ele a compartilhará
conosco porque somos “herdeiros de Deus
e co-herdeiros com Cristo” (ARA), e assim reinaremos juntos sobre a herança.
(Rm 8:17; 1 Co 3:21-22). Mas esse não é o ponto que o escritor está trazendo
aqui – Sua ênfase está na dignidade de Cristo para ter a herança por conta de Quem
Ele é.
Uma Visão Sétupla da Glória de Cristo
Vs. 2-3 – Como
mencionado, o propósito da digressão é magnificar a glória e a grandeza de
Cristo. O escritor, portanto, se volta a imputar muitos atributos maravilhosos
de divindade a Ele, e assim O distingue de todos os outros como o Filho de
Deus. Sete coisas em particular são
declaradas que provam Sua superioridade em relação a todos os profetas que já
viveram e falaram por Deus:
Uma Digressão
Para abraçar
adequadamente o que é transmitido nesta passagem, precisamos observar a digressão[1]
que ocorre do capítulo 1:2 (após a palavra “Filho”)
até o final do capítulo, em que o Espírito Santo leva o escritor a desdobrar a
glória e grandeza da Pessoa de Cristo, antes de continuar com uma advertência d’Ele
no capítulo 2:1-4. Isto é feito para dar ênfase a QUEM está falando, e assim
trazer o que é dito aos corações e consciências com maior força. Se seguirmos a
linha do argumento, pulando a digressão, leremos: “Deus” nos falou “na Pessoa
do Filho” ... “por isso convém
atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos” (AIBB). O ponto
aqui é que, uma vez que a importância de qualquer coisa que é dita depende da
grandeza da pessoa que o disse, assim eles deveriam ouvir mais seriamente o que
está sendo dito nesta epístola, porque é o próprio Deus que está falando!
[1]
N. do T.: Digressão é um recurso literário de se desviar de um tema com a
finalidade de esclarecer algo que irá enriquecer o assunto principal.
A Palavra Falada Por Cristo é Maior que a dos Profetas
V. 1 – A primeira
palavra da epístola é referente a “Deus”
– TB. É a única epístola que começa dessa maneira. Imediatamente nos coloca
face a face com a Pessoa que está falando nesta epístola. Não é um profeta, nem
um anjo, nem um apóstolo de Cristo, mas o próprio Deus na Pessoa do Filho. Como
não poderia haver uma Pessoa maior no universo, o leitor deve atentar com muita
seriedade ao que está prestes a ser declarado.
O escritor nos informa
que, embora Deus tenha comunicado ao Seu povo Israel por meio de alguns
poderosos mensageiros em tempos passados, agora falou de uma maneira muito
maior. Ele diz: “Deus, que em diversas
ocasiões e de diversas maneiras, falou aos pais no tempo passado pelos
profetas, nesses últimos dias [ao
final desses dias – JND] falou-nos por
Seu Filho [na Pessoa do Filho – JND]” (KJV).
“Profetas”
(v. 1) e “anjos” (v. 4) foram os
dois grandes mensageiros na administração judaica que Deus usou para Se comunicar
com Seu povo. Os judeus apontaram orgulhosamente para esses mensageiros como
uma marca da nação tendo o favor de Deus, o que é verdade. Nenhum outro povo na
Terra teve meios tão distintos de comunicação de Deus (Dt 4:7). No entanto, o
ponto que o escritor está levantando aqui é que com a vinda de Cristo (Seu
primeiro advento), Deus falou ao Seu povo “na
Pessoa do Filho” (JND). Este é um meio infinitamente maior de comunicação
do que por profetas e anjos. Não é que Deus apenas enviou um Mensageiro maior
em Cristo, mas que o próprio Deus veio à nação para falar a eles na Pessoa do
Filho! Se os judeus se sentiam privilegiados por ter mensageiros exaltados como
profetas e anjos vindo de Deus, deveriam ter se sentido duplamente
privilegiados por terem tido uma “visitação”
do próprio Deus! (Lc 1:78, 19:44)
Em “tempos passados” (TB) Deus havia falado ao Seu povo “de muitas maneiras” (de maneiras
diferentes) “pelos profetas” – por
sonhos, por visões, por uma voz audível, etc. – mas agora “ao final desses dias” (JND) de comunicação profética, Ele falou “na Pessoa do Filho”. Isto foi de duas
maneiras: em primeiro lugar, quando o Senhor estava aqui na Terra (cap. 2:3), e em segundo lugar, no momento da escrita
desta epístola Ele estava falando do céu
(cap. 12:25).
O Objetivo de Ampliar a Grandeza de Cristo
Talvez o argumento mais
forte e mais convincente que os judeus colocariam diante de uma pessoa que quisesse
deixar o judaísmo seria o fato de que o próprio Deus o havia ordenado. Ele o
entregou à nação de Israel pelas mãos de Moisés e pela “ordenação dos anjos” (At 7:53). O argumento deles é que, uma vez
que a maior Autoridade do universo designou esse sistema de adoração, nenhuma
pessoa na Terra deveria pensar em alterá-lo. Os judeus incrédulos insistiriam
nesse ponto para aqueles que estavam pensando em deixar o judaísmo, e lhes
diriam que estavam sendo persuadidos a “apostatarem
de Moisés” (At 21:21 – ARA) por pregadores Cristãos que não tinham
autoridade para ensinar tais coisas. Tal passo, eles diriam, era um ato de
desobediência e rebelião, e essencialmente de se afastar do próprio Deus!
Isso, certamente, seria
terrivelmente perturbador para os crentes judeus, cujas consciências haviam
sido formadas pelas demandas desse sistema legal. No entanto, se eles
entendessem que o Deus que deu a Israel a religião do judaísmo era a mesma Pessoa
que agora estava chamando-os para fora dela, responderiam com mais confiança ao
chamado. Assim, os capítulos 1-2 são dedicados a estabelecer o fato de que o
Senhor Jesus Cristo é Deus na pessoa do Filho, e que é Ele Quem está falando a
eles sobre deixar o judaísmo para algo melhor no Cristianismo. Ele é o Orador
divino em toda a epístola.
As Glórias de Cristo Como o Filho de Deus e o Filho do Homem
As Glórias de Cristo Como o Filho de Deus e o Filho do Homem
Nestes capítulos de
abertura, as glórias de Cristo são vistas de duas maneiras:
- Como o Filho de Deus – enfatizando Sua divindade (caps. 1:1–2:4).
- Como o Filho do Homem – enfatizando Sua perfeita humanidade (cap. 2:5-18).
Há um tipo desses dois
lados da pessoa de Cristo na “arca”
no sistema do tabernáculo (Êx 25:10-16). Foi feita de dois materiais: “ouro puro”, que tipifica Sua divindade
e “madeira de cetim” (“madeira incorruptível” – a versão da
Septuaginta), que tipifica Sua humanidade perfeita. Em Hebreus 1 temos o ouro
puro e em Hebreus 2 temos a madeira de cetim.
CRISTO SUPERIOR AOS PROFETAS Capítulo 1:1-3
Cristo, O Apóstolo da Nossa Confissão
Esta grande dissertação
começa com o escritor magnificando a Cristo. Como mencionado na Introdução, nos
capítulos 1-2, Ele é apresentado como o “Apóstolo”
de nossa confissão. Ele é visto como tendo vindo de Deus para realizar a
vontade de Deus para a Sua glória. Nestes capítulos, Ele é comparado aos dois
maiores tipos de mensageiros que tinha o sistema legal – os profetas e os
anjos. Em todos os sentidos, Ele é mostrado como infinitamente superior a todos.
PRÁTICA (caps. 10:19–13:25)
PRÁTICA (caps. 10:19–13:25)
Esta seção contém
exortações práticas baseadas na verdade que foi apresentada na parte doutrinal
da epístola. Existem sete grupos principais de exortações centradas em torno das
formas imperativas dos verbos: “cheguemo-nos;
retenhamo-nos; consideremo-nos; deixemos etc.”. (Caps. 10:22, 23, 24; 12:1, 28; 13:13, 15).
DOUTRINAL (caps. 1-10:18)
DOUTRINAL (caps. 1-10:18)
Esta seção tem duas partes que se
correlacionam com as duas maneiras pelas quais Cristo é apresentado na epístola
– como o “Apóstolo e Sumo Sacerdote da
nossa confissão” (cap. 3:1). Ele é visto como um “Apóstolo” nos capítulos 1-2 e como nosso “Sumo Sacerdote” no capítulo 3-10:18. Um apóstolo é aquele que foi
enviado por Deus para um propósito específico, e um sacerdote é aquele que
entrou na presença de Deus para interceder pelos necessitados.
Como um “Apóstolo”, Cristo saiu “do Pai” para revelá-Lo e realizar a
redenção (Jo 16:28a). Como tal, Ele é mostrado como sendo infinitamente
superior aos dois grandes mensageiros que Deus usou no judaísmo – os profetas e
os anjos.
Como um “Sumo Sacerdote”, Cristo entrou na
presença de Deus para Se ocupar em Seu serviço atual como nosso Intercessor (Jo
16:28b; Rm 8:34; Hb 4:14). Ele foi para lá com um ministério que é tanto em
relação ao homem como em relação a Deus:
- Em relação ao homem – socorrer (ajudar) os necessitados (cap. 2:18), simpatizar com aqueles que têm fraquezas (cap. 4:15), conceder misericórdia e graça (cap. 4:16), ter compaixão dos ignorantes e daqueles fora do caminho (cap. 5:2), e salvá-los em um momento de necessidade (cap. 7:25).
- Em relação a Deus – assegurar o novo concerto (cap. 8), oferecer-Se sem mancha a Deus como um supremo Sacrifício para aniquilar o pecado (cap. 9-10) e apresentar nossos louvores a Deus (caps. 10:21, 13:15).
A Aplicação da Epístola à Cristandade
Embora a epístola tenha
sido escrita para os crentes judeus para ajudá-los a se libertarem do judaísmo,
não devemos pensar que isso não tem nenhuma aplicação para os gentios que
creram no evangelho. A profissão Cristã historicamente, e em geral hoje, não entendeu
o chamado e o caráter celestial da Igreja, e imaginou que é algum tipo de
complemento a Israel. Os Cristãos geralmente entendem mal a instrução de
Hebreus 9:8-9, 23-24, que ensina que o sistema do tabernáculo do Velho
Testamento é uma figura do verdadeiro
santuário no qual os Cristãos agora adoram pelo Espírito. Em vez de vê-lo como
uma figura, eles usaram o tabernáculo como um modelo para suas igrejas e emprestaram muitas coisas em um sentido
literal daquela ordem judaica para seus locais de adoração e seus serviços
religiosos. Assim, eles perderam completamente o ponto de que Deus não quer uma mistura dessas duas ordens
diferentes de adoração (Hb 13:10).
A seguir, uma lista de
algumas das coisas que foram emprestadas do judaísmo na formação de grupos
denominacionais e não denominacionais da igreja:
- O uso literal de templos ornamentados e catedrais para locais de adoração.
- Uma casta especial de homens ordenados que oficiam em nome da congregação.
- O uso de instrumentos musicais para ajudar na adoração.
- O uso de um coral.
- O uso de incenso para criar uma atmosfera religiosa.
- O uso de vestes pelos “ministros” e membros do coral.
- O uso literal de um altar (não sacrificial).
- A prática do dízimo.
- A observância de dias santos e festivais religiosos.
- Um registro de nomes de pessoas na congregação.
É verdade que muitas
dessas coisas judaicas foram alteradas de algum modo por esses grupos religiosos
para se adequarem a um contexto Cristão, mas esses locais de adoração ainda têm
os ornamentos do judaísmo. De fato, infelizmente, essa ordem judaica permeou a
Igreja. Muito do que existe há tanto tempo no Cristianismo tornou-se aceito
pelas massas como o ideal de Deus. A maioria das pessoas hoje acha que é bom e
correto ter essa mistura judaico-Cristã. Infelizmente, a mistura dessas duas
ordens de adoração destruiu a distinção de cada uma delas, e o que resultou da
mistura é algo que não é o verdadeiro judaísmo, nem é o verdadeiro Cristianismo.
Ambos foram estragados (Lc 5:36-39).
O que aconteceu em
grande medida é que a Cristandade se uniu ao “arraial” da religião terrena do qual os crentes foram chamados a
sair (Hb 13:13). F. B. Hole disse: “A importância desta epístola para o tempo
presente é tal que nunca poderá se considerada exagerada. Multidões de crentes
hoje, embora gentios e, portanto, não relacionados ao judaísmo, estão
emaranhados em formas pervertidas de Cristianismo, que consistem, em grande
parte, em formas, cerimônias e rituais que, por sua vez, são em grande parte uma
imitação do ritual judaico, outrora ordenado por Deus para cumprir o tempo até
que Cristo viesse” (Hebrews, pág. 1).
Como a Cristandade se
tornou permeada de princípios e práticas judaicas, esta epístola tem uma
aplicação prática importante para todos na profissão Cristã que proferem o nome
do Senhor. Ela chama os crentes a “saírem”
para Cristo “fora do arraial”,
porque Ele não está conectado a essa ordem de coisas neste momento (Hb 13:13).
Isso significa que devemos nos dissociar das práticas e princípios judaicos
onde quer que sejam encontrados, estejam eles no judaísmo formal ou em lugares
de adoração de mescla judaico-Cristã. Infelizmente, esse chamado é amplamente mal-entendido
e geralmente ignorado pelos Cristãos.
Uma Breve Visão Geral da Epístola
Uma Breve Visão Geral da Epístola
A epístola tem duas
partes principais: uma seção doutrinal,
seguida por uma seção prática. Como
na maioria das epístolas, as exortações práticas são baseadas na verdade
doutrinal que foi ensinada
Uma Multidão Mista - Cinco Advertências Contra A Apostasia
Uma Multidão Mista
Cinco Advertências Contra A Apostasia
A epístola foi escrita
principalmente para o remanescente da nação que acreditou no evangelho e
recebeu a Cristo como seu Salvador. No entanto, é evidente a partir dos avisos
incluídos na epístola, que parecia haver alguns entre esse grupo que eram crentes
meramente professos e de maneira nenhuma eram verdadeiros. Esses podem ter sido
atraídos pelas bênçãos externas ligadas ao Cristianismo (os poderosos sinais e
milagres, etc.), mas, infelizmente, não tinham fé verdadeira em Cristo. Era,
portanto, uma multidão mista.
Os judeus que assumiram
a posição Cristã estavam sofrendo perseguição de seus compatriotas descrentes
e, sob essa ameaça, estavam ficando desgastados e indecisos no caminho. Alguns
foram tentados a desistir e voltar ao judaísmo. Para aqueles que estavam
meramente professando crer, retirar-se do Cristianismo seria apostasia. A
apostasia é o abandono formal da fé que uma pessoa professou. Isso é algo que
somente um crente meramente professo poderia fazer e faria. É uma coisa muito
solene, pois uma vez que uma pessoa apostata do Cristianismo, não há esperança
de voltar em arrependimento. A escritura diz que recuperar tal pessoa é “impossível” (Hb 6:4-6). Uma vez que
havia alguns dentre eles que estavam em perigo de apostatar o escritor
apresenta, no decorrer da epístola, cinco
advertências distintas contra o afastamento do terreno Cristão e o retorno ao judaísmo
(caps. 2:1-4, 3:7-4:11, 5:11-6:20, 10:26-39, 12:16-27). Nessas advertências,
ele explica em termos inequívocos a fatalidade de tal passo e encoraja-os a
prosseguir no caminho Cristão com fé verdadeira, em vez de ser daqueles “que se retiram para a perdição” (cap.
10:39).
Alguns Cristãos pensam
que essas advertências ensinam que um crente pode perder sua salvação se se
afastar do Senhor. Eles apontam para passagens semelhantes como: Mt 7:21-23,
12:43-45, 13:5-6, 20-21, 24:13, 25:26-30; Mc 3:28-30; Lc 22:31-32; Jo 15:2-6; Rm
11:22; 1 Co 9:27, 15:2; Hb 6:4-6, 10:26-29, 12:14; 2 Pe 2:1, 20-21 para apoiar
seu argumento. No entanto, um olhar mais atento a essas passagens da Escritura
mostra que elas não estão falando de
verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, mas crentes meramente professos que
apostataram da fé Cristã. O problema que leva muitos a essa conclusão
equivocada é que eles não sabem a diferença entre desvio e apostasia. Ambas
as coisas se referem a uma pessoa se afastando de Deus, mas uma (apostasia) é
infinitamente pior que a outra. Um verdadeiro crente pode se desviar, vacilar
em suas convicções e caminhar distante do Senhor, mas não abandonará a fé e nem
rejeitará a Cristo, o que é apostasia.
Pode ser perguntado: “Por
que essas advertências relativas à apostasia seriam declaradas nas Escrituras,
que são escritas aos crentes, se não têm aplicação para crentes?” A resposta é
que os escritores divinamente inspirados do Novo Testamento estavam, em muitas
ocasiões, se dirigindo a uma multidão mista de crentes verdadeiros e de crentes
meramente professos, como é o caso desta epístola. Assim, suas observações
incluíam advertências para qualquer um que estivesse meramente professando fé
em Cristo e que estavam circulando entre os verdadeiros crentes. Tais
observações tinham a intenção de atingir as consciências dessas pessoas e
despertá-las para a necessidade de serem salvas. Eles são, assim, avisados de
que, se abandonarem a fé Cristã, na qual professavam crer, estariam perdidos
para sempre! A perseverança, portanto, é a melhor e mais segura garantia da genuinidade
de alguém (cap. 3:6).
Os Dois Tipos de “Se” nas Escrituras
Os Dois Tipos de “Se” nas Escrituras
Hebreus é uma epístola do
“deserto”. Isto é, os santos são vistos na Terra sob provas, caminhando nos
passos de fé tendo diante deles Cristo no céu como seu objetivo. As epístolas
do deserto (1 Coríntios, Filipenses, Hebreus, 1 Pedro etc.) são marcadas por
terem a partícula condicional “se” em seu texto.
De fato, existem dois
tipos de “se” na Escritura que são bem diferentes: o “se” de condição e o “se” de
argumentação. O “se” de condição assume que há uma possibilidade de falha
no caminho, resultante de uma pessoa não ser verdadeira ou de a fé na justiça naufragar
de alguma forma. Estes são os tipos de “se” que são encontrados nas epístolas
do deserto. O “se” de argumentação, por outro lado, tem a ver com o escritor
estabelecer certos fatos em sua apresentação, e então basear-se nesses fatos
para chegar a uma afirmação. Neste caso, a palavra “se” poderia ser substituída
por “já que”. Tem sido dito frequentemente que Efésios não tem “se” de
condição. Naquela epístola, os santos não são vistos como sendo testados na
Terra, mas sim assentados juntamente nos lugares celestiais em Cristo (Ef 2:6 –
JND). Colossenses, por outro lado, tem ambos: há um “se” de condição no
capítulo 1:23 e há “se” de argumentação nos capítulos 2:20 e 3:1. Hebreus
também tem os dois tipos de “se”.
O Escritor da Epístola – Paulo
O Escritor da Epístola – Paulo
A epístola é anônima. A
Versão King James declara no título da epístola o apóstolo Paulo como sendo o seu
escritor, mas o título em que isto é afirmado não é divinamente inspirado – embora
a maioria dos estudiosos da Bíblia concorde que a King James está correta. Isso
foi deduzido de uma declaração que o apóstolo Pedro fez em sua segunda
epístola. Ele disse que uma epístola havia sido escrita por Paulo aos judeus,
que ele classifica entre as “Escrituras”
(2 Pe 3:15-16). A que outra epístola ele poderia estar se referindo senão a esta?
Se não for a esta epístola aos Hebreus, então Pedro estava se referindo a uma
epístola de Paulo divinamente inspirada que foi perdida! Isso significaria que
Deus não preservou todas as Escrituras para nós – algo que os Cristãos, por
unanimidade, não aceitam.
Há também certas
evidências internas dentro da epístola que apontam para Paulo como sendo o autor.
Por exemplo, o uso extensivo de figuras judaicas e as muitas citações das
Escrituras do Velho Testamento mostram que o escritor está propositadamente
tentando ganhar a atenção daqueles a quem está escrevendo, favorecendo suas
tendências, sem comprometer a verdade. Este é um princípio sobre o qual Paulo
atuou em seu ministério. Ele disse: “fiz-me
como judeu para os judeus, para ganhar os judeus” (1 Co 9:20). Além disso,
a maneira como se fala de Timóteo sugere que é Paulo (Hb 13:23).
Pode ser perguntado: se
ele é o escritor, por que ele não se apresentou em sua forma normal, como em
suas outras epístolas? Existem duas ou três razões. Primeiro, Paulo não mencionou seu apostolado aqui ao escrever aos
seus irmãos hebreus porque o seu apostolado era exclusivamente para o seu
trabalho entre os gentios. Ele era o “apóstolo
dos gentios” (Rm 11:13, 15:16; Gl 2:8). Ele não tinha autoridade para se
dirigir a seus compatriotas como um apóstolo. O apostolado de Pedro, por outro
lado, era para a sua obra entre os judeus (Gl 2:7-8). Isso não significa que
Paulo não pudesse se dirigir a seus irmãos judeus; significa apenas que se e
quando fizesse, não poderia fazê-lo com autoridade apostólica.
Uma segunda razão pela qual ele não
mencionou seu apostolado foi porque a função do Espírito de Deus na epístola é
apresentar a Cristo como o grande “Apóstolo”
de nossa confissão (Hb 3:1). Introduzir o seu apostolado poderia trazer
confusão e desviar desse objetivo. Assim, Paulo gostaria que seus leitores
entendessem que a mensagem na epístola vinha de um Apóstolo maior do que ele – o
Senhor (caps. 1:2, 12:24-25). Paulo, portanto, alegremente permanece em segundo
plano, a fim de trazer Cristo à frente de uma maneira mais pronunciada.
Uma terceira razão poderia ser que, se a
epístola, que foi escrita para judeus crentes, caísse nas mãos de judeus
incrédulos, e eles soubessem que seu autor era Paulo, eles nunca a teriam lido.
Eles teriam descartado a coisa toda imediatamente porque Paulo era considerado um
desertor do judaísmo.
Coisas Eternas na Epístola
Coisas Eternas na Epístola
É interessante que por
toda a epístola o Espírito de Deus procura fazer o coração do leitor apegar-se às
coisas celestiais e eternas, em vez do que é terreno e temporal. J. N. Darby
disse: “O leitor observará quão ansiosamente, por assim dizer, a epístola aqui vincula
a designação de ‘eterno’ a tudo. Não
era um relacionamento temporário ou terreno com Deus, mas um relacionamento eterno;
tanto de redenção quanto de herança. Correspondendo a isto, quanto à obra na Terra,
é de uma vez por todas. Não é sem importância notar isso quanto à natureza da
obra. Por isso, a designação está ligada até mesmo ao Espírito” (Synopsis of the Books of the Bible, nota
de rodapé, pág. 335 – edição de Loizeaux). Esses são:
- “Eterna” salvação (cap. 5:9).
- “Eterno” juízo (cap. 6:2).
- “Eterna” redenção (cap. 9:12).
- “Eterno” Espírito (cap. 9:14).
- “Eterna” herança (cap. 9:15).
- “Eterno” concerto (cap. 13:20).
Além disso, o escritor
também usa outros termos e expressões para indicar coisas eternas:
- O trono do Filho é “pelos séculos dos séculos” (cap. 1:8).
- Ele é um sacerdote “eternamente” (cap. 5:6, 7:21).
- O Filho é aperfeiçoado “para sempre” (cap. 7:28)
- O Filho Se senta “para sempre” à direita de Deus (cap. 10:12).
- Os crentes são aperfeiçoados “para sempre” (cap. 10:14).
O Custo de Deixar o Judaísmo
O Custo de Deixar o Judaísmo
Tal passo, no entanto,
foi (e ainda é) uma coisa dispendiosa para os Cristãos judeus. Quando alguém
deixava a fé de seus antepassados pelo Senhor Jesus, era considerado um
apóstata (“apostataram de Moisés” At
21:21 – ARA). Era “excomungado” da
congregação (Jo 9:34 – KJV, nota de rodapé) e, posteriormente, perseguido por
seus compatriotas (Hb 10:33-34). Muitas vezes sua família faria um funeral
simulado dele e o deserdaria! Em alguns casos, deixar o judaísmo levaria ao
martírio (At 22:4).
Todo esforço concebível
seria feito para convencer aquele que havia se afastado do judaísmo ao Cristianismo
para renunciar a Cristo e retornar ao judaísmo. Argumentos fortes seriam usados
para persuadir a pessoa de seu, assim chamado, “erro”. Os judeus orgulhosamente
apontariam para a herança que tinham no judaísmo. Eles tinham os escritos de
seus profetas (as Escrituras), o ministério de anjos, grandes líderes como
Moisés e Josué, uma herança na terra de Canaã de onde fluía leite e mel, o
sacerdócio aarônico, o santuário sagrado onde o próprio Deus morava, o concerto
da Lei que moralmente era santa, justa e boa, e o serviço venerado de Deus
realizado por uma elaborada variedade de rituais, sacrifícios e ofertas. Os
judeus incrédulos perguntavam ao desertor: “Por que você iria querer deixar uma
herança tão rica por uma nova religião que não tem nada a mostrar, senão uma
mesa com pão e vinho num cenáculo?” Para o judeu que se apegava firmemente ao
judaísmo, isso não fazia sentido.
Os judeus incrédulos
perguntariam: “O que o Cristianismo tem em comparação com tudo isso que temos
no judaísmo?” Esta epístola oferece ao crente judeu uma resposta definitiva a
essa provocação. O escritor, por inspiração divina, prossegue mostrando uma
coisa venerável após a outra que distingue a religião dos judeus, e a compara
com o que temos no Cristianismo, e em todos os casos, mostra que os Cristãos
têm algo muito superior em Cristo. Ele apresenta:
- A superioridade do Filho aos profetas (cap. 1:1-3).
- A superioridade do Filho aos anjos (caps. 1:4–2:18).
- A superioridade do Filho a Moisés, o mediador (cap. 3:1-19).
- A superioridade do Filho a Josué, o comandante militar (cap. 4:1-16).
- A superioridade do sacerdócio de Cristo ao sacerdócio de Aarão (caps. 5-7).
- A superioridade do Novo Concerto ao Velho Concerto (cap. 8:1-13).
- A superioridade do único sacrifício de Cristo aos sacrifícios no grande dia da expiação (caps. 9–10:18).
- A superioridade do acesso à presença de Deus pelo sangue de Cristo (caps. 8:1-6, 9:8, 10:19-22).
O grande ponto
apresentado na epístola é que Cristo é superior a todas as formas e rituais do
judaísmo. Como o leitor notará, as palavras características ao longo do livro são
“excelente, maior, melhor” (caps.
1:4, 6:9, 7:7, 19, 22, 8:6, 9:23, 10:34, 11:16, 35, 40, 12:24).
Por Que Deixar o Judaísmo?
Por Que Deixar o Judaísmo?
Para um judeu cuja
mente está acomodada no judaísmo, toda a ideia de deixar aquela religião
ordenada por Deus é inconcebível. Ele pergunta: “Por que alguém iria querer
deixar aquilo que Deus estabeleceu como sendo o caminho correto e apropriado
para os homens se aproximarem d’Ele em adoração? Seria desobediência!” A
resposta é dupla: em primeiro lugar,
porque aqueles sacrifícios judaicos, formas e ritos serviram ao seu propósito
como sendo uma “figura” dos “bens futuros”, que agora foram cumpridos
na vinda de Cristo (caps. 8:5, 9:11, 10:1). Os benefícios que fluem de Sua obra
consumada na cruz não são apenas para os Cristãos, mas também para Israel e as
nações gentias que serão abençoadas em Seu reino milenar vindouro (ver Collected Writings of J. N. Darby, vol.
27, pág. 385). Portanto, não há agora necessidade da “sombra” dessas coisas do judaísmo quando temos “a imagem exata das coisas” (cap.
10:1).
Em segundo lugar, Deus chamou uma nova companhia celestial de crentes
à existência (a Igreja) que é separada e distinta de Israel, e que não tem
necessidade de formas externas e rituais em sua aproximação a Deus. Antes que a
fundação do mundo fosse estabelecida – e, portanto, antes que Deus chamasse
Israel para um relacionamento de concerto Consigo – Ele propôs chamar este
grupo celestial de crentes para fora do mundo e dar-lhes um destino celestial com Cristo. Deus não revelou
isso nos tempos do Velho Testamento, mas esperou que a redenção fosse consumada
na morte de Cristo na cruz. Depois disso, Deus enviou o Espírito para revelar
este segredo o qual o Novo Testamento chama de “o Mistério” (Rm 16:25; 1 Co 4:1; Ef 1:8-10, 3:3-11, 5:32, 6:19; Cl
1:5, 25-27, 2:2-3).
O chamado e a formação
da Igreja seriam um conceito completamente novo para os judeus, porque é algo
que está fora do âmbito da revelação dada a eles no Velho Testamento. A
formação da Igreja neste tempo atual não invalida de modo algum as promessas de
Deus de abençoar Israel de acordo com o que os seus profetas ensinaram. Deus
manterá a Sua Palavra para eles e os abençoará na Terra no reino milenar de Cristo. Em contraste com isso, a esfera
de bênção da Igreja em Cristo é celestial.
Assim, no reino vindouro, haverá duas esferas de glória e bênção para os homens
redimidos – “no céu” e “na Terra” (Ef 1:10).
Judeus e gentios que creem
no evangelho da graça de Deus hoje são selados com o Espírito Santo e, assim,
fazem parte dessa nova companhia celestial. Visto que o chamado e destino deles
é habitar eternamente com Cristo nos céus (1 Co 15:48-49; 2 Co 5:1; Ef 1:3, 2:6,
6:12; Fp 3:20; Cl 3:1-2; Hb 3:1, 8:1-2, 9:11, 10:19-22, 11:16, 12:22, 13:14; 1
Pe 1:4), foi-lhes dado “um novo e vivo
caminho” para se aproximarem de Deus em adoração dentro do “santíssimo lugar” (AIBB) – a presença
imediata de Deus (Hb 10:19-22). Isso é uma coisa espiritual (Jo 4:23-24), em
oposição à adoração de Israel, que era predominantemente uma ordem externa de
formas e rituais. Isto é porque a adoração de Israel foi concebida para uma
companhia terrena de pessoas com um
chamado e destino terrenal, enquanto a adoração Cristã é uma coisa celestial concebida
para uma companhia celestial de
pessoas. De muitas maneiras, essas são ordens contrastantes. Visto que os Cristãos
estão na presença de Deus com esta sublime liberdade de se aproximar (“aproximemo-nos” – ARA) dentro do véu,
no verdadeiro santuário no céu (Hb 8:1-2, 10:19-22), não precisam de um sistema
de formas e rituais nem de uma casta de sacerdotes para se achegarem de Deus em
adoração. Assim sendo, os crentes no Senhor Jesus que vêm da prática do judaísmo
são exortados nesta epístola a deixar aquela ordem terrena para o “novo e vivo caminho” no Cristianismo,
porque, quanto à sua posição diante de Deus, eles não são mais judeus, mas Cristãos
(Gl 3:28; Cl 3:11).
Em um dia vindouro,
quando o reino de Cristo for estabelecido, a ordem externa de adoração no judaísmo
será usada novamente na Terra pelo Israel redimido para comemorar o grande
sacrifício de Cristo na cruz – o qual eles aceitarão de bom grado (Ez 43-46).
Mas hoje, para a companhia celestial (a Igreja), esse sistema terreno de
aproximação a Deus simplesmente não é necessário – na verdade, é um obstáculo
para os Cristãos (Hb 5:11-14). Portanto, os judeus que recebem a Cristo como
seu Salvador (e são assim parte da Igreja) são exortados nesta epístola a sair “fora do arraial [acampamento]” (TB) do
judaísmo para ir a Cristo, que está atualmente fora desse sistema (Hb 13:13).
A ideia de deixar o
judaísmo não é algo exclusivo do
escritor de Hebreus. O próprio Senhor Jesus ensinou que quando Ele fosse
rejeitado por Sua própria nação, Ele guiaria “Suas ovelhas” (verdadeiros crentes) para fora do aprisco do
judaísmo, para o “rebanho” do Cristianismo,
onde elas seriam unidas com “outras ovelhas”
– crentes dentre os gentios (Jo 10:1-16). Isto não é algo que Ele fez durante a Sua vida e ministério na Terra,
mas somente depois que todos os esforços do Espírito Santo para chamar a nação
ao arrependimento (por meio dos apóstolos) falharam (At 1-7). Foi somente após
a rejeição formal de Cristo pelos líderes da nação, demonstrada ao apedrejarem
Estêvão (At 7), que Ele iniciou Sua obra de levar os crentes para fora do aprisco
judaico.
A EPÍSTOLA AOS HEBREUS INTRODUÇÃO
A EPÍSTOLA
AOS
HEBREUS
HEBREUS
INTRODUÇÃO
Esta é uma das quatro
epístolas inspiradas que foram escritas para estabelecer os judeus convertidos
na verdade do Cristianismo. Essas epístolas (Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro) – às
vezes chamadas de “Epístolas Cristãs Hebraicas” – são especificamente
relacionadas a coisas que dizem respeito aos crentes vindos do judaísmo.
A epístola aos Hebreus trata
do esforço envolvido quando judeus deixam o judaísmo para receber o Cristianismo.
Tendo sido criados em uma longa e rica herança no judaísmo, que lhes foi dada
por Deus por meio de Moisés, é compreensível que tivessem dificuldade em
abandonar tal herança. Suas consciências haviam sido formadas para adotar
aquele modo judaico de se aproximar de Deus; desistir disso fez com que se
sentissem como se estivessem violando sua consciência. O que eles precisavam
entender era que o mesmo Deus, que havia estabelecido o judaísmo há muito tempo,
agora estava chamando-os para fora disso porque Ele tinha algo melhor para eles
em Seu Filho no Cristianismo. O escritor da epístola chama isso de o “novo e vivo caminho” de se aproximar
de Deus (Hb 10:20). Não obstante, se as coisas que são apresentadas nesta
epístola fossem entendidas apropriadamente e postas em prática por fé, libertariam
o crente judeu desse sistema e o estabeleceria firmemente no caminho Cristão.
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